Às vezes, só precisamos de carinho - A Mente é Maravilhosa

Às vezes, só precisamos de carinho

26, março 2016 em Psicologia 199 Compartilhados
Casal mostrando a importância do carinho

Às vezes, tudo o que precisamos é carinho. Mais nada. Não queremos as palavras de sempre, nem essas frases que já foram expressadas tantas vezes. Queremos ser reafirmados, acolhidos e valorizados pelo contato dessa mão passando suavemente pela nossa pele…

Poucas coisas oferecem uma calma afetiva e mental tão adequada quanto o simples ato de fazer carinho. Além disso, profissionais do campo da psicologia humanista nos dizem que toda pessoa precisa ser tocada pelas pessoas que ama para se sentir “reconhecida”.

Nada é tão complacente como um carinho inesperado, como o contato de alguém que, apesar de ser tocado por mil cicatrizes, é capaz de oferecer as carícias mais suaves.
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A privação sensorial é uma realidade que pode existir não apenas na relação entre o bebê e a sua mãe, mas também pode ocorrer entre casais em algum momento. São vínculos onde não existe um contato adequado, em que a pessoa não é reconhecida pelo toque, abraço, palavras gentis…

Nesse caso não existe transmissão de afeto ou aquele amor que vai mais além das palavras. Uma criança que sofre com a privação materna tem um desenvolvimento muito mais lento, além de possíveis transtornos reativos e distúrbios emocionais no futuro. São crianças que crescem com carências graves.

A nível afetivo, entre casais também pode ocorrer que alguma das partes não disponha dessa sabedoria emocional implícita nos simples toques, nos carinhos cúmplices que constroem um relacionamento real.

Nestes casos, o outro membro do casal se sentirá vazio e terá dúvidas sobre os sentimentos e a validez desse compromisso, dessa relação. Porque o carinho é como o alimento do qual a nossa alma e cérebro emocional precisam para se sentirem parte do mundo. Parte daquilo que amam.

O carinho: uma necessidade psicológica, biológica e social

Casal abraçado sobre um sofrá com cachorro

O carinho é uma arma de poder, um gesto essencial que encerra todo um mundo de emoçõesde equilíbrio interno e bem-estar psicológico. Esta necessidade de sermos reconhecidos e, portanto, acariciados, é algo que vai nos caracterizar a vida toda.
Um carinho constrói vida, a reafirma, a edifica e tece um manto invisível que nos une a essa pessoa que se aloja no nosso coração. Nenhuma tecnologia pode substituir algo assim, nenhuma máquina tem o calor de um abraço, nem a ternura de uma carícia.
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Geralmente dizem também que o modo como uma pessoa recebeu carinho ao longo de sua infância determinará a forma com que ela irá esperar o afeto dos outros.

Se você nunca recebeu carinho na infância, é bem possível que não saiba como oferecê-lo, mas sua necessidade de recebê-lo será, sem dúvidas, muito intensa, apesar de não o reconhecer. É algo complexo, pois as carências da infância determinam muitos dos nossos aspectos na vida adulta.

E ainda que possam existir muitas diferenças individuais, a necessidade de contato, de proximidade e de afeto é uma coisa universal, e não só entre os seres humanos; também é possível encontrar esses traços entre os animais. Podemos até mesmo vê-los nos nossos animais de estimação.

Vejamos agora quais são as características básicas e quais implicações psicológicas existem  em relação ao carinho.

O poder das carícias incondicionais

Para que um ato de carinho tenha impacto, relevância e transcendência, ele deve ser incondicional. Eu passo a minha mão pelo seu rosto porque é o que o meu coração sente, porque o reconheço como parte de mim e faço isso sem egoísmos. Sem condições.

  • Um carinho é, antes de nada, um estímulo sensorial. Cria-se uma sensação, mas para que ele seja autêntico e incondicional, o ato de carícia deve despertar sentimentos e emoções positivas.
  • Se o carinho é sincero e incondicional, estabelecemos uma reciprocidade adequada. As duas pessoas se reconhecem como parte uma da outra e recebem essas carícias como um tipo de linguagem que as une, que as edifica.

Casal embaixo de um guarda-chuvas

No carinho que lhe ofereço também está uma parte de mim

Nós não acariciamos as pessoas apenas para proporcionar prazer, para acalmar, para atender e satisfazer. Nós fazemos isso para transmitir uma parte de nós mesmos e construir um vínculo.

  • As carícias depois de dadas são o que são; a outra pessoa deverá julgá-las como algo autêntico ou algo falso. Porque também não podemos esquecer que existem carícias que causam dano, toques piedosos ou irônicos que podem destruir o vínculo entre duas pessoas.
  • Um carinho diz muito de nós mesmos, por isso devemos oferecê-lo com calma, com ternura, transmitindo essas mensagens cúmplices que não precisam de palavras.

Carinho como parte do apego saudável

No nosso site falamos muitas vezes sobre o conceito de apego. E embora seja verdade que, muitas vezes e a partir de outras perspectivas, o apego seja definido como “dependência” ou o ato de se agarrar exageradamente a algo ou alguém, vendo do ponto de vista humanista e afetivo, as pessoas precisam de um apego saudável para criar o vínculo.

Um carinho é o gesto mediante o qual reconhecemos, envolvemos e integramos uma ou mais pessoas no nosso ser. Elas são parte do nosso coração e precisamos desse contato pele com pele para reafirmar emoções.

Um carinho é uma palavra gravada na pele que todos precisamos receber, pois não há melhor cola para corações partidos do que uma carga inteira de carícias.
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Casal abraçado feliz

Imagens cortesia de Zac Retz

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