Aldous Huxley: "É assim que a liberdade vai acabar no mundo"

Aldous Huxley é um daqueles autores que, décadas atrás, ousou escrever sobre o futuro que nos esperava. Hoje, analisando a realidade, parece que suas hipóteses não eram descabidas.
Aldous Huxley: "É assim que a liberdade vai acabar no mundo"

Última atualização: 03 Abril, 2021

Será que realmente perderemos a nossa liberdade? Em um momento tão delicado como o atual, imersos na mais absoluta incerteza e em plena mudança constante em todos os níveis, econômico, político e social, muitos de nós nos perguntamos até onde vamos, dada a situação em que nos encontramos? Não sabemos, mas o que podemos fazer é revisar algumas das reflexões de algumas pessoas sobre a liberdade, como Aldous Huxley.

Este escritor e filósofo já refletia sobre o que significava a perda da liberdade, individual e coletiva, por volta de 1914 e 1930, período em que ocorreram a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais e eventos que Huxley viveu na própria pele. Foram momentos difíceis nos quais ele tirou as suas próprias conclusões sobre tudo que estava acontecendo, e que têm um certo paralelo com o que vivemos hoje.

Para Huxley, no fundo, o mais importante em tempos de crise é o pensamento divergente, individual e crítico. Para ele, é a única forma de lutar contra o sistema e contra toda a injustiça social e a tirania do mundo.

Caricatura de Aldous Huxley

Aldous Huxley e seus presságios em Admirável Mundo Novo

O romance de Huxley de 1931 previu um pouco a vida moderna. Um livro que nos alerta sobre os perigos da mídia, a passividade e como até uma população inteligente pode ser levada a escolher a ditadura em vez da liberdade.

Admirável Mundo Novo é a descrição de uma sociedade em que todos são muito felizes o tempo todo. E isso é dessa forma devido à destruição do livre arbítrio da maioria da população, da engenharia genética e do condicionamento pavloviano (Pavlov), aquele pelo qual todos se divertem com infinitas distrações de todos os tipos, e até mesmo com “drogas” caso todo o resto falhe.

Assim, o estado mundial de Admirável Mundo Novo é uma ditadura que se esforça para garantir a ordem, uma ditadura comandada por dez oligarcas que dependem de uma grande burocracia para manter o mundo funcionando. Desta forma, as pessoas são condicionadas a amar a sua submissão, e a se orgulhar do trabalho que fazem para se sentirem aliviadas por não precisarem se preocupar com os problemas do mundo.

As 4 previsões de Aldous Huxley relacionadas à liberdade

Aldous Huxley, que também viveu o início da Guerra Fria, fez uma declaração para a BBC em 1958 na qual previa que é preciso estar alerta, acordar e questionar o controle sobre a população e a gestão do poder.

Escravos da mídia nas mãos de interesses privados

Na nossa sociedade moderna, a maioria de nós não consegue passar mais de trinta minutos sem verificar o celular. A verdade é que somos escravos. Como Huxley previu, fizemos com que fosse impossível ficar entediado com as informações infindáveis fornecidas pela tecnologia, televisão e mídia. No entanto, isso começou a afetar a saúde mental.

Embora a distração seja necessária e não ruim, e Huxley não tenha se oposto a ela, em nenhum momento ela pode se tornar mais importante do que os problemas reais que nos afetam globalmente, já que, além disso, sempre há pessoas que aproveitam essas distrações para ganhar poder a seu favor.

“Todas as democracias se baseiam no entendimento de que o poder é perigoso e de que é extremamente importante não permitir que nenhum homem ou pequeno grupo tenha muito poder ou o tenha por muito tempo.”
-Aldous Huxley-

A publicidade e o consumismo

O consumismo também pode ser usado para nos manter distraídos, direcionando a nossa atenção e esforços para atender necessidades que, na verdade, não existem. Um consumo que, para Huxley, é uma espécie de ditadura silenciosa que condiciona as pessoas a comprar coisas novas o tempo todo.

Naquela época, em meados do século XX, a televisão começava a ter um papel decisivo. Hoje não é só a televisão: o consumo e a publicidade nos invadem. Basta abrir qualquer rede social: Instagram, Twitter, Facebook, Youtube… qualquer meio de comunicação para concretizar a sua intenção: influenciar o consumidor com qualquer produto ou serviço, para que ele se distraia o máximo possível.

Estabelecimento de uma ditadura baseada na vigilância

Para Huxley, a ditadura era baseada no uso estrito da força por meio da vigilância, punição e um estado de guerra permanente. Embora Huxley tenha previsto esse uso da força por meio do castigo, algo que também se vê em nossos dias é que, hoje, somos vigiados. Em uma entrevista da jornalista Marta Peirano, especialista em segurança na internet, ela explicou que o 5G é uma armadilha para nos espionar.

Nesta entrevista realizada pelo El Confidencial, ela afirmou: “A internet é dominada por um modelo econômico baseado na extração de dados para a manipulação de pessoas a fim de lhes vender objetos, serviços, experiências, candidatos políticos… E está nas mãos de cada vez menos empresas que lutam entre si até a morte para dominar esse mercado. Os governos são clientes dessas empresas e usam as suas infraestruturas para controlar a população, divulgar fake news ou perseguir dissidentes”.

Segundo Aldous Huxley, a revolução farmacológica nos fará amar a escravidão e esquecer a liberdade

As drogas eram uma forma de manter as pessoas “felizes” e sob controle. E agora? Muitos acreditam que isso é possível por meio das vacinas…

Entre os milhares de exemplos, podemos falar sobre Take the Red Pill, um podcast no qual especialistas do cérebro falam sobre novas técnicas de controle da mente. Aqui foram consideradas as hipóteses de que a Fundação Bill e Melinda Gates supostamente já desenvolveu vacinas com as quais introduziria no corpo microchips que, por meio do 5G, poderiam controlar a mente.

No entanto, a verdade é que não há evidências sólidas a esse respeito.

Políticos assessorados por profissionais

Todos os políticos que ocupam cargos importantes contam com assessores que buscam que a população veja em seus assessorados os valores que aprecia, independentemente do conteúdo do discurso ou das medidas efetivas que sejam postas em prática pelo governo que lideram. O que é importante é a aparência, não a realidade.

Assim, o marketing na política também é a chave para influenciar as decisões das pessoas na escolha de um ou outro candidato.

Aldous Huxley é uma fonte maravilhosa para refletir sobre a liberdade. Ele foi uma pessoa com o olhar fixo no horizonte distante onde hoje habitamos. Em seu pensamento estava um mundo futuro no qual as pessoas seriam controladas por meio da tecnologia de uma forma simples e eficaz. Nós mesmos acabamos fortalecendo um sistema que, no fundo, nos torna prisioneiros.

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