Clark L. Hull e o behaviorismo dedutivo

abril 5, 2019
Várias grandes teorias de aprendizagem foram propostas no século XX. Clark L. Hull propôs uma das mais detalhadas, baseada na força do hábito.

Clark Hull propôs uma nova maneira de entender o behaviorismo. Hull queria estabelecer os princípios básicos de uma ciência do comportamento para explicar o comportamento de animais de diferentes espécies e a conduta individual e social. É o que se conhece como behaviorismo dedutivo.

A teoria oferecida por Clark L. Hull (1884-1952) foi a mais detalhada e complexa das grandes teorias de aprendizagem conceitualizadas ao longo do século XX. O conceito básico para Hull era a força do hábito, o qual ele dizia estabelecer com a prática.

Os hábitos eram descritos como conexões de estímulo-resposta baseadas em recompensa. Segundo Hull, as respostas, e não as percepções ou expectativas, participam da formação de hábitos; o processo é gradual e a recompensa é uma condição essencial.

O behaviorismo dedutivo tenta estabelecer os princípios básicos do comportamento de animais de diferentes espécies, além do comportamento individual e social.

O behaviorismo dedutivo de Clark Hull

Hull é considerado um pensador neocomportamental. Assim, Clark Hull propôs uma nova maneira de entender o behaviorismo a partir do positivismo lógico que dominava em sua época.

Assim como os outros principais autores representantes do behaviorismo, Hull acreditava que o comportamento humano poderia ser explicado pelo condicionamento e reforço. A redução do impulso atua como um reforço para esse comportamento.

Esse reforço aumenta a probabilidade de que o mesmo comportamento aconteça novamente quando, no futuro, surgir a mesma necessidade. Portanto, para sobreviver em seu ambiente, um organismo deve se comportar de uma maneira que satisfaça essas necessidades de sobrevivência. Assim, em uma relação estímulo-resposta, quando o estímulo e a resposta são seguidos por uma redução na necessidade, aumenta a probabilidade de que o mesmo estímulo “produza” a mesma resposta no futuro.

Cachorro com a língua para fora

Hull queria estabelecer os princípios básicos de uma ciência comportamental para explicar o comportamento de animais de diferentes espécies, bem como o comportamento individual e social. Sua teoria do behaviorismo dedutivo propõe o hábito como um conceito central. A força do hábito irá depender de se a sequência estímulo-resposta é seguida por um reforço e da sua magnitude, que dependerá da redução do impulso associado a uma necessidade biológica.

As teorias de aprendizagem de Hull foram apresentadas pela primeira vez em Mathematico-Deductive Theory of Rote Learning (1940), uma colaboração com vários colegas, na qual ele expressou suas descobertas através de postulados expressos em formas tanto matemáticas quanto verbais.

Hull desenvolveu essas ideias em Principles of Behavior (1943), onde sugeriu que a conexão estímulo-resposta depende tanto do tipo quanto da quantidade de reforço.

Teoria da aprendizagem de Hull

Hull foi um dos primeiros teóricos a tentar criar uma grande teoria destinada a explicar todo o comportamento. Esta teoria da aprendizagem desenvolvida por Hull em 1943 é conhecida como teoria da redução de impulsos. Hull baseou sua teoria no conceito de homeostase, a ideia de que o corpo trabalha ativamente para manter um certo estado de equilíbrio.

A partir dessa ideia, Hull sugeriu que toda motivação surge como resultado dessas necessidades biológicas. Assim, em sua teoria, Hull usou o termo “impulso” para se referir ao estado de tensão ou excitação causado por necessidades biológicas ou fisiológicas.

Um impulso, como a sede, a fome ou o frio, cria um estado desagradável, uma tensão. Para reduzir esse estado de tensão, os humanos e os animais buscam maneiras de atender a essas necessidades biológicas (beber, comer, buscar abrigo). Nesse sentido, Hull sugeriu que humanos e animais repetem qualquer comportamento que reduza esses impulsos.

A teoria de Hull se baseia na ideia de que as unidades secundárias (ao contrário de unidades primárias/inatas, que são necessidades biológicas, tais como o desejo de socialização, a sede e a fome) são aprendidas através do condicionamento e satisfazem indiretamente as unidades primárias, como o desejo de dinheiro, já que ajuda a pagar por abrigo ou sustento.

Essas múltiplas unidades secundárias são produzidas quando uma pessoa enfrenta mais de uma necessidade. O objetivo é corrigir a perturbação do equilíbrio (homeostase), que é desconfortável, o que significa que o comportamento é aprendido e condicionado se, e somente se, satisfizer um impulso primário.

Mulher tomando copo de água

Hull também desenvolveu uma maneira de expressar essa teoria da aprendizagem matematicamente, que é a seguinte:

sEr = V x D x K x J x sHr – sIr – Ir – sOr – sLr

Nesta fórmula:

  • sEr: potencial de excitação, probabilidade de que um organismo produza uma resposta (r) a um estímulo (s)
  • V: força do hábito, estabelecida pelo número de condições prévias.
  • D: Força motriz, determinada pela quantidade de privação biológica.
  • K: motivação de incentivo, ou o tamanho ou magnitude da meta.
  • J: o atraso antes que o organismo possa buscar reforço.
  • lr: inibição reativa ou fadiga.
  • slr: inibição condicionada, causada pela falta prévia de reforço.
  • sLr: limiar de reação, a menor quantidade de reforço que produzirá aprendizado.
  • sOr: erro aleatório.

De acordo com Clark Hull, a principal contribuição da teoria da redução do impulso corresponde, em grande parte, à eliminação e redução dos impulsos, que em algum momento dificultam a atividade das pessoas, o que também implica um aumento do potencial humano. Este pode ser desenvolvido em seu ambiente de trabalho, pois, ao satisfazer todas as necessidades, poderá melhorar o desempenho e, assim, ter maior sucesso na vida.

Comentários finais

Os críticos consideravam o behaviorismo dedutivo muito complexo e acreditavam que ele não explicava a motivação humana devido à falta de capacidade de generalização.

Um dos maiores problemas com a teoria da redução de impulsos de Hull é que ela não leva em conta como os reforços secundários reduzem o impulso. Ao contrário dos impulsos primários, como a fome e a sede, os reforços secundários nada fazem para reduzir diretamente as necessidades fisiológicas e biológicas. Outra crítica importante a essa teoria é que ela não explica por que as pessoas se envolvem em comportamentos que não reduzem os impulsos.

Em qualquer caso, essa abordagem influenciou teorias e explicações posteriores dentro da psicologia. Muitas das teorias motivacionais que surgiram durante as décadas de 1950 e 1960 foram baseadas na teoria original de Hull ou focadas em fornecer alternativas à teoria da redução de impulsos. Um ótimo exemplo é a famosa hierarquia de necessidades de Abraham Maslow, que surgiu como uma alternativa à abordagem de Hull.

  • Hull, C. L., Hovland, C. I., Ross, R. T., Hall, M., Perkins, D. T., & Fitch, F. B. (1940).Mathematico-deductive theory of rote learning: a study in scientific methodology. Oxford, England: Yale Univ. Press.
  • Hull, C. L. (1943). Principles of behavior: an introduction to behavior theory. Oxford, England: Appleton-Century.
  • Leahey, T. (1998). Historia de la psicología. Madrid: Prenti Hall.