Biografia de Fernão de Magalhães, um viajante épico

agosto 31, 2019
Fernão de Magalhães foi um homem do mar, um aventureiro. Acreditava na existência de uma passagem entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Quando cruzou o estreito que hoje leva seu nome, chorou de emoção ao encontrar um mar calmo depois de tantas vicissitudes.

Conheça a biografia de Fernão de Magalhães, que idealizou e dirigiu a primeira circunavegação do globo terrestre. Para fazer esta travessia, foi necessário ter muita coragem e valentia, especialmente levando em conta que ele não sabia ao certo onde a aventura o levaria. Foi, sem dúvida, uma grande façanha.

Cinco séculos se passaram desde esta primeira volta ao mundo empreendida por Fernão de Magalhães. O que o guiou foi sua intuição e o olfato desenvolvido de um bom navegador.

Ninguém podia afirmar, na época, que existisse uma passagem entre o Atlântico e o Pacífico no sul da América, mas algo dizia a Fernão que este era o caso.

“A Igreja diz que a Terra é plana, mas eu sei que ela é redonda, porque vi sua sombra na Lua. Tenho mais fé em uma sombra do que na Igreja”.
-Fernão de Magalhães-

Embora Fernão de Magalhães não tenha conseguido completar toda esta primeira volta ao mundo, faltou muito pouco. A única coisa que o deteve foi a morte, após uma vida cheia de aventuras ousadas e de vários momentos épicos.

Viagens de barco

O início da biografia de Fernão de Magalhães

Fernão de Magalhães nasceu no Porto, em Portugal, em 1480. Era filho de nobres e, como tal, teve uma educação privilegiada, na qual se dedicou principalmente ao estudo da cartografia e náutica.

Naquela época, residia em Lisboa, embora tenha se transformado em um viajante quando ainda era muito jovem.

Aos 25 anos, fez uma viagem a Índia. Posteriormente, fez outras viagens e, nelas, conseguiu alguém que se transformou em seu escravo durante toda a vida: Enrique de Malaca.

Muitos pensam que foi este último que realmente deu a primeira volta ao mundo, já que voltou vivo à Europa, diferentemente de Magalhães.

Mais tarde, Fernão de Magalhães viajou ao Marrocos, onde foi ferido em um pé durante uma briga. Ao voltar a Portugal, caiu em desgraça com o rei Manuel I. Esta tensão o levou à Espanha, para tentar a sorte no país.

Depois de muitos esforços, conseguiu que o rei Carlos I autorizasse uma viagem sua até as Índias por uma rota passando pelo Ocidente.

Uma viagem épica

Em 10 de agosto de 1519, Fernão de Magalhães iniciou a grande aventura da sua biografia. Tinha cinco barcos sob a sua liderança: Trinidad, San Antonio, Concepción, Victoria e Santiago. Contava com uma tripulação de 270 homens de diferentes nacionalidades. A maioria deles eram portugueses e bascos.

A expedição seguiu pelo norte da África até Serra Leoa. Posteriormente, foi rumo ao ocidente e chegou ao litoral do que hoje é o Rio de Janeiro. Depois, chegaram ao Rio de la Plata, que no início foi confundido com a famosa passagem que Magalhães acreditava existir. A decepção foi grande.

Finalmente, chegaram à baía de San Julián em pleno inverno. Decidiram esperar com a intenção de que o clima melhorasse, pois a tripulação estava sem esperanças.

Os capitães dos diferentes barcos deram início a uma conspiração contra Fernão de Magalhães. Ele a reprimiu e alguns responsáveis foram liberados, enquanto outros foram abandonados à sua própria sorte.

Um sonho realizado

Na primavera de 1520, eles prosseguiram viagem e chegaram à passagem sonhada anos antes. Lá estava a via até Mar del Sur, nome com o qual conheciam o Oceano Pacífico naquela época.

Atravessar este mar imenso foi um tormento, mas ao chegar ao outro lado, um mar tranquilo os esperava. Daí veio o nome de Oceano Pacífico, que persistiu até os nossos dias, ainda que se trate do oceano mais furioso da Terra.

Dizem que, na época, Fernão de Magalhães chorou diante do espetáculo.

O estreito, que hoje leva o nome de Magalhães, foi batizado inicialmente como Estreito de Todos os Santos pelo próprio Magalhães. Eles navegaram rumo ao norte, seguindo a costa chilena. Mais tarde, entraram em mar aberto.

Mar aberto e céu azul

A façanha final da biografia de Fernão de Magalhães

Novamente começaram as dificuldades, pois a comida e a água estavam acabando. Antonio Pigafetta, relator da expedição, fez a seguinte descrição:

“O biscoito que comíamos era apenas um pó cheio de vermes que haviam devorado toda a sua sustância. Além disso, tinha um odor fétido insuportável porque estava impregnado de urina de rato. A água que bebíamos era podre e fedida. Para não morrer de fome, fomos obrigados a comer os pedaços de couro que cobriam o mastro”.

Finalmente chegaram às Ilhas Marianas. Ali, puderam abastecer as provisões de alimentos e água. Logo partiram novamente e encontraram outro arquipélago, ao qual deram o nome de Filipinas em homenagem a Felipe II, rei da Espanha.

Os povos indígenas locais resistiram à presença dos visitantes e travaram batalhas terríveis contra eles. Em uma delas, Fernão de Magalhães foi morto em 1521.

A façanha de completar a volta ao mundo ficou a cargo dos membros da tripulação que sobreviveram, pois a morte levou este incrível viajante antes que pudesse terminar de cumprir seu grande objetivo.

  • Toribio-Medina, J. (1913). El Descubrimiento del Océano Pacífico: Vasco Núñez de Balboa, Fernando de Magallanes y sus Compañeros. Tomo II: Documentos Relativos a Núñez de Balboa. Santiago de Chile: Imprenta Universitaria.