A aura humana: mito ou realidade?

Aqueles que pensam que a aura humana existe também acreditam que esta é uma "energia pessoal" e que muda de cor de acordo com o humor ou a vida espiritual. Eles afirmam que a câmera Kirlian pode comprovar isso. É verdade ou mito?
A aura humana: mito ou realidade?

Última atualização: 10 Abril, 2021

A aura humana é um conceito ou entidade carregada de mistério. Na esfera popular, é definida como uma energia que envolve o corpo e que muda dependendo de vários fatores. Seria também como uma espécie de essência que se contamina ou se suja, e isso explicaria – em parte e para alguns – por que temos relacionamentos ruins com outras pessoas ou por que os problemas parecem nos “perseguir”.

As crenças populares também indicam que a aura humana pode corresponder ao que chamamos de alma ou espírito. Na verdade, existem aqueles que afirmam ver como a aura do corpo é liberada quando uma pessoa morre.

Da mesma forma, presume-se que a aura humana tenha uma cor, mas que isso seja imperceptível para “pessoas comuns". Apenas alguns videntes poderiam perceber isso. Na verdade, uma engenhoca chamada Câmera Kirlian foi inventada para, supostamente, fotografar a aura. O que há de verdade em tudo isso? É apenas um mito ou existe alguma comprovação?

“Os mitos têm mais poder do que a realidade."
-Albert Camus-

A aura humana

A aura humana

Desde os tempos do antigo Egito, uma espécie de aureola começou a ser representada na parte superior dos deuses e deusas. Isso os identificava como seres divinos ou iluminados. A tradição passou para outras culturas, e é por isso que os santos católicos também são representados dessa forma.

Algo que chama a atenção é que, em culturas distantes, como a dos astecas no México, o mesmo também foi feito. Figuras sagradas ou personagens importantes foram representados com esta luminescência em suas cabeças. Será que os artistas de cidades tão distantes tinham chegado a um acordo?

O primeiro a falar diretamente sobre a aura humana foi Paracelso, no século XVI. Ele disse que era uma esfera de fogo ou “globo de fogo" que se tornava mais visível quanto mais evoluída a pessoa era. Em 1911, o Dr. J. Kilner afirmou ter encontrado o método para ver a aura e diagnosticar doenças a partir dela.

A câmera Kirlian

Semyon Davidovich e Valentina Krisona Kirlian foram os inventores da famosa câmera Kirlian em 1939. Eles garantiram que ela era capaz de fotografar a aura humana. Este dispositivo fingiu ser a prova científica da existência da aura, tendo agora uma versão atualizada.

Fotos tiradas com a câmera Kirlian são imagens que reproduzem o famoso efeito corona ao seu redor. Isso deveria ser a aura. No entanto, esse contorno de luz é perfeitamente explicável por meio da física básica. Nada mais é do que uma reação do ar à aplicação de altas tensões.

A principal prova de que a câmera Kirlian não fotografa a aura humana, mas gera um efeito físico, é o fato de que o conhecido efeito corona não aparece quando se tira fotos no vácuo. Quero dizer, nenhuma aura ou algo parecido aparece.

Verdades e mentiras

Em 1996, a Fundação Educacional James Randi, uma entidade dedicada a provar a inexistência de fenômenos “paranormais", conduziu um experimento interessante em relação à aura humana. Ele citou uma mulher em um programa de televisão que afirmou ser capaz de ver a aura das pessoas. Ao vivo, eles realizaram o teste.

Um grupo de 10 pessoas foi retirado da plateia e solicitado a ficar atrás de uma tela opaca, que também era translúcida. A vidente foi questionada se conseguia enxergar a aura dessas pessoas, e disse que sim. Ela foi, então, questionada a respeito de quais voluntários estavam de pé e quais estavam sentados. Seu índice de acerto foi de apenas 40%.

Verdades e mentiras sobre a aura

Apesar de tudo, um grupo de geneticistas da Universidade de Stanford (Califórnia, Estados Unidos) descreveu uma espécie de “nuvem pessoal" que todos nós temos e que chamaram de “expossoma". No entanto, este campo não é constituído por “energias", mas sim por elementos químicos, micro-organismos e outros compostos. Eles formariam uma espécie de “órbita pessoal".

É possível observar o expossoma com os meios apropriados e determinar do que ele é composto. É uma espécie de “atmosfera pessoal” que acompanha cada um de nós em todos os lugares, podendo fornecer informações valiosas para identificar os riscos associados à saúde. É um fenômeno físico, químico e biológico, portanto, pouco ou nada tem a ver com o mito da aura humana.

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  • Parra, A. (2008). La” visión del aura” como experiencia alucinatoria en individuos no-clinicos. Psico-USF, 13(2), 277-286.