Causas psicológicas do absenteísmo no trabalho

· junho 3, 2018

Você sabia que ter o costume de olhar o seu e-mail particular durante o expediente é um tipo de absenteísmo no trabalho? Em termos gerais, essa prática pode ser definida como a falta deliberada ao exercício do cargo dentro da jornada legal de trabalho. Também pode ser classificada como um abandono dos deveres, direitos e funções próprias de um cargo específico. Mas, o que existe por trás dessa deserção? Por que uma pessoa se converte em um irresponsável em termos laborais?

Esse é um dos problemas mais difíceis de abordar devido a sua grande complexidade. Além disso, é um fenômeno endêmico que não é determinado por sexo, religião ou idade. Está influenciado por muitos fatores, entre eles os psicossociais, apesar de, dependendo do caso específico, poderem variar muito. A seguir nos aprofundaremos mais nas suas causas.

Tipos de absenteísmo no trabalho

De maneira geral, o absenteísmo laboral costuma ser classificado nos seguintes tipos:

Ambiente de trabalho

  • Presencial: ocorre quando o trabalhador realiza tarefas que não são próprias de sua jornada de trabalho. Ou seja, quando faz compras pela internet, lê seu e-mail particular, fala por telefone com amigos ou familiares, etc. Ele representa perdas importantes para a empresa porque costuma perdurar no tempo. O trabalhador não rende, não se esforça, e isso afeta a produtividade empresarial. Após vários avisos, pode terminar em demissão ou suspensão.
  • Justificado: o empregado não volta à sua posição após ter notificado a sua organização do motivo da ausência. Por exemplo, quando ele tem que ir ao médico, por dias de férias, licenças de nascimento ou morte, acidentes de trabalho…
  • Injustificado e não comunicado: é a antítese do anterior. O trabalhador não avisa, e nem justifica sua ausência da empresa. Ou seja, não está autorizado pela mesma e, por isso, não tem licença para abandonar a sua posição de trabalho. Da mesma forma que o presencial, esse tipo de absenteísmo pode provocar a demissão por justa causa do trabalhador.

Causas psicológicas do absenteísmo no trabalho

É fundamental conhecer todas essas causas para tentar entender por que ele é considerado um mal endêmico e quais são as consequências que ele pode acarretar, tanto para a própria pessoa quanto para o ambiente ao seu redor. Como mencionamos anteriormente, os fatores psicossociais são os que melhor explicam o absenteísmo no trabalho. Mas, dentre eles, existe uma grande variabilidade individual.

Despersonalização, desmotivação e baixa autoestima

Durante as últimas décadas, o trabalho deixou de ser um valor por si mesmo.  Ou seja, foi instrumentalizado a tal ponto que lhe falta um valor intrínseco. A temida “crise” converteu muitos empregados em marionetes. Seu cargo de trabalho é a única maneira que eles têm de avançar e poder cumprir com as suas obrigações.

Isso faz com que, em última instância, a única coisa para a qual os empregados acabem dando importância é o pagamento do salário no final do mês. Eles deixam, portanto, de prestar atenção ao desempenho, e se concentram em receber o seu salário para continuar pagando todas as suas despesas. O efeito mais direto desse fenômeno é a despersonalização do trabalhador. Por sua vez, isso causa desmotivação, o que gera um impacto negativo no seu humor.

“O absenteísmo é um fenômeno universal; é caro tanto para a organização quanto para o indivíduo. E está influenciado por uma constelação de diferentes fatores inter-relacionados”.
-Rhodes y Steers, 1990-

Estresse no trabalho

Atualmente, algumas companhias continuam adotando políticas de produção baseadas na redução de pessoal. Ou seja, ou demitem ou não contratam novos trabalhadores, ao mesmo tempo em que esperam o mesmo nível de produção. Com isso, elas pedem aos trabalhadores que aumentem as suas responsabilidades e tarefas, dentro da mesma jornada de trabalho e com a mesma remuneração.

O resultado? Sobrecarga das funções para um cargo de trabalho, falta de motivação e o denominado estresse ocupacional. Este último é a principal causa do absenteísmo no trabalho.

Mulher estressada no trabalho

O estresse acontece quando existe um desequilíbrio entre o que o ambiente nos exige e os recursos que temos para lidar com essas demandas. Com relação unicamente ao âmbito laboral, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) o define como uma doença que implica “um perigo para as economias dos países industrializados”.

Consequências do estresse no trabalho

Algumas das consequências do estresse no trabalho se manifestam a curto, médio ou a longo prazo, dependendo de cada pessoa e das suas estratégias para lidar com ele. Entre os efeitos psicológicos, encontra-se a dificuldade de concentração, falta de atenção, ansiedade ou depressão, deterioração cognitiva, insônia, e até mesmo problemas mentais.

Os impactos físicos podem se manifestar como alterações cardiovasculares (hipertensão, arritmias), dermatológicas (dermatite, alopecia, urticária), e sexuais (disfunção erétil, ejaculação precoce) ou musculoesqueléticas (câimbras, tiques, tensão muscular).

Assim, vemos que este trastorno biopsicossocial não é algo trivial, nem para as organizações e nem para os trabalhadores. Dessa forma, as empresas têm que ajudar seus empregados a se libertar do estresse.

Um problema adicional é a simulação. Ou seja, fingir que se está com uma doença ou um transtorno para justificar o absenteísmo no trabalho, já que esse é um fenômeno muito difícil de ser comprovado e controlado.

Por isso, o absenteísmo no trabalho é um problema diretamente relacionado com a política da empresa, a qualidade do ambiente de trabalho e a insatisfação dos trabalhadores. E como todos os problemas, demanda soluções eficazes e inteligentes, no sentido de que elas serão melhores quanto mais específicas forem para cada caso.