Apoio psicológico na epilepsia

26 Fevereiro, 2020
As intervenções psicológicas na epilepsia ajudam a reduzir as convulsões e a melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
 

As epilepsias são doenças do sistema nervoso central que se manifestam por meio de crises decorrentes de uma disfunção temporária dos neurônios. O equilíbrio entre os neurônios excitatórios e inibitórios se altera e muitas células nervosas sofrem uma descarga simultânea forte demais. Neste artigo, vamos falar especificamente sobre o apoio psicológico na epilepsia.

Existem diferentes tipos de crises, pois o cérebro pode estar envolvido em sua totalidade ou apenas em algumas partes. A crise pode ter sua origem em uma parte do cérebro para, em seguida, se espalhar para o restante.

Não falamos em epilepsia quando se trata de uma única crise em circunstâncias especiais (por exemplo, por intoxicação, falta de oxigênio, convulsões febris). A epilepsia só é mencionada quando as crises se repetem.

Mais da metade das epilepsias aparecem durante a infância, e mais de dois terços dos epilépticos têm sua primeira crise antes dos 20 anos.

Ondas cerebrais
 

Causas da epilepsia e formas das crises

A epilepsia costuma surgir por uma predisposição inata ou um dano cerebral adquirido. As lesões cerebrais ocorrem com maior frequência durante o período pré-natal, no parto, ou na primeira infância. Também podem ser causadas por infecções, feridas, tumores cerebrais, hemorragias, intoxicações, vascularização deficiente, etc.

Cabe destacar que a maioria dos epilépticos não tem uma doença cerebral evolutiva, e sim crises repetidas que são mais ou menos controladas por medicamentos.

Como as diferentes crises epilépticas se manifestam?

A expressão clínica das convulsões depende do tipo de epilepsia e pode variar para se manifestar das seguintes formas:

  • O paciente interrompe bruscamente a sua atividade, permanece preso durante alguns segundos, com um olhar fixo ou perdido; logo, retoma a atividade interrompida.
  • Mostra contrações musculares descontroladas por alguns momentos.
  • De repente, cai em um estado de confusão e seus movimentos se tornam descontrolados.
 
  • Cai, perde o conhecimento, fica rígido e tem convulsões na cabeça e nos membros.

Outras formas de expressão de crises seriam movimentos estereotipados, tapping, piscar, salivação, vômitos, falta de ar, perda de urina ou fezes, etc. Em algumas pessoas epilépticas, a crise é anunciada por sinais de advertência (aura).

Em geral, as convulsões epilépticas não duram muito e costumam terminar sozinhas, exceto nos casos de estado de mal epiléptico. Algumas funções fisiológicas também ficam fora de controle durante as convulsões.

Tratamento da epilepsia

A maioria das epilepsias são sensíveis ao tratamento farmacológico. Com frequência, basta um único medicamento (monoterapia) para o seu tratamento, embora em alguns casos sejam necessários dois ou mais (politerapia).

Em geral, é recomendável fazer uso de medicamentos antiepilépticos durante vários anos. Em caso de resistência aos medicamentos, ou seja, quando as convulsões graves ou frequentes persistem, a intervenção cirúrgica pode ser uma opção.

 

Apoio psicológico na epilepsia

O diagnóstico obriga o paciente e a sua família a enfrentar uma nova situação. As pessoas que descobrem uma epilepsia e recebem apoio geralmente enfrentam melhor os seus ataques e emoções e estão melhor equipadas para defender seus próprios interesses.

Aprender sobre a epilepsia é um primeiro passo importante. Unir-se a uma associação, falar com um especialista ou fazer parte de um grupo de apoio são maneiras excelentes de obter informação e compreensão.

Algumas pessoas recorrem a um profissional da saúde ou psicólogo para obter apoio psicológico. Nesse sentido, é importante construir uma rede de apoio em torno da pessoa com epilepsia: pessoas que possam oferecer um apoio fundamental.

Outros problemas são menos visíveis, embora igualmente importantes: a aceitação da doença, gestão da ansiedade fundada e infundada, dificuldades familiares, planos para o futuro, etc.

