Para cada decepção chega o seu esquecimento…

· outubro 21, 2016

Cada vez é mais difícil acreditar nas pessoas e nos sentimentos que são tão reais enquanto duram e logo parecem se transformar. A decepção, a ilusão e a frustração machucam, e muito. Principalmente porque em algum momento você colocou ali a sua alma inteira, pensando que era alguém e não você quem a enchia de vida.

Mas você descobre que aquilo que você pensava que não mudaria, muda. Então, essa pessoa na qual você tinha uma fé cega demonstra que nem ela era infalível, nem você enxergava claramente com os olhos abertos. Na verdade, você percebe que a decepção é fruto dessa cegueira de esperar muito dos outros e esquecer, em parte, a sua responsabilidade.

Primeiro o entusiasmo e a confiança

Com o tempo, a gente percebe que as decepções podem ser muitas, com as mesmas pessoas ou com pessoas diferentes. Também que dependem dos relacionamentos e da gravidade da situação: por exemplo, existem decepções que doem mas que não arrasam, e outras que doem tanto a ponto de só restar espaço para uma despedida, ou talvez nem isso.

A vida é um constante movimento de deixar partir.

O fato é que somos humanos racionais, mas também emocionais: a mente controla os passos e contudo é a sensibilidade, a empatia e o amor que decide a direção. Por este motivo, a gente se entusiasma com as pessoas que conhece: descobre se passam confiança ou não, e em caso afirmativo, constrói com ela a base de um relacionamento cheio de expectativas.

À medida que a confiança é maior, a exigência de que seja recíproca também é: dessa forma criam-se os círculos sociais próximos de nós, dentro dos quais não há espaço para pensar que um irá falhar com o outro.

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Uma possível decepção

Contudo, não poderíamos escrever sobre isso se não existisse: chega um determinado momento em que o entusiasmo e a confiança podem fraquejar de algum lado. Se mais de uma vez a pessoa sofreu com isso ou o baque foi muito duro, a probabilidade de uma nova decepção gera medo e falta de entusiasmo para tentar outra vez.

No caso de uma pessoa decepcionar outra, um laço que parecia inabalável se corta e o decepcionado se sente manco. De fato, se o erro cometido não tem solução, a pessoa entra em um processo lento de reconstrução da autoestima e de seus valores que vai depender muito da personalidade de cada um.

“A decepção deveria estar catalogada como arma branca;

pode facilmente atravessar o coração.”

-Anônimo-

Das traições e das desilusões somos capazes de ressurgir mais valentes e menos ingênuos: a decepção é um ponto de inflexão que obriga a tomar as rédeas da situação para sair com a cabeça erguida e o coração cheio de força.

Perdoar para esquecer e continuar

Contudo, é preciso dizer que para cada decepção chega a hora do seu esquecimento, mesmo que primeiro seja preciso passar pelo filtro do perdão: acontece quando damos a trégua suficiente para a dor curar e para sairmos fortalecidos da experiência. Trata-se de aceitar, deixar para trás e continuar com a lição aprendida com o sofrimento.

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Diante de obstáculos complicados como uma decepção, é bom cuidar de si mesmo: desabafar se for preciso, sair com outros amigos para reforçar que ainda vale a pena acreditar, ocupar a mente com atividades que distraiam, aproveitar para se conhecer mais e ver do que é capaz, compreender que cada etapa tem o seu momento.

“O mais difícil

é conseguir

que vá embora completamente

tudo aquilo

que já se foi.”

-Marwan-

É preciso perdoar para pensar no bem-estar individual: as decepções não são justas para ninguém, mas servem para ensinar o lado mais humano dos erros e para aprender com eles.