Jack London, a biografia do mestre do gênero de aventura

22 Julho, 2020
Jack London foi o mestre do gênero de aventuras. Ele escreveu da mesma maneira que viveu: com paixão, curiosidade e explorando o lado selvagem da natureza.
 

Hoje vamos expor uma breve biografia de Jack London, que representou aquela essência literária na qual a natureza se tornava física e inspiradora. Nunca antes o gênero de aventura marcou tantas gerações com um estilo único e inconfundível. Esse jornalista, ativista e aventureiro escreveu da mesma forma que viveu: sempre no limite, com perseverança, unido à natureza e ao desafio.

É possível que muitas pessoas não saibam o motivo pelo qual Jack London começou a escrever: por dinheiro, para sair da pobreza. Assim, com quase nenhuma formação, ele colocou todo o seu empenho em duas tarefas básicas enquanto ainda era adolescente: ler e escrever. No entanto, ele sabia claramente que, para ter sucesso na literatura, precisaria oferecer algo novo, algo que não havia sido visto até o momento.

Ele conseguiu uma máquina de escrever antiga na qual só funcionavam as letras maiúsculas e começou a viajar. Queria seguir os ventos que tinham gosto de aventura, que sussurravam histórias desconhecidas para a maioria das pessoas. Ele vagou pelo oriente, foi ao Alasca, conheceu contrabandistas e chegou até a ser preso.

Jack London não apenas nos presenteou com aqueles romances mais clássicos do gênero de aventura. Esse escritor também falou sobre questões sociais de grande relevância, como a exploração sexual, 0 alcoolismo e as doenças mentais. Diziam que dentro dele sempre havia um lobo faminto por aventuras e histórias para contar.

Infelizmente, esse estilo de vida excessivamente apressado, apaixonado e perigoso o tirou desse mundo precocemente: ele faleceu com apenas 40 anos.

 

“A função do ser humano é viver, não existir. Não vou passar meus dias tentando prolongá-los, vou aproveitar meu tempo”.
-J. London-

A biografia de Jack London

Biografia de Jack London, o garoto que queria ser escritor

Jack London nasceu em 12 de janeiro de 1876 em São Francisco, na Califórnia. Sua mãe era Flora Wellman, uma jovem mulher com uma grande habilidade para a música que se apaixonou por um astrólogo, William Chaney. Cabe aqui dizer que o pai de London foi uma das figuras mais sérias e respeitáveis ​​nesse âmbito. No entanto, também foi aquele homem que nunca reconheceu a sua paternidade.

Flora acabou se casando com John London, um veterano da Guerra Civil Americana, de quem seu filho tomou o sobrenome. Os recursos financeiros que possuíam eram tão escassos que eles mal puderam dar educação ao pequeno Jack. No entanto, desde muito cedo, o garoto sabia muito bem o que desejava: ele queria ser escritor.

London passou toda a sua infância e adolescência com esse objetivo em mente. Trabalhou na indústria ferroviária, limpando ostras, carregando carvão e em fábricas de conservas. Conciliava todas essas tarefas com suas constantes visitas às bibliotecas, nutrindo-se de todos os romances e livros de viagens que caíam em suas mãos.

 

As primeiras aventuras e os primeiros livros

Em 1892, Jack London se juntou ao departamento California Fish Patrol, da Agência de Recursos Naturais da Califórnia. Isso lhe permitiu viajar para o Japão em uma escuna. Assim, ele pôde conhecer essas terras e viver na pele os efeitos de um tufão. Essa primeira experiência o deixou querendo mais. Sua fome de aventura nunca mais seria satisfeita.

Jack London

Apenas um ano depois, ele se tornou membro do Exército de Kelly, lutando pelos direitos sociais dos desempregados do país. Foi preso por isso, mas esses meses serviram para escrever seu primeiro romance: A Sabedoria do Caminho. Essa pequena obra permitiu que ele vencesse um concurso literário e o fez pensar que seria bom se matricular na Universidade da Califórnia para ter uma formação mais acadêmica.

No entanto, problemas financeiros e o “chamado” da natureza novamente o impeliram a fugir para longe, embarcando em novas aventuras. Ele viajaria para o Canadá, especificamente para Klondike, onde a corrida do ouro começava. Essa experiência não lhe rendeu nenhum benefício material, pois não encontrou ouro. Contudo, foi a melhor experiência que ele teve, servindo de inspiração para a maioria de seus livros.

 

O jornalista comprometido e o escritor

Jack London voltou para casa em 1898. A partir de então, teria apenas um objetivo em mente: publicar suas histórias. E conseguiu com To the Man On Trail. Posteriormente, venderia The Overland Monthly, mas ambas as obras lhe renderam pouco mais de 10 dólares. Por Um milhar de mortes, conseguiu receber 40 dólares.

No entanto, ele decolou no mundo literário quando as revistas começaram a publicar seus relatos de viagens, suas experiências e aventuras. Em 1900, ganhou quase 2.500 dólares e, graças a isso, conseguiu sustentar seus pais e desfrutar de uma boa vida. Seu nome começou a ser conhecido em todo o mundo quando ele completou 27 anos, graças a O Chamado da Selva (1903). Nessa obra, ele contou a história de um cachorro que encontrou seu lugar no mundo puxando um trenó em Yukon.

Mais tarde viria O Lobo do Mar, Caninos Brancos (1906) e John Barleycorn (1913), um livro de reflexão que detalha sua batalha contra o álcool. É válido destacar seu trabalho como jornalista social, cobrindo, por exemplo, acontecimentos como a guerra russo-japonesa, a vida da população havaiana, a exploração social no mundo e a luta dos trabalhadores para obter direitos sociais.

Jack London jovem
 

Jack London foi casado duas vezes e teve duas filhas. Ele deixou uma herança de 50 livros e 200 histórias, deu palestras falando sobre o capitalismo, a natureza, os animaisInfelizmente, não pôde expandir seu trabalho porque sua saúde não permitiu, já que ele faleceu aos 40 anos devido a problemas com alcoolismo e doenças renais.

Muitos historiadores que estudam a biografia de Jack London acreditam que ele pode ter tirado a sua própria vida, assim como boa parte de seus personagens literários. Seus restos mortais podem ser encontrados no Parque Histórico Jack London, na Califórnia.

 
  • London, Jack (2002) John Barley Corn: memorias alcohólicas.  Valdemar
  • Kingman, Russ (1979). A Pictorial Life of Jack London. Crown Publishers