De acordo com a ciência, o cérebro das meninas amadurece antes

fevereiro 3, 2020
Um estudo revelou que o cérebro das meninas amadurece antes que o dos meninos. É com cerca de 10 anos que se inicia nelas a poda neuronal, bem como a reorganização cerebral para favorecer conexões mais rápidas e eficazes.

De alguma forma, a ciência já previa que, em média, o cérebro das meninas amadurece antes que o dos meninos. No entanto, foi um estudo da Universidade de Newcastle que apoiou essa hipótese com dados.

Sabe-se que esse avanço no desenvolvimento neurológico pode aparecer até dez anos antes do que nos meninos (lembre-se de que as diferenças individuais são muito grandes e não são explicadas apenas em função do sexo).

Agora, cabe destacar um aspecto. O fato de as meninas apresentarem um desenvolvimento cerebral mais precoce do que os meninos não significa que elas tenham um maior potencial intelectual.

Significa, basicamente, que entre os 10 e 12 anos de idade elas têm uma organização cerebral maior e há uma atividade neurológica mais alta. Os meninos, por sua vez, começam esse mesmo processo de amadurecimento entre os 15 e 21 anos.

Ou seja, ambos os sexos seguem os mesmos processos de amadurecimento neuronal que, em última análise, lhes permitirão alcançar um cérebro pronto para interagir com seu ambiente com maior capacidade de reflexão, atenção, menor impulsividade etc. No entanto, as meninas começam esse processo mais cedo.

Da mesma forma, vale ressaltar um detalhe sobre o qual os neurocientistas também falam. Atualmente, algumas circunstâncias estão surgindo e tornando nossos filhos vulneráveis ​​a nível neurológico.

O sedentarismo, a desconexão social e a preferência por estímulos digitais, e até mesmo a pressão externa para obter bons resultados que, no fim das contas, levam tempo, estão fazendo com que as crianças demorem mais para atingir todo o seu potencial cerebral.

 “Somente quando o cérebro emocional receber o amor de que precisa, pode ter uma capacidade intelectual plena”.
-Álvaro Bilbao-

Menino e menina lendo no telhado

Por que o cérebro das meninas amadurece antes que o dos meninos?

Cientistas da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, realizaram um estudo em 2013 no qual encontraram dados inesperados. O objetivo deste trabalho, conforme explica Marcus Kaiseer, professor do departamento de psicologia dessa universidade, era conhecer o nível de conectividade do cérebro humano entre os 4 e 40 anos.

Conforme realizavam os testes e as ressonâncias magnéticas, perceberam algo muito significativo. As meninas entre 10 e 12 anos mostravam um cérebro mais maduro do que o dos meninos.

No entanto, o que queremos dizer quando usamos o termo “maduro”? Significa que o cérebro já iniciou o processo de podar conexões neurais que não considera importantes para se reorganizar de maneira eficiente.

Veremos mais dados para entender melhor.

Menos conexões, porém mais fortes e sofisticadas

Se disséssemos que um cérebro hábil, forte e com bom potencial é um cérebro com um nível exato e adequado de conexões, é possível que muitos se sintam confusos.

Frequentemente, tendemos a pensar que quanto mais conexões neuronais tivermos, mais recursos, competências e habilidades teremos. No entanto, essa não é a chave. Na verdade, acredita-se que um dos principais problemas das pessoas com autismo seja justamente sua hiperconectividade.

  • Assim, um dos princípios no desenvolvimento cerebral da criança é a realização da poda neuronal adequada. Os bebês chegam ao mundo com cerca de 100 bilhões de neurônios. Até cerca de dois anos de idade, um grande número de sinapses se originam. No entanto, a partir desta idade começa o que se conhece como poda neuronal.
  • O objetivo é destruir as conexões (sinapses) que não são usadas e fortalecer (mielinizar) as que são usadas. Esse fortalecimento tornará as conexões restantes mais rápidas e eficazes. Esse processo de poda neuronal não termina antes de 20 anos.
  • Agora, o estudo realizado na Universidade de Newcastle, mostrou que o cérebro das meninas amadurece antes que o dos meninos, porque elas realizam esse processo entre os 10 e 15 anos. Nos meninos, por outro lado, ele termina aos 20 ou 21 anos.
Conexões neuronais

A necessidade de melhorar a conectividade neuronal no cérebro de crianças e adolescentes

O fato de o cérebro das meninas amadurecer antes do que o dos meninos não significa que elas devam receber uma educação diferenciada.

De fato, algo que os especialistas apontam e que já mencionamos no início é a necessidade de atender às condições educacionais, emocionais e pessoais das crianças para que elas alcancem uma conectividade neuronal eficaz.

O que queremos dizer com isso? Queremos influenciar alguns fatos muito elementares. Por exemplo, o cérebro de uma criança não é feito para ficar sentado o dia todo. Os pequenos precisam se movimentar, explorar, descobrir, brincar, interagir com outras crianças, experimentar sensações, emoções, sentimentos…

É verdade que o cérebro das meninas amadurece antes que o dos meninos, mas devemos colocar as condições mais adequadas para que tanto elas quanto eles o façam da melhor maneira, aproveitando todo o seu potencial.

Para alcançar esse objetivo, nunca é demais lembrar as dimensões que mais podem nos ajudar.

Como otimizar o desenvolvimento cerebral das crianças?

Uma primeira estratégia é atender às suas emoções. Fatores como possuir um apego saudável, como o amor, a segurança e o afeto do ambiente familiar, são essenciais. A partir daí, é muito significativo ajudá-los a gerenciar e entender suas emoções.

  • Outro pilar fundamental é a alimentação correta. É preferível optar por produtos saudáveis, evitando doces industrializados, gorduras saturadas, etc.
  • Em seguida, é essencial favorecer a atividade física, o movimento, a brincadeira, a manipulação, a construção das coisas com as mãos.
  • Da mesma forma, não podemos negligenciar que as crianças tenham contato social com seus colegas, que brinquem, que interajam com eles.
  • Fatores como o estresse e a ansiedade têm um sério efeito no cérebro da criança.

Finalmente, não podemos esquecer da pedra angular na educação de uma criança. Nós nos referimos ao fator curiosidade, a aumentar sua capacidade de admiração, de inventividade, de criar, experimentar, cometer erros, acertar, tentar, sentir e descobrir o mundo no seu próprio ritmo.

O cérebro infantil tem seu próprio tempo, mas nós, como facilitadores, também temos a oportunidade (e a responsabilidade) de otimizar esse processo.

  • Sol Lim, Cheol E. Han, Peter J. Uhlhaas(2013) Preferential Detachment During Human Brain Development: Age- and Sex-Specific Structural Connectivity in Diffusion Tensor Imaging (DTI) Data. Cerebral Cortex, Volume 25, Issue 6, June 2015, Pages 1477–1489, https://doi.org/10.1093/cercor/bht333