Biografia de Isaac Asimov, o poder da psico-história

17 Fevereiro, 2021
Asimov é um dos grandes precursores da ficção científica. Sua série "Fundação" se desenvolve em torno de um conceito-chave: a psico-história. Essa ciência poderia transmitir a realidade tangível?

Conheça a biografia de Isaac Asimov, visto como um dos pais da ficção científica contemporânea. Autor de mais de 500 volumes, a sua obra é inestimável.

Nascido na Rússia, mas criado nos Estados Unidos, Asimov sempre foi um ferrenho defensor da ciência aplicada. Além disso, ele acreditava firmemente no poder da ficção científica como um precursor da ciência real.

Duas de suas sagas mais importantes são ‘Eu, robô’ e ‘Fundação’. O primeiro é centrado nas Três Leis da Robótica, um código ético que governa um mundo de fantasia.

No entanto, talvez o trabalho mais popular de Asimov seja a série ‘Fundação’. Nela, Isaac examina o conceito de psico-história, disciplina científica totalmente inventada por ele. A psico-história é a combinação da psicologia das massas com a matemática de alto nível para prever o comportamento de uma sociedade.

Neste artigo, tentaremos nos aproximar do trabalho de Asimov e de suas grandes contribuições para a literatura e a ciência. Como a psico-história deixou de ser uma disciplina fictícia para se tornar um possível ramo da psicologia social?

Cidade apocalíptica

Biografia de Isaac Asimov, a vida de um gênio

Isaac Asimov nasceu na Rússia em 1920, embora, ainda pequeno, tenha se mudado para o Brooklyn com seus pais. Em Nova York, Asimov provou ser um jovem incrivelmente talentoso. Aos cinco anos, já havia aprendido a ler de forma autodidata.

Logo depois de aprender a ler e escrever perfeitamente em inglês, Isaac também aprendeu o iídiche, a língua dos judeus asquenazes. Aos 15 anos, Isaac se formou no ensino médio e entrou na Columbia University. Com apenas 19 anos, Asimov já havia se formado na universidade.

Como muitos jovens de sua época, logo após se formar na universidade, Asimov ingressou nas fileiras do exército. Nesse momento, especificamente durante o ano de 1939, a carreira de Isaac Asimov como escritor de ficção científica começou a se desenvolver.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Asimov trabalhou na Naval Aviation Experiment Station na Filadélfia, Estados Unidos. Nesse local, ele entrou em contato com outras pessoas que, como ele, acabariam se tornando renomados autores de ficção científica, como Robert Heinlein e L. Sprague de Camp.

Após a guerra, Isaac continuaria a sua carreira acadêmica. Ele retornou à Universidade de Columbia para fazer um doutorado em Bioquímica em 1948. Após a graduação, como Doutor em Ciências, Isaac Asimov ingressou no corpo docente da Universidade de Boston.

Ao longo de uma década, Asimov contribuiu publicando várias colunas em diferentes revistas especializadas de ficção científica e fantasia. Essas colunas representaram o desenvolvimento das histórias que compõem as suas duas grandes séries: ‘Eu, robô’ e ‘Fundação’. As histórias que Asimov escrevia em suas colunas tinham uma certa relação e, portanto, foram compiladas nos títulos que conhecemos hoje.

A série ‘Fundação’ e a psico-história

Inspirada pela queda do Império Romano, a série ‘Fundação’ começa nos últimos dias do Império Galáctico. Asimov nos apresenta uma realidade que, embora cronologicamente ocorra em um futuro muito distante, é assustadoramente plausível.

Nesse futuro, a queda do Império implicaria uma Idade das Trevas – uma clara alusão à Idade Média – que duraria 30.000 anos. Hari Seldon, o inventor da psico-história, determinou que esse período poderia ser reduzido a apenas 1.000 anos se ele reunisse as mentes mais brilhantes do Império em um único planeta. O planeta escolhido seria Terminus; os sábios ficariam encarregados de armazenar todo o conhecimento adquirido nos últimos anos.

Embora a narrativa de Asimov seja ativa e envolvente, não é sua habilidade literária o que mais nos interessa neste momento. A ciência da psico-história é, talvez, uma das maiores previsões feitas pela ficção científica.

A psico-história é, basicamente, a união harmoniosa entre a psicologia das massas, a antropologia e a matemática de alto nível. Um psico-historiador habilidoso pode ser capaz de prever o padrão de comportamento de uma sociedade inteira em um futuro distante.

Felizmente para a humanidade, de vez em quando a ciência consegue trazer à realidade muitas invenções que já haviam sido descritas na literatura de ficção científica. Um bom exemplo disso pode ser encontrado na obra de Júlio Verne. A psico-história parecia ser um conceito atraente, mas dificilmente viável no mundo real.

No entanto, o novo século trouxe consigo inúmeros avanços tecnológicos. O uso da internet e de todas as plataformas hospedadas nela se traduz em uma enorme produção de dados. Mas, e se a psico-história usasse esses dados para se tornar mais do que apenas uma ilusão da ficção científica?

Isaac Asimov

Psico-história e realidade: análise da Big Data

Os dados de que falamos podem vir de um grande número de fontes e medir quase todos os fenômenos online. A quantidade de tempo que um usuário passa em uma página da web, o conteúdo mais atraente, as cores mais populares, a vida útil de um produto, a dinâmica de uma tendência… Em suma, o fluxo de dados é infinito.

Hoje, esse fluxo de dados é conhecido como big data, ou em outras palavras, uma grande variedade de conjuntos de dados. Esses dados são armazenados em altíssima velocidade e chegam em quantidades cada vez maiores.

A big data constitui todos os dados que a humanidade gera eletronicamente e que ainda não podem ser processados ​​por bancos de dados tradicionais.

Vários cientistas sociais, matemáticos e engenheiros estão trabalhando muito para encontrar uma maneira adequada de processar todos esses dados. Muitos deles reconhecem que, embora o processamento possa ser trabalhoso, as recompensas são imensas.

Os livros nos permitem olhar para o passado, para um determinado momento da nossa história, para o nosso presente, e até pensar nos possíveis futuros que daí derivariam. A Internet, por sua vez, nos dá uma visão mais ampla do presente, mas a análise dos dados nos permitiria olhar para o futuro de forma mais objetiva.

Conclusão a respeito da biografia de Isaac Asimov

A psico-história de Asimov é clara em um ponto: não é qualquer pessoa que pode exercitá-la e descobrir padrões futuros de comportamento. Como acontece com os psico-historiadores, encontrar o verdadeiro valor em todos os dados inúteis pode ser uma tarefa quase impossível.

O processo de descoberta e cálculo psico-histórico requer, para Asimov, um grupo de profissionais. Esses profissionais devem se especializar em análise de dados, teorias e história social, negócios, fundos executivos e científicos. Apenas um grupo unido será capaz de fazer as perguntas certas, prever comportamentos e reconhecer padrões precisos.

A biografia de Isaac Asimov mostra que ele foi um pioneiro, uma daquelas figuras da história que conseguiu ampliar a nossa visão de mundo e projetá-la para o futuro. Por meio de obras de ficção, ele abriu caminho para algo mais tangível, mais real e com aplicações práticas.

  • Gutierrez-Sánchez, J. (s/f) El sueño de Isaac Asimov o ¿son matematizables las ciencias de lo humano?. España: Red de Revistas Científicas de América Latina y el Caribe, España y Portugal.
  • Asimov, I. (1989) Trilogía de la Fundación: Fundación, Fundación e Imperio, Segunda Fundación. Barcelona: Plaza y Janes.