Biografia de Henri Ey, uma ponte entre a psiquiatria e a psicanálise

Henri Ey fez grandes contribuições à psiquiatria, propondo uma visão que também incluía a neurologia e a psicanálise. Ele promoveu uma psiquiatria humanística. Com o tempo, seu legado se tornou invisível pela psiquiatria americana.
Biografia de Henri Ey, uma ponte entre a psiquiatria e a psicanálise

Última atualização: 02 Agosto, 2021

Você quer conhecer uma breve biografia de Henri Ey? Ele foi o criador de uma abordagem em psiquiatria chamada “organodinâmica”. Sua ideia era propor uma síntese entre a perspectiva organicista e a dinâmica psicanalítica, ou seja: uma forma de enxergar, identificar e tratar a doença mental como sendo o produto de fatores biológicos e psíquicos ao mesmo tempo.

Quem o conheceu o definiu como um homem muito caloroso, de excelentes modos. Ele era amante da boa comida, dos charutos premium e das touradas. Seu prestígio na psiquiatria francesa é equivalente ao de Jacques Lacan na psicanálise.

“O uso de neurolépticos nunca permite, portanto, deixar de lado a relação psicoterapêutica, que deve acompanhar toda terapia biológica em psiquiatria”.
-Henri Ey-

Muito da teoria de Henri Ey busca estabelecer uma conexão direta entre a psiquiatria e a psicanálise. Ele não era um revisionista dos conceitos de Sigmund Freud, mas os enxergava como incompletos. Seu trabalho buscava ampliar as perspectivas tanto da psicanálise quanto da psiquiatria.

Lavagem cerebral

Os primeiros anos da biografia de Henri Ey

Henri Ey nasceu em uma pequena cidade no sul da França chamada Banyuls-dels-Aspres, em 10 de agosto de 1900. Ele passou sua infância e adolescência lá. Ele veio de uma família de viticultores e sempre teve um carinho profundo pela terra onde nasceu. Lá, ele recebeu influências das culturas francesa e espanhola.

Seu interesse pela mente humana se manifestou desde cedo. Uma das memórias mais vívidas de sua infância foi a figura de um homem que todos chamavam de “O Louco”. Isso lhe causou medo e fascínio ao mesmo tempo. Ele viu no personagem um enigma que se propôs a decifrar ao longo da vida.

Ele decidiu estudar medicina e, para isso, mudou-se para Toulouse, obtendo seu diploma médico em 1923. Foi atraído pelos cursos ministrados na Sorbonne e pela vida boêmia do Quartier Latin. Entre idas e vindas, ele também se formou em filosofia.

Prática médica e psiquiátrica

Nos 10 anos seguintes à graduação, Henri Ey atuou como estagiário nos hospitais psiquiátricos La Seine em Paris. Ele também trabalhou nos serviços de Guiraud, Marie e Capgras.

Em 1931, começou a trabalhar no famoso hospital psiquiátrico Sainte-Anne. Lá, foi discípulo do famoso Henri Claude, que era professor de doenças mentais e cerebrais e foi o primeiro a abrir as portas do hospital aos pioneiros da psicanálise na França. Ele nomeou Ey como chefe da clínica.

Lá, Ey também conheceu alguém que definiu como um amigo próximo e, ao mesmo tempo, um antagonista ferrenho: Jacques Lacan. Naquela época, o hospital Sainte-Anne era o foco de grandes debates e o berço de novas práticas clínicas e de pesquisa.

Os enigmas do cérebro

Uma nova abordagem

Henri Ey criou uma nova abordagem para as doenças mentais. Além da tradição psicanalítica, ele também incluiu as teses de Hughlings Jackson em sua perspectiva. Jackson foi uma das figuras mais proeminentes da neurologia. De todo esse mistura, nasceu a “organodinâmica”.

Ey estava convencido de que era necessário unir a psiquiatria e a neurologia. Da mesma forma, a psicanálise deveria ser integrada a esta perspectiva, a fim de obter uma abordagem mais abrangente. Com base em suas descobertas, ele se opôs à antipsiquiatria e às teses de Michel Foucault.

A associação psiquiátrica que ele fundou acabou sendo absorvida por sua contraparte americana, a World Psychiatric Association (WPA). Com isso, perdeu-se seu patrimônio intelectual, que foi substituído por uma abordagem exclusivamente farmacológica. Henri Ey faleceu em 8 de novembro de 1977, na mesma cidade onde nasceu.

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  • Wyrsch, J., Stanghellini, G., Ey, H., Lafora, G. R., & Llopis, B. (2001). La persona del esquizofrénico: estudios sobre clínica, psicología y modalidad existencial. Triagastela.