O Alzheimer e o uso de aplicativos móveis

04 Fevereiro, 2021
Existem muitos tipos de terapias não medicamentosas, mas será que os aplicativos móveis podem fazer parte desse grupo?

Os aplicativos móveis se tornaram um elemento cotidiano que usamos (ou tentamos usar) para melhorar a nossa qualidade de vida. Como o uso desses aplicativos apresenta essa qualidade potencial, eles também poderiam ser utilizados para realizar intervenções em demências, especificamente no caso do Alzheimer.

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa caracterizada pela presença de comprometimento cognitivo e comportamental de início insidioso e curso progressivo. O seu início geralmente ocorre na idade adulta, principalmente na velhice (Valls-Pedret, Molinuevo e Rami, 2010).

A progressão da doença tem seu correlato na perda de autonomia e independência das pessoas que dela sofrem. Isso, consequentemente, costuma provocar uma diminuição na qualidade de vida, tanto para o paciente quanto para a família.

Como não existe um tratamento 100% eficaz para esse tipo de demência, o mais adequado é iniciar um tratamento combinado de terapia farmacológica e terapia não farmacológica. As TICs estão enquadradas na terapia não farmacológica.

Podemos definir as TICs como recursos, ferramentas e programas que são utilizados para processar, gerir e partilhar informação através de vários suportes tecnológicos (computadores, celulares, tablets…) (Rodríguez, S., 2016).

Este conjunto de recursos, em que destacamos os aplicativos móveis, é um excelente complemento para os profissionais que trabalham com pessoas com doença de Alzheimer, pois apoiam e ajudam no desenvolvimento, acompanhamento e cumprimento dos objetivos traçados nos tratamentos.

“A importância do diagnóstico precoce é fundamental, pois permite definir a causa do distúrbio, realizar exames e tomar medidas farmacológicas e terapêuticas”.
– Archibaldo Donoso –

O alzheimer e os aplicativos móveis

Definição e tipos de aplicativos móveis

Um aplicativo móvel é um programa ou software que pode ser baixado e acessado diretamente do seu smartphone ou de algum outro dispositivo móvel (Gosalvez, D. e Rodero, D., 2012). Segundo Delia, Galdamez, Thomas e Pesado (2013), existem três tipos:

Aplicativos web

Projetados para ser executados no navegador do dispositivo móvel. Esses aplicativos são desenvolvidos com a mesma tecnologia usada para criar sites.

O melhor é que cumprem com certas propriedades, por exemplo, que o usuário possa utilizá-los com diferentes clientes ou navegadores.

Aplicativos nativos

Eles são projetados para ser executados em uma plataforma específica. Ou seja, devem ser considerados o tipo de dispositivo, o sistema operacional a ser utilizado e a sua versão.

Aplicativos híbridos

Esse tipo é uma combinação do melhor dos dois tipos de aplicativos anteriores. Portanto, seriam a opção ideal, pois se adaptam a qualquer dispositivo móvel.

Em que áreas podemos usar os aplicativos móveis?

Segundo Monteagudo (2012), podemos usá-los em diferentes áreas:

  • Investigação.
  • Diagnóstico.
  • Tratamento.
  • Prevenção.
  • Assistência social e de saúde.
  • Melhoria da qualidade de vida de pacientes e cuidadores.
Médico usando celular

Utilidade do uso de aplicativos no mal de Alzheimer

  • Telediagnóstico: identificação de anomalias, sintomas… Ampliando a cobertura possível das necessidades 24 horas por dia, 365 dias por ano. O uso de aplicativos móveis para o diagnóstico remoto também pode ser um grande aliado para a detecção precoce da doença de Alzheimer.
  • Telemonitoramento: através do monitoramento remoto do usuário. Isso melhora a assistência à saúde prestada pelos profissionais que realizam a execução dos tratamentos. O telemonitoramento seria complementado com o diagnóstico remoto.
  • Ajuda para o cuidador: através dos diversos aplicativos móveis existentes hoje, o cuidador principal, que é quem assume mais responsabilidades, pode obter informações do seu interesse, localizar o paciente ou mesmo encontrar um grupo de iguais para se apoiar (grupos de apoio).
  • Acompanhamento das atividades básicas e instrumentais da vida diária. Permitem conhecer a evolução do paciente e fazer a avaliação dos resultados obtidos nas funções cognitivas examinadas.
  • Gestão da evolução dos pacientes nas diferentes tarefas propostas.
  • Independência e autonomia para os usuários. Existem diversos aplicativos no mercado que permitem conhecer a localização dos pacientes, que podem orientar o usuário ou mesmo auxiliar no reconhecimento de pessoas no ambiente mais próximo.

Em suma, o uso de aplicativos móveis na área social e de saúde, mais especificamente na doença de Alzheimer, pode ter efeitos benéficos para os pacientes e seus familiares. Além disso, pode facilitar o início do processo terapêutico.

  • Aplicaciones para personas con demencia. Apps para cuidadores. Apps para profesionales. Recuperado el 6 de Marzo de 2019 de http://www.crealzheimer.es/crealzheimer_01/recursos/apps/apps_enfermos/index.htm
  • Delia, L., Galdámez, N., Thomas, P., Pesado, P. (2013). Un análisis experimental de tipo de aplicaciones para dispositivos móviles. XVIII Congreso Argentino de Ciencias de la Computación.
  • Gosálvez, D. y Rodero, D. (2012). Dispositivos móviles y apps sociosanitarias. Recuperado de http://www.easp.es/ideo/wp-content/uploads/2012/05/Disp_mov_apps_sociosan.pdf.
  • Monteagudo, J L. (2012). Capacidades y oportunidades de innovación en tic para Alzheimer. Instituto de Salud Carlos III – Ministerio de Economía y Competitividad. Madrid: Unidad de Investigación en Telemedicina.
  • Valls-Predet, C., Molinuevo, J L. y Rami, L. (2010). Diagnóstico precoz de la enfermedad de Alzheimer: fase prodrómica y preclínica. Revista Neurol 51, 471-80.