Recomenda-se fazer com que o paciente se envolva na gestão da sua epilepsia. Assumir o controle, gerenciar suas atitudes, observar as circunstâncias que rodeiam uma crise, eliminar estas circunstâncias ou modificá-las por meio de medidas preventivas. Finalmente, se for possível, encontrar e aplicar um método de intervenção que ajude a controlar as convulsões.

 

Colaboração entre profissionais desde a infância do paciente

Para proporcionar uma atenção e um apoio psicológico adequados a crianças com epilepsia, é importante compreender os fatores neurológicos e emocionais que causam os seus sintomas. Falamos de um trabalho muito difícil, pois sempre há uma interação estreita destes fatores.

Este é um questionamento permanente elaborado durante as discussões informais entre os diversos interessados e durante as reuniões de sínteses ao longo do acompanhamento das crianças.

O neuropediatra, em colaboração com o neuropsicólogo, elabora uma avaliação neuropsicológica das habilidades e dificuldades de cada criança, compara a tabela de transtornos cognitivos – geralmente descritos no tipo de epilepsia apresentada pela criança – com os transtornos cognitivos realmente observados.

Isso oferece uma ideia inicial de quais transtornos provavelmente são decorrentes da doença neurológica.

Comunicação dos profissionais com o paciente e o seu entorno

 

As entrevistas com crianças e adolescentes por parte dos psicólogos são utilizadas para transmitir as experiências de epilepsia e suas consequências, muitas vezes experimentadas como humilhantes e entristecedoras. Trata-se de ver a realidade das coisas, as perspectivas de futuro e os objetivos pessoais de acordo com as capacidades individuais.

Cada cuidador e profissional terá que ensinar a criança a avaliar suas possibilidades e os riscos que precipitam o início da crise. Os pais de crianças com epilepsia geralmente estão familiarizados com os ajustes e podem dizer, tanto a elas quanto aos seus encarregados, como agir quando o paciente tem uma convulsão epiléptica.

Saber se regular emocionalmente entre as crises de epilepsia

Muitas pessoas com epilepsia notam que as suas emoções e sentimentos afetam a frequência dos seus ataques. Como resultado, aprender a gerenciar melhor as emoções pode reduzir a quantidade de ataques.

É possível mudar as atitudes; por exemplo, não enxergar a si mesmo como um “epiléptico”, ou se concentrar nas coisas que pode fazer em vez das coisas que não pode fazer.

 

A prevenção das crises pode ser facilitada por meio da gestão do estresse através de técnicas de relaxamento, como a ioga ou o hábito de escrever em um diário.

Outras medidas importantes podem ajudar a prevenir as convulsões: dormir o suficiente, fazer atividade física regularmente para evitar a hiperventilação, fazer refeições equilibradas e nutritivas regularmente, evitar a cafeína, os adoçantes, álcool, drogas, e tomar os medicamentos sempre no horário prescrito.

Mulher meditando

O que fazer diante de uma crise de epilepsia?

De uma hora para a outra, a pessoa que está em crise se torna estranha, inacessível e incompreensível. É comum que este fenômeno se combine com a sensação de impotência do observador. Esta também é uma razão pela qual estar bem informado é uma das condições necessárias para reduzir a ansiedade e oferecer o apoio físico e psicológico correto diante de uma crise de epilepsia.

 

Durante uma crise tônico-clônica generalizada:

  • Mantenha a calma.
  • Transporte a pessoa para fora de qualquer área perigosa para evitar que ela se machuque.
  • Coloque um travesseiro ou roupa sob a sua cabeça.
  • Retire seus óculos.
  • Facilite a sua respiração afrouxando suas roupas, especialmente ao redor do pescoço.
  • Olhe o relógio para saber a duração da crise.

No final das convulsões:

  • Coloque a pessoa em uma posição de segurança lateral (preferencialmente à esquerda).
  • Libere as suas vias respiratórias para a saída de saliva ou vômito.
  • Fique com a pessoa afetada enquanto a confusão ainda persistir.
  • Se for necessário, dê a ela a oportunidade de descansar.

É essencial que, exceto em casos particularmente benignos, o paciente epiléptico seja objeto de um projeto de recepção individualizada na escola e/ou outro ambiente que frequente diariamente.