Viver em plenitude, uma decisão importante

março 5, 2020
Viver em plenitude não é um estado, é um processo para entender que somos mais do que fazemos ou conseguimos. É o que carregamos conosco, é apreciar nossa essência e compreender que somos um bem muito precioso.

Viver em plenitude é possível graças à valorização do que temos, com tudo o que vivenciamos e com o que somos. No entanto, a arte de nos sentir plenos nos capacita também para sermos empreendedores, exploradores de melhores caminhos ao nos sentirmos habilitados pela experiência, pelo amor-próprio e pela segurança pessoal. Poucos estados psicológicos são tão enriquecedores e poderosos.

O poeta T. S. Elliot dizia que a plenitude tão desejada pelo coração humano sempre está disponível. No entanto, não a vemos. Além disso, também não sabemos como alcançar essa dimensão porque, em muitos casos, não conseguimos compreender um aspecto essencial: a plenitude flui em nós apenas quando nos esvaziamos.

Estamos falando de deixar ir embora a ansiedade por não ter certas coisas a fim de perceber que temos mais do que pensamos. Deixar de ter medo de perder certas dimensões, pessoas ou objetos a fim de descobrir que, às vezes, estamos melhor sem muitas dessas realidades. A plenitude é, no fim das contas, um despertar e, acima de tudo, uma tomada de consciência sobre quem somos para viver com maior equilíbrio.

É comum dizer que essa dimensão chega em uma certa fase do nosso ciclo de vida, que ela é produto da maturidade. Nos últimos anos, a atenção tem se voltado à década compreendida entre os 50 e 60 anos, quando o ser humano, supostamente, alcança um maior grau de bem-estar psicológico. No entanto, pode-se dizer que, em questão de idade, nada é absoluto.

Cada um atinge esse ápice do desenvolvimento pessoal e da plenitude no seu momento, no seu próprio tempo, mais cedo ou mais tarde. Alguns, em contrapartida, nunca atingem esse apogeu. Vamos ver mais informações sobre esse assunto.

“Para chegar ao que não é,
é preciso atravessar a forma como você é”.
-T. S Elliot-

Homem observando o mar

Viver em plenitude, viver no equilíbrio e na satisfação pessoal

Viver em plenitude não é um estado. Não é chegar ao pico da pirâmide de necessidades de Abraham Maslow, lugar onde reside a autorrealização, e pensar que tudo acaba ali, que já conquistamos a felicidade. Na verdade, viver em plenitude é um processo: é fazer parte do movimento da vida, sentindo-se forte e capacitado para o que pode vir pela frente.

Portanto, não estamos diante de uma dimensão do desenvolvimento pessoal fácil de alcançar ou conquistar. Além disso, na perspectiva das ciências sociais, há um constante interesse por compreender como as pessoas enfrentam essa situação em épocas tão complexas. A psicologia social deseja compreender, mais do que nunca, quais são nossos recursos internos para alcançar o bem-estar.

O psicólogo da Universidade de Princeton, Daniel Kahneman, costuma afirmar que grande parte dessas pesquisas tem um curioso problema: as pessoas não sabem definir com exatidão o que é a felicidade. No entanto, em um estudo que ele mesmo realizou e publicou na revista Science, com o título de Seríamos mais felizes se fôssemos ricos?, demonstrou algo muito interessante.

Nesse trabalho, o doutor Kahneman nos mostrou que, em média, as pessoas sabem que o dinheiro não traz felicidade. E sabem também que felicidade não é a mesma coisa que realização pessoal. Na verdade, algo que grande parte das pessoas almeja é exatamente essa última dimensão: sentir-se plenas, realizadas, em equilíbrio com si mesmas e com a própria vida.

Mão segurando flor

Quais são os pontos principais para viver em plenitude?

Viver em plenitude é o oposto de viver no vazio. Este último estado é vivido quando há desânimo, angústia, medo e sensação de solidão. Fica claro que, de algum modo, sempre teremos que lidar com essas realidades psicológicas. No entanto, a pessoa que trabalha diariamente sua plenitude está melhor habilitada para enfrentar essas situações.

Portanto, vamos descobrir como alcançar e desenvolver essa dimensão.

Você não é o que você faz, você é o que carrega dentro de si

Raramente nos fazemos esta pergunta: “O que carregamos em nosso ser? ”. Frequentemente, temos o costume de nos definir por aquilo que fazemos ou que vivemos (eu sou enfermeira, sou mecânico…). No entanto, para viver em plenitude, seria positivo tomarmos consciência daquilo que carregamos em nossa personalidade e que nos define:

Eu sou paixão, sou esperança, sou otimismo, sou determinação, carrego comigo minha compaixão de enfermeira, carrego o amor pela minha família, carrego a satisfação pelo que sou e pelo que conquistei…

Como viver em plenitude

Sinta-se presente no aqui e agora com todas as suas potencialidades

Viver em plenitude não é um estado, é mais como um processo e, acima de tudo, uma atitude. É ter muita consciência do que carregamos dentro de nós e, com isso, tirar o máximo proveito do presente, do aqui e agora.

Se carregamos paixão, devemos nos conectar com a nossa realidade para apreciá-la. Ao mesmo tempo, se carregamos o afeto, devemos cuidar de nós mesmos, nos conectar com as pessoas que amamos no momento presente. Se nosso interior se define pela curiosidade, pela aprendizagem e pela experiência, devemos aproveitar cada segundo para continuar experimentando e sentindo a vida.

Como vemos, a questão reside em alcançar uma harmonia entre o que somos e o que há à nossa volta. Viver em plenitude não é lamentar o que nos falta ou sofrer pelo que nos sobra. É nos sentirmos capacitados para aceitar o que não se pode mudar, ter coragem para transformar o que pode ser mudado e continuar evoluindo sem perder o equilíbrio pessoal.

  • Kahneman, D., Krueger, A.B., Schkade, D., Schwartz, N. & Stone, A.A. (2006). Would you be happier if you were richer? A focusing illusion. Science, 312,1908-1910. DOI: 10.1126/science.1129688