Como encontro o equilíbrio entre ingenuidade e desconfiança?

Navegar na dicotomia entre ingenuidade e desconfiança pode ser exaustivo. Aqui estão as chaves para encontrar o meio termo.
Como encontro o equilíbrio entre ingenuidade e desconfiança?

Última atualização: 26 abril, 2022

Ingenuidade e desconfiança são duas tendências inatas que despertam nas pessoas quando se trata de relacionamentos. Quando esse eixo se polariza, o indivíduo se torna muito confiante ou desconfiado, podem surgir problemas na interação e na vida social.

Alguns desses problemas são fáceis de reconhecer: conflitos interpessoais, isolamento e até abuso em casos extremos. Provavelmente você conhece alguém extremamente confiante que teve experiências ruins. Ou, pelo contrