Isaac Newton, a biografia de um homem brilhante e atormentado

Isaac Newton pode ser lembrado como o maior cientista de todos os tempos, ou como um homem atormentado, que viveu uma infância infeliz e nunca pôde se encaixar na sociedade. Essas duas facetas estavam presentes nele.
Isaac Newton, a biografia de um homem brilhante e atormentado
Gema Sánchez Cuevas

Escrito e verificado por a psicóloga Gema Sánchez Cuevas.

Última atualização: 24 maio, 2020

O mais desconcertante da biografia de Isaac Newton é que ele foi um homem habitado por dimensões contraditórias.

Ele é lembrado principalmente como o pai da física moderna, mas a verdade é que dedicou muito mais tempo de sua vida a questões místicas. É visto como um modelo de racionalidade, mas sua vida foi marcada pela irracionalidade.

Além do extraordinário cientista que formulou a lei da gravidade universal, havia um homem que fantasiava, imaginava e sofria com o que sentia e intuía.

Embora muitos o classifiquem como o maior cientista de todos os tempos, provavelmente com razão, grande parte de sua existência foi dedicada à alquimia, às mensagens secretas da Bíblia… à loucura.

“A verdade está sempre na simplicidade, e não na multiplicidade e confusão das coisas”.
-Isaac Newton-

Isaac Newton é, talvez, a maior prova de que razão e irracionalidade podem coexistir no mesmo ser humano, sem excluir um ao outro.

É também um modelo de inteligência máxima aplicado ao trabalho duro, baseado em observação e método rigorosos, o que resulta em uma absoluta genialidade.

Pêndulo de Newton

A biografia de Isaac Newton: uma infância infeliz

Isaac Newton veio ao mundo em meio a circunstâncias adversas. Seu pai morreu três meses antes de ele nascer. Sua mãe teve um parto prematuro e o menino nasceu tão abaixo do peso e fraco que ninguém acreditava que ele sobreviveria.

Contra todas as probabilidades, o bebê sobreviveu e foi batizado com o mesmo nome de seu pai: Isaac.

Sua mãe se casou novamente com um homem chamado Barnabás Smith. Ele não queria criar os filhos de outro homem e enviou o menino para morar com seus próprios pais, a quem Newton chamava de “avós”, sem que realmente fossem parte da sua família de sangue.

O relacionamento com o garoto sempre foi muito infeliz. Muito tempo depois, Newton fez uma lista de seus pecados e incluiu entre eles o desejo de queimar os avós vivos.

Quando tinha 10 anos, seu padrasto morreu e ele voltou a morar com sua mãe e dois novos irmãos adotivos. Aos 12 anos, ele foi enviado para um colégio interno.

Naqueles anos, aprendeu latim, matemática e mergulhou no estudo da Bíblia. Ele era uma criança fraca e solitária, que não se destacava muito nas aulas. 

Um jovem inquieto e hostil

Isaac Newton foi gago, provavelmente durante toda a sua vida. Ele também era doente. Ele não se relacionava muito com seus colegas e era comum que, nas poucas vezes em que o fazia, fosse para fazer piadas pesadas ou atacá-los de alguma forma.

Depois de uma briga com um colega de classe em que conseguiu bater e humilhar publicamente, decidiu se tornar mais estudioso.

Ele passou muito tempo trancado em seu quarto e lá começou a construir objetos mecânicos, modelos e vários dispositivos. Estudava muito e tinha curiosidade por todas as áreas do conhecimento.

Quando era muito jovem, conheceu Catherine Storer, a única mulher com quem possivelmente teve um caso em sua vida. O relacionamento não continuou e, de fato, sabe-se que Isaac Newton morreu virgem.

Aos 18 anos, Isaac Newton entrou na Universidade de Cambridge. Ele era basicamente um autodidata, mas também encontrou vários professores que aumentaram o seu conhecimento.

Logo estabeleceu correspondência com a Academia Real de Ciências, que estava interessada em suas descobertas e seus dispositivos. Foi aí que surgiram os primeiros debates científicos que Newton sempre manteve ao longo de sua vida.

Experimentos de Isaac Newton

Um gênio atormentado

A biografia de Isaac Newton teve dois “colapsos nervosos” formais, isto é, dois surtos de loucura. O primeiro ocorreu em 1693 e o segundo, provavelmente, em 1703.

Durante esses episódios, ele não comia nem dormia. Sofria de depressão profunda e foi levado pela paranoia. Isolava-se radicalmente e desconfiava de todos.

Ainda assim, ele formulou a lei da gravidade, bem como as leis da mecânica. Por mais que não gostasse de seus contemporâneos, ele logo ficou conhecido como o gênio que ele era.

Ocupou vários cargos acadêmicos e foi até membro do Parlamento Inglês, um espaço em que não fez basicamente nada.

Dedicou os últimos 30 anos de sua vida aos estudos religiosos e ao ocultismo. Ele acreditava ter sido escolhido por Deus para decifrar mensagens secretas da Bíblia.

Destacava que o fim do mundo aconteceria em 2060. Declarou que a Igreja Católica era a besta do Apocalipse e que Moisés havia sido um alquimista.

Durante seus últimos anos, teve vários sofrimentos: moral, por um amargo debate com Leibniz, e físico, por um grave problema renal. Sofria com cólicas nefríticas graves e morreu durante uma delas.

Sua memória foi honrada de várias maneiras. Sem Isaac Newton e suas descobertas, a civilização atual não teria sido possível.


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  • Keynes, J. M. (1982). Newton, el hombre. Newton. CONACYT, México.

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