O amor da família: compreensão, aceitação e proteção

14 Agosto, 2020
A família perfeita existe sim: é aquela que protege, cuida, entende e aceita os seus como eles são. Crescer com esses nutrientes fortalece a nossa identidade e também nos faz sentir seguros e capazes de criar a vida que desejamos em liberdade.
 

O amor na família é o nutriente que sustenta tudo. Crescer, ser educado e fazer parte desse primeiro cenário favorável, rico em afetos, valores e segurança, sem dúvida constitui um impulso excepcional para a saúde psicológica de toda pessoa. Uma parte de quem somos agora se deve, em muitos casos, a essas primeiras experiências e laços criados com os nossos pais.

Salvador Minuchin, psiquiatra argentino e criador da terapia familiar estrutural, disse que, em qualquer cultura, é a família que transmite aos seus membros uma identidade própria. Ela faz isso de duas maneiras opostas: nos dá um sentimento de pertencimento e, por outro lado, o desejo de nos separar dela. Embora pareça contraditório, isso tem uma explicação e um ensinamento valiosos.

Todos nós fazemos parte de um legado familiar, de um pequeno núcleo social onde estão as nossas raízes. Independentemente de amarmos a família muito ou pouco, o objetivo de cada filho é se afastar dos pais em algum momento. Criar a sua própria vida e construir a sua própria realidade com outras pessoas é o esperado, o necessário e o que, em última análise, define o nosso desenvolvimento humano.

O afeto é, em todos os casos, a espinha dorsal dos bons relacionamentos. No entanto, não basta apenas amar; é preciso amar bem para que essa família seja saudável e funcional. 

Família unida conversando
 

Amor da família e os componentes que o integram

Todo dia 15 de maio é comemorado o dia da família. Como as Nações Unidas explicam, ainda temos várias frentes para cobrir nos próximos anos; acima de tudo, vendo a lacuna da crise social e econômica que pode se abrir em breve. Portanto, precisamos melhorar a política de proteção para as famílias, atender o aspecto da reconciliação e responder a todas as necessidades em um mundo cada vez mais complexo e em mudança.

O papel que as famílias desempenham em nossa sociedade na atenção, educação e cuidado das crianças é inegável. Afinal, elas são a base do desenvolvimento humano e também o pilar que favorece a transformação social. Portanto, não é apenas um núcleo primário a ser atendido em termos de saúde e recursos financeiros. Um pilar que não podemos negligenciar é, sem dúvida, o psicológico.

Diferentes tipos de família e os mesmos direitos

O amor da família sempre deve estar presente, não importa como ela seja formada. Há pais e mães solo que também escolhem viver a aventura da maternidade na solidão. Há famílias extensas vivendo sob o mesmo teto: filhos, pais e avós enfrentando juntos as dificuldades, desfrutando juntos da educação dos pequenos.

Em nossa sociedade, também existem famílias homoparentais, demonstrando que a diversidade também faz parte da nossa realidade cotidiana e que, como tal, merece o nosso respeito e normalidade. A formação desses núcleos sociais favorece a transmissão de valores, de afetos, o bom desenvolvimento físico, emocional e psicológico dos mais jovens, bem como a atenção aos componentes que compõem todo sistema familiar saudável e funcional. São os seguintes:

 
  • Boa comunicação.
  • Estabelecer limites claros para promover a aprendizagem precoce de regras e direitos.
  • A criação de um ambiente onde a pessoa possa expressar emoções e aprender a gerenciá-las.
  • Expressão adequada de afeto, principalmente evitando a projeção de traumas de pais para filhos.
  • Educação para resolução de conflitos, assertividade, boas relações sociais…
Pai carregando sua filha

Amor na família, o amor que nutre e não limita

O amor da família deve ser saudável e atuar, por sua vez, como um apoio no qual cada membro encontra segurança para continuar crescendo, para tomar as suas próprias decisões sabendo que são respeitados.

Assim, como bem sabemos, há amores que limitam, que impedem o bom desenvolvimento psicológico e emocional de qualquer criança. Falamos, por exemplo, da superproteção, do afeto excessivo que não deixa ser, que domina e limita.

É importante que todo núcleo familiar entenda que além do aspecto econômico, de recursos melhores ou piores, há indubitavelmente o aspecto emocional. Não importa qual escola a criança frequenta, quantos brinquedos ou roupas ela possui, se os seguintes aspectos não forem atendidos:

 
  • A compreensão: nada é tão relevante quanto entender o ponto de vista de qualquer membro da família. Ser capaz de se colocar no lugar do outro é essencial para construir laços emocionais saudáveis ​​e fortes.
  • A aceitação: esta segunda dimensão é outro nutriente básico. Saber que somos amados, independentemente da decisão que tomamos, é algo de que sempre necessitamos.
  • Proteção e cuidados: há algo que todos nós sabemos: amar é cuidar. Poucas coisas são tão reconfortantes quanto se sentir protegido e cuidado pelas pessoas que amamos e, por sua vez, sermos capazes de oferecer o mesmo para aqueles que cuidam de nós.

Para concluir, nada é tão importante quanto o amor da família, esse amor que protege e, ao mesmo tempo, sabe deixar ir. Entender onde estão nossas raízes, mas ser livre para criar a vida que queremos, é um tendão psíquico da felicidade.