Atração e ansiedade: se aquela pessoa te deixa nervoso, você gosta dela

Você é daqueles que tenta não ficar nervoso quando gosta de alguém? Você deve saber que aquele nervosismo, aquela sensação de frio na barriga, e até mesmo a falta de jeito, existem para alguma coisa...
Atração e ansiedade: se aquela pessoa te deixa nervoso, você gosta dela
Valeria Sabater

Escrito e verificado por a psicóloga Valeria Sabater em 15 Novembro, 2021.

Última atualização: 15 Novembro, 2021

Atração e ansiedade sempre aparecem juntas. Quando estamos diante de alguém que nos atrai, a quem desejamos ou que amamos perdidamente, nosso corpo está sempre à frente. Surge o nervosismo, a sudorese, um nó no estômago, a boca seca e aquela sensação de cansaço.

A verdade é que nada é tão complexo e fascinante ao mesmo tempo quanto a mecânica da atração. Adoraríamos controlar muitas dessas reações para melhorar um pouco mais nossas técnicas de sedução. No entanto, e aí vem o que é realmente engraçado, o nervosismo inerente entre duas pessoas que se gostam age como uma isca sexual inconsciente.

O que significa isso? Significa que os comportamentos nervosos são pistas para saber que alguém gosta de nós. Algo tão simples como corar, como aquela expansão marcante dos capilares nas bochechas, revela sentimentos de desejo e constrangimento ao mesmo tempo.

“O amor não é uma emoção; é um impulso.”
-Helen Fisher-

Casal se olhando e sentindo atração e ansiedade

Como atração e ansiedade estão relacionados?

Quando lemos sobre técnicas de sedução, é comum insistirmos na importância de cuidar dos gestos, das palavras e de cada movimento. No entanto, existe um pequeno truque que poucos nos sugerem: mostrar-nos um pouco nervosos. Isso mesmo, atração e ansiedade andam sempre juntas, e mostrar essa realidade – de forma ajustada e adequada – é um sinal para o outro.

De alguma forma, todos nós percebemos esses sinais em alguém. Ver como eles vacilam ao falar, como ficam mais inquietos, com uma risada nervosa ou mexendo no cabelo dá forma àquela comunicação não verbal reveladora. No entanto, essas manifestações são realidades que tentamos conter ou ocultar por medo de perder o controle, de nos fazer de bobos ou por receio do que o outro pode pensar.

Agora, devemos ter clareza sobre um aspecto: atração e paixão não são experiências silenciosas ou discretas: sempre são notadas. São estados vibrantes, edificantes e até caóticos. Poucas sensações nos perturbam tanto e alteram nosso universo neuroquímico com tanta intensidade.

O nervosismo é um mecanismo adaptativo na atração sexual

Susan M. Hughes, especialista em psicologia evolucionista no Albright College, conduziu um estudo em 2020 com seus colegas para se aprofundar neste tópico. O objetivo deste trabalho foi detalhar a relação entre atração e ansiedade e entender essas reações nervosas quando estamos na frente de alguém que nos atrai.

Algo que ficou em evidência é que quase sempre aparecem as mesmas reações fisiológicas:

  • Risos nervosos
  • Vermelhidão facial
  • Olhar fixo na outra pessoa
  • Aumento da pressão cardíaca
  • Problemas de comunicação (falar mais rápido, problemas para se expressar claramente…)

No estudo, eles apontam que presumimos que essas reações nervosas são desadaptativas quando, na realidade, é o contrário. A evidência desses traços ansiosos nos permite demonstrar nosso desejo e interesse romântico pela outra pessoa. O problema surge quando alguém não se importa conosco, pois esses sinais são incômodos.

O nervosismo nos processos de atração atuaria como um mecanismo informativo. Quando duas pessoas se gostam, esses gestos estranhos, esses olhares e aquele rubor facial podem desencadear reciprocidade. Estamos dando pistas do que sentimos.

Atração e ansiedade: as emoções incômodas e imperceptíveis do amor

Um dos livros mais famosos e controversos de Charles Darwin foi The Expression of the Emotions in Men and Animals (1872). Nesse trabalho, ele explicou que, quando dois amantes se encontram, seus corações disparam e seus rostos ficam rosados. Isso acontece porque o amor não é uma emoção passiva. O amor é emocionante, intenso e transformador.

No entanto, à medida que evoluímos, tentamos mascarar os efeitos da atração e da ansiedade. Ficamos obcecados em controlar os nervos, a falta de jeito, a voz que treme, o olhar que ilumina. Assim, quanto mais somos obcecados em nos controlar, mais desajeitados nos tornamos. E a chave não é essa.

O segredo para seduzir é permitir que muitas dessas pistas se revelem. Porque a ansiedade que faz parte da atração é muito contagiosa, e se a outra pessoa sentir o mesmo, será muito mais fácil deixar claro o que sentimos.

Casal sentindo atração e ansiedade

Suas emoções sempre têm uma reação fisiológica, e isso é normal

Chamamos aquela inquietação incontrolável que sentimos nas entranhas quando estamos com alguém de quem gostamos de “frio na barriga”. No entanto, não são borboletas no estômago, é a ansiedade. Apaixonar-se tira nosso sono, reduz nossa atenção e até tira nossa fome. Tudo isso também é fruto de um estado de ansiedade, porque o amor se correlaciona com esse estado psicofísico e, como bem sabemos, nos altera completamente.

Devemos lembrar que emoções e sentimentos têm múltiplos correlatos físicos. Portanto, o fato de nos sentirmos tão nervosos quando gostamos de alguém está dentro da normalidade. O interessante é que, agora, os especialistas nos dizem que essas reações não são inadequadas.

Essa inquietação que você experimenta diante daquele alguém que você deseja e tira seu sono pode permitir que você deixe claro o que sente sem palavras, para poder iniciar esse relacionamento mais cedo…

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  • Hughes, S.M., Harrison, M.A. & de Haan, K.M. Perceived Nervous Reactions during Initial Attraction and Their Potential Adaptive Value. Adaptive Human Behavior and Physiology 6, 30–56 (2020). https://doi.org/10.1007/s40750-019-00127-y
  • Mathes, E. W. (1975). The Effects of Physical Attractiveness and Anxiety on Heterosexual Attraction over a Series of Five Encounters. Journal of Marriage and Family, 37(4), 769–773. https://doi.org/10.2307/350828