O amor é uma necessidade? Você ama ou precisa?

dezembro 21, 2019
Muitas vezes, é difícil definir o amor pela quantidade de significados que lhe foram atribuídos em todo tipo de assunto. Portanto, seria mais aconselhável começar por distinguir o que o amor NÃO é.

Em determinados momentos de nossas vidas, podemos nos perguntar se realmente sabemos como distinguir o amor de uma necessidade. Amamos ou precisamos? Sabemos realmente o que é o amor? Por que ele é diferente de uma necessidade?

Falar do “amor”, em qualquer uma de suas expressões, é algo muito complicado devido ao uso excessivo dado a essa palavra em questões que, na realidade, são muito diferentes.

Sendo mais do que uma palavra, talvez seja necessário enfatizar o que o amor não é, em vez de procurar uma definição possível.

O amor NÃO é…

  • A palavra “amor” (se você o define, então não é).
  • Posse (você possui bens materiais; o amor não pode ser guardado).
  • Pensamento (não pense “eu amo”. Ao invés disso, pratique e sinta o ato de “amar”).
  • Interesse (onde há razão, não há amor. O amor não é moeda de troca, apenas existe).
  • Necessidade (não existe para cobrir os vazios do ego).
  • Temporário (não está em você, você está sempre nele no “agora”).
O amor é uma necessidade?

E a relação amorosa NÃO consiste em…

  • “Ser um casal”, e sim em ser livres.
  • Fazer promessas, e sim em permitir que ambos assumam o leme.
  • Firmar algo, e sim em afirmar liberdades.

Além disso:

  • Não requer demonstrações, mas comunicação.
  • Não envolve as máscaras e a imagem que um tem do outro.
  • Vai além do ato de “apaixonar-se”, que é apenas uma neuroquímica que acaba.

Quanto ao amor de “casal” em suas múltiplas manifestações, a paixão é mais confusa, pois este estado transitório envolve uma alteração dos neurotransmissores (aumento da dopamina e da noradrenalina e diminuição da serotonina) com um efeito bem semelhante ao vício em drogas.

Por isso, é recomendável deixar esse estado de amor passar para tomar decisões.

Segundo o psicólogo John Bradshaw, os relacionamentos duradouros devem superar a paixão ou estado de transição para chegar ao “companheirismo”.

Existe um estudo bem popular sobre como mudamos as recordações sobre esse tópico. Holmberg e Holmes (1994) entrevistaram 400 casais que afirmaram que estavam apaixonados e felizes com o relacionamento.

Dois anos depois, eles foram entrevistados novamente e os casais que haviam se separado ou se encontravam em uma situação pior disseram que o relacionamento havia dado errado desde o início. Isso nos permite ver como somos capazes de construir recordações que justificam nossas decisões.

Agora, vejamos o que é um relacionamento amoroso.

A relação amorosa

  • Envolve expressar-se em todos os sentidos.
  • Implica liberdade total (caso contrário, não é um relacionamento).
  • É jogar sem regras, porque não há regras quando há amor.
  • É imaginação, surpresa e apoio incondicional.
  • Envolve respeito por si mesmo para respeitar ao outro.
  • É dirigir em uma estrada esburacada e verificar as rodas entre os dois.
  • Uma relação amorosa não é compromisso, mas libertação.

Com o passar dos anos, vão se ocultando as liberdades e aumentando os julgamentos, o orgulho e o ego. A tudo isso, acrescentamos o problema da tecnologia com o consequente aumento do aspecto superficial sobre o humano.

Vão aumentando as operações cosméticas como presente, a obsessão em obter reconhecimento e a decadência. Além disso, também aumenta o exibicionismo físico nas redes sociais, a tal ponto que já existem tratamentos e terapias para este grande problema.

A institucionalização como obstáculo ao amor

Institucionalização

Não se pode confinar o amor em templos, seitas, religiões, modas, ritos ou filosofias. Você acha que pode rotular, classificar ou se apropriar da liberdade? Por isso, o amor não tem santuários, porque é encontrado quando não é procurado e aparece quando você remove obstáculos.

Não havia luz quando a sala estava com as cortinas fechadas? Você só tem que abri-las. A liberdade não é algo que se busca; ela aparece para que você se dê conta do seu confinamento.

Resultados

Um passarinho não canta para ser aplaudido, e essa naturalidade atribui beleza às suas melodias. Às vezes, o amor é considerado um resultado, algo muito trabalhoso. Consiste em superar mais do que ganhar. Por isso, envolve obstáculos.

Isso também acontece com os hobbies e as atitudes. Não somos educados para amar o que fazemos, mas para amar o resultado e buscar reconhecimento. Isso nos afasta da beleza da paixão natural que surge de um comportamento sem objetivos, de uma reação à harmonia com o nosso entorno.

Condicionamento

É preciso romper e questionar qualquer condição que limita e oculta essa capacidade de amar que temos por dentro. O que você faz é pelo que se espera de você ou pelo que você deseja?

Há pessoas tão presas na identificação que acabam amando mais um símbolo do que uma pessoa, uma bandeira ou uma ideologia como prioridade para se dividir e se sentir especial. São carências e vazios por medo do amor, porque o amor varre tudo que você achou seguro.

Apego

Confundir o amor com a necessidade é algo muito frequente. Muitos adolescentes iniciam um relacionamento porque seus amigos já têm um parceiro. Pensam que é melhor ter um parceiro antes de aprender a administrar a solidão, o medo, a evitação, a proteção… Isso nos dá um exemplo de como o apego pode nos tornar mentalmente dependentes de outra pessoa.

Como o amor é liberdade, o apego é um obstáculo ao amor. Você precisa saber como trabalhar esta questão. Compartilhar liberdades nos fortalece, ser dependente nos afasta do amor.

Casal dançando na rua

O ego e a necessidade de amor

De forma resumida, o amor surge quando o ego desaparece com a sua necessidade de atenção.

Existem muitos trens que passam pela sua vida; todos te lembram disso e todos se agarram a eles para provar seu ponto. “Pegue o trem! É a sua chance!,” dizem. E ninguém, ninguém, ninguém… se lembra de que, às vezes, você deve primeiro descer daquele trem em que está.

  • Willi J. (2002) La pareja humana, relación y conflicto. Ediciones Morata.
  • Riso, W. (2008) Amar o depender. Barcelona. Editorial Planeta.
  • Fromm, E (1997) El arte de amar. Barcelona. Editorial Paidos Ibérica.