Terapia não farmacológica para a doença de Alzheimer

maio 5, 2019
Você já ouviu falar do uso da terapia não farmacológica para demências? A seguir explicamos quais são as possibilidades, ressaltando os casos nos quais elas são mais eficazes.

Antes de definir o que é a doença de Alzheimer e a terapia não farmacológica, devemos entender o que é uma demência. A demência é definida como um comprometimento progressivo das faculdades mentais que causa graves transtornos cognitivos e de comportamento.

A partir dessa definição, poderíamos dizer que a demência é uma síndrome clínica que se dá por diferentes causas e implica um comprometimento da memória, da comunicação, da atenção… de alguma capacidade mental. Em geral é de caráter crônico, já que leva a uma perda gradual de autonomia e qualidade de vida.

A partir da definição anterior, definimos a doença de Alzheimer como uma doença neurodegenerativa que se caracteriza pela presença de comprometimento cognitivo e comportamental. Essa condição costuma ter um início insidioso e um curso progressivo, e aparece a partir da idade adulta, principalmente na velhice (Valls-Pedret, Molinuevo e Rami, 2010).

Ainda que atualmente não exista um tratamento eficaz que reverta ou detenha de maneira definitiva o curso dessa doença, já foram desenvolvidas diversas intervenções de diferentes tipos que ajudam a frear o avanço da demência.

Entre esses tratamentos podemos encontrar as terapias não farmacológicas, caracterizadas por se tratarem de intervenções nas quais não se usam remédios, mas que ainda assim podem melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Idoso olhando pela janela com neve

Benefícios da terapia não farmacológica

A terapia não farmacológica tem uma grande quantidade de benefícios para os pacientes, entre os quais podemos destacar:

  • Manutenção e/ou estimulação das capacidades ainda preservadas.
  • Promoção da autonomia e independência do paciente.
  • Melhora das relações sociais.
  • Melhora do autoconceito e da autoimagem e, portanto, da autoestima.
  • Aumento da qualidade de vida do próprio usuário e de seu contexto mais próximo.
  • Empoderamento do usuário.

“É necessário adaptar a terapia ao paciente, e não o paciente à terapia”.
-Louis Théophile Joseph Landouzy-

Exemplos de terapias não farmacológicas

Atividades da vida diária

Dentro dessa modalidade, que é realizada a nível funcional, o profissional avalia o desempenho da pessoa com demência. Essa avaliação é realizada tanto no que diz respeito às atividades básicas, quanto a atividades instrumentais e outras mais avançadas.

A avaliação varia segunda o nível de dependência e a necessidade de apoio que o paciente requer. O objetivo final dessa terapia é atrasar ou diminuir o comprometimento e o desempenho do paciente quanto às atividades da vida diária.

Musicoterapia

Segundo a Federação Mundial de Musicoterapia (WFMT, 2011), a musicoterapia é o uso profissional da música e seus elementos como uma intervenção em ambientes médicos, educativos e cotidianos com indivíduos, grupos, famílias, comunidades, buscando otimizar sua qualidade de vida e melhorar sua saúde física, social, comunicativa, emocional, intelectual e seu bem-estar.

A musicoterapia pode ser realizada junto a outras terapias não farmacológicas, como o que se conhece por dançaterapia ou a fisioterapia, focando nas diferentes disciplinas em sessões conjuntas. Temos que ter em mente a capacidade de cada usuário, sempre buscando o maior grau de bem-estar para ele.

Risoterapia

As técnicas de risoterapia se baseiam, principalmente, na teoria da descarga emocional e na teoria da incongruência do riso. Ela procura encontrar o riso espontâneo e genuíno, ainda que para isso comecemos com uma risada simulada ou ensaiada.

Através dessa terapia não farmacológica podemos praticar a expressão corporal, o jogo, a dança, a respiração… Tudo isso ajuda a descarregar tensões que podem ser geradas pela doença.

Sala snoezelen

É um tipo de terapia de estimulação sensorial desenvolvida por Anne Jean Ayres. Tem como objetivo o relaxamento através dos sentidos e da interação das pessoas com o ambiente.

A sala snoezelen é um ambiente que, por meio dos estímulos, produz nos indivíduos uma grande sensação de bem-estar.

Terapia das reminiscências

É uma das terapias não farmacológicas que estão no auge. Trabalha-se por meio da memória episódica e autobiográfica do usuário.

Recomenda-se o uso de fotografias, músicas, notícias… Isso permite chegar a momentos muito específicos da vida da pessoa, que acaba revivendo aspectos emocionais da memória (sensações, cheiros, acontecimentos importantes, etc).

Idoso vendo álbum de fotos

Terapia de orientação para a realidade

O objetivo final dessa terapia é que a pessoa tome consciência da sua realidade e se oriente em três esferas:

  • Tempo
  • Espaço
  • Pessoa

Isso permitirá ao usuário um maior entendimento sobre o que está acontecendo, sendo uma ferramenta muito útil na hora de manter a percepção de controle da vida.

Intervenção assistida com cachorros

Esse tipo de atividade tem grandes benefícios emocionais, sociais, funcionais e cognitivos. Melhora o humor, a saúde física e psicológica, a psicomotricidade, etc.

Ergoterapia

A ergoterapia busca a reabilitação das habilidades cognitivas, físicas e sociais dos indivíduos. É realizada mediante a ocupação do tempo com diferentes atividades direcionadas para a produção física, tais como atividades manuais.

Estimulação, treino ou reabilitação cognitiva

Ainda que parecidas, têm um objetivo diferente.

  • Entendemos como reabilitação cognitiva aquelas atividades destinadas a restaurar as funções cognitivas danificadas. Esse dano pode se dar por diferentes causas: traumatismo craniano, comprometimento cognitivo leve, depressão…
  • A estimulação cognitiva seria o processo por meio do qual se realizam atividades com o fim de atrasar a deterioração cognitiva. Um exemplo de indicação seria quando uma pessoa observa, por exemplo, que começa a ter perda de memória.
  • Treino cognitivo seria um conjunto de atividades que tem como objetivo otimizar ou manter o rendimento cognitivo. É um bom método para prevenir um futuro comprometimento cognitivo e melhorar a reserva cognitiva.
Terapia não farmacológica para a doença de Alzheimer

Temos que ter em mente que as terapias não farmacológicas devem ser implementadas por profissionais qualificados. Previamente à sua aplicação, deve-se fazer uma avaliação de cada caso para poder executá-las.

Além disso, também é interessante assinalar que ainda não existe um tratamento que acabe com a doença, mas o que podemos conseguir com uma terapia não farmacológica que possuímos hoje, ainda assim, não é pouca coisa. Cada dia a mais com qualidade de vida é um presente que não podemos recusar.

  • Tipos de Terapia no farmacológica. Recuperado el 21 de de Febrero 2019 de http://www.crealzheimer.es/
  • Valls-Predet, C., Molinuevo, J L. y Rami, L. (2010). Diagnóstico precoz de la enfermedad de Alzheimer: fase prodrómica y preclínica. Revista Neurol 51, 471-80.
  • World Federarion of Music Therapy. Recuerado el 21 de Febrero de 2019 de https://www.wfmt.info/wfmt-new-home/about-wfmt/