Castelos no ar, ruínas no chão

Sonhar é muito importante para nos motivar a atingir os nossos objetivos. No entanto, quando nossos sonhos são excessivamente irreais ou quando não fazemos o suficiente para iniciar os nossos projetos, surge a frustração. Refletimos um pouco sobre isso a seguir.
Castelos no ar, ruínas no chão

Última atualização: 21 Setembro, 2021

Você não pode viver sem sonhar, mas também não é possível viver apenas de sonhos. Sonhar é ter motor, impulso para seguir em frente. Os sonhos são como estrelas-guia, que brilham e nos mostram o caminho. Sonhos se traduzem em projetos e projetos em planos. Assim, o que num determinado momento é um sonho, com paciência e perseverança torna-se realidade.

O problema é que algumas pessoas se acomodam em seus sonhos, mas fazem muito pouco para torná-los realidade. E quando o fazem, usam uma metodologia errada que as impede de alcançar os objetivos pelos quais tanto anseiam.

“Quão pouco custa construir castelos no ar, e quão cara é a sua destruição!”
-François Mauriac-

Construir castelos no ar é projetar em sua imaginação aquele estado que você deseja alcançar. Todos nós fazemos isso em algum momento: quando nos apaixonamos e nos visualizamos de mãos dadas com aquela pessoa por anos e anos. Quando vamos para o primeiro dia de trabalho e a promoção que vamos receber um dia passa pela nossa cabeça. Quando começamos a economizar e surgem fantasias de gastar grandes somas de dinheiro em uma praia paradisíaca.

É muito normal fazer castelos no ar e habitá-los por um tempo. Até agora tudo bem. No entanto, o que acontece quando nos instalamos nesses castelos e não queremos mais ir embora, quando todos esses grandes sonhos só têm uma dura realidade, muito diferente, com a qual não lidamos?

Construindo castelos no ar

Castelo no ar com fundo azul

Não é necessário estar buscando grandes conquistas para morar em um castelo no ar. O que define essas construções imaginárias não é seu tamanho, mas sua irrealidade. Você pode, por exemplo, simplesmente habitar a fantasia de conseguir um parceiro maravilhoso.

Quem nunca sonhou com isso? Quem nunca quis que aquela pessoa especial aparecesse, totalmente diferente das outras, e nos levasse àquele estado de “felicidade” que sempre sonhamos? Quem nunca pensou se realmente existe aquele “e eles viveram felizes para sempre”?

No mundo contemporâneo existem algumas fantasias das quais muitos não querem desistir. Uma delas é a fantasia do “amor-redentor” a que nos referimos. Além disso, os ideais também florescem em torno de dinheiro, sucesso, fama, felicidade, consumo.

Muitas pessoas, em maior ou menor grau, assumem que a “felicidade” está naquele ideal de vida que tanto se promove: companheiro estável e maravilhoso, trabalho promissor e agradável, consumo livre e extenso, reconhecimento social infalível, tranquilidade constante.

Embora não conheçamos ninguém que tenha conseguido tudo isso, supomos que, de fato, muitos vivam assim. Que os outros estão muito bem e que somos nós que não tivemos a sorte de realizar todos esses ideais de vida. Talvez por causa da nossa família disfuncional, ou por causa da nossa insegurança, ou simplesmente por azar.

Esses castelos não desabam, desaparecem

Castelos no ar

Se algo define o neurótico, é precisamente essa convicção de que os outros estão bem e de que só ele tem problemas. Que as carências, contradições e paradoxos da vida são algo que pode ser resolvido com um pouco de esforço e dedicação. Não lhes parece possível que erros, lacunas e rupturas nos relacionamentos sejam fatores que compõem, naturalmente, a vida de todos. Não. Segundo eles, tudo isso poderia ser superado.

É por isso que o neurótico está obcecado em busca da “receita da felicidade”. Às vezes, parece que ele a encontra na religião, em um livro de autoajuda ou na prática de alguma forma de filosofia de autoaperfeiçoamento.

O castelo no ar onde mora o neurótico é o ideal de um mundo plenamente harmonioso. É por isso que a vida passa de decepção em decepção.

Essas decepções surgem quando eles percebem que sua princesa rosa, ou seu príncipe encantado, não são a redenção. São alguém que não os ama, nem corresponde ao seu carinho 100% e em todos os momentos.

Quando o trabalho não os torna milionários e eles não ganham uma estrela dourada toda vez que acertam. Quando no final do mês, as contas os fazem pensar que deveriam ganhar mais e que, na realidade, não há dinheiro que baste.

Quando um corpo atlético com músculos bem tonificados produz alegrias fugazes. Quando, finalmente, eles percebem que a dor física e emocional é algo com que todos os seres humanos devem lidar, não importa quão bonitos sejamos, ou os elogios que obtivemos, ou quanto esforço colocamos para alcançar o sucesso.

Mulher segurando uma lua

Talvez fôssemos muito mais felizes se entendêssemos que a própria felicidade é um conceito muito relativo. Que não existe um estado de plenitude absoluta e que, se às vezes conseguimos experimentar a bem-aventurança completa, ela não dura muito. Que é bom sonhar com a perfeição, mas ainda mais bonito é não perder de vista que ela é um ideal inatingível.

Se não desistirmos de viver nesses castelos no ar, provavelmente seremos constantemente infelizes. Decepcionados por não conseguir materializar aquelas fantasias impossíveis. Sentiremos que os nossos são apenas ruínas e perderemos de vista que, na realidade, a grande maravilha da existência é saber que, mesmo com limitações, sempre é possível estar um pouco melhor.

Imagens cortesia de Catrin Welz-Stein

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