As relações sociais protegem o nosso cérebro

As relações sociais, e principalmente o nosso círculo de apoio, são um fator de proteção extremamente valioso contra certas ameaças à nossa saúde.
As relações sociais protegem o nosso cérebro

Última atualização: 20 Abril, 2021

Os seres humanos são animais sociais. Todos os avanços que fizemos foram graças às relações sociais: cultura, civilizações, geração de conhecimento… Mas além disso, as relações são uma necessidade básica em um nível muito menor.

Nossa personalidade se constrói nas relações sociais e elas são um meio para a satisfação de objetivos pessoais. Elas são uma fonte de nutrição das nossas necessidades básicas. Precisamos de contato físico, intimidade e pertencimento ao grupo. Isso nos dá uma segurança enorme e nos tranquiliza.

O suporte social é um dos maiores fatores de proteção que existem para todos os tipos de alterações. Por outro lado, a falta de relacionamentos e o isolamento social estão intimamente relacionados a distúrbios e ao sofrimento psicológico. Assim, as relações sociais são essenciais para o nosso desenvolvimento e benéficas para o nosso cérebro. Tão benéficas que podem atrasar ou minimizar o início do declínio cognitivo. Como? Descubra a seguir.

Amigas rindo e se divertindo

Reserva cognitiva

Nosso cérebro é plástico. Ele tem a capacidade de se modificar para funcionar melhor e se adaptar a novas circunstâncias, como o dano cerebral. Intimamente relacionado à neuroplasticidade, encontramos o conceito de reserva cognitiva.

A reserva cognitiva é a capacidade do cérebro de tolerar ou retardar o aparecimento de sintomas patológicos decorrentes da idade ou de alguma doença, como o Alzheimer. Ou seja, com uma maior reserva cognitiva, esses sintomas aparecerão mais tarde ou de forma mais gradual.

Hábitos como se dedicar a atividades ou ocupações estimulantes, dominar duas ou mais línguas, adquirir novos conhecimentos, praticar esportes e aproveitar o tempo livre ajudam a manter nosso cérebro ativo. Todas essas atividades mostraram melhorar a nossa capacidade de reserva cognitiva.

As relações sociais

Ter interações sociais e manter uma rede ativa de amigos tem sido associado a vários fatores de saúde. Entre as pessoas com maior atividade social, foi observada uma menor taxa de depressão, frequência de doenças, melhor função imunológica e menor risco de ataque cardíaco.

Parece que a forma como as pessoas interagem socialmente pode ser uma fonte de enriquecimento intelectual. Além disso, ter uma vida social rica também nos traz desafios cognitivos por meio das conversas com outras pessoas. Envolve, por exemplo, ter que prestar atenção ao que o interlocutor nos diz e lembrar de informações relevantes.

Além disso, interagir também nos leva a entrar em conflito com outras pessoas, melhorando nossa capacidade de resolver problemas. Da mesma forma, fazer planos, estabelecer objetivos comuns ou antecipar reações dos outros nos oferece a possibilidade de melhorar as funções executivas.

“Os bons amigos são bons para a sua saúde.”
-Irwin Sarason-

Amigos rindo juntos

Protegendo o cérebro

Por um lado, as relações sociais contribuem para aumentar a reserva cognitiva. Esse mecanismo foi comprovado por vários estudos. Bennet e seus colaboradores descobriram que o tamanho da rede social modulava a associação entre a doença de Alzheimer e o desempenho cognitivo. Ou seja, verificou-se que mesmo com Alzheimer, pessoas com mais contatos apresentavam uma deterioração menor.

Por outro lado, as relações sociais fornecem outros benefícios que podem proteger indiretamente o nosso cérebro. O estresse é uma arma letal para o nosso corpo e cérebro. Assim, as relações nos confortam, nos fornecem novos pontos de vista, nos oferecem suporte emocional e a possibilidade de fazer planos. Dessa forma, elas são uma grande fonte de recursos para lidar com o estresse. Quem não se sente melhor depois de uma tarde com os amigos?

Da mesma forma, a quantidade e a qualidade das relações sociais estão relacionadas a um menor nível de depressão. Por sua vez, a depressão também foi associada a um pior desempenho cognitivo e ao risco de demência.

Além de tudo isso, os relacionamentos também nos ajudam a manter um estilo de vida mais ativo e saudável. De acordo com um estudoquando interagimos com outras pessoas, tendemos a nos adaptar às normas sociais e a nos envolver em atividades mais saudáveis. Compreensivelmente, um estilo de vida saudável também é benéfico para o nosso cérebro e para as nossas habilidades cognitivas.

Pode interessar a você...
A reserva cognitiva protege o nosso cérebro
A mente é maravilhosa
Leia em A mente é maravilhosa
A reserva cognitiva protege o nosso cérebro

A reserva cognitiva é a capacidade que o nosso cérebro tem de lidar com os diferentes ataques que pode sofrer. Saiba o que fazer para aumentá-la.



  • Bassuk, S., Glass, T., & Berkman, L. (1999). Social disengagement and incident cognitive decline in community-dwelling elderly persons. Annals of Internal Medicine, 131(3), 220–221.
  • Eriksson, D. (2015). The influence of social relationships and leisure activity on adult cognitive functioning and risk of dementia: longitudinal population-based Studies (Tesis doctoral). Universidad de Umea, Suecia.
  • Ybarra, O., Burnstein, E., Winkielman, P., Keller, M. C., Manis, M., Chan, E., & Rodriguez, J. (2008). Mental exercising through simple socializing: social interaction promotes general cognitive functioning. Personality & Social Psychology Bulletin, 34(2), 248–259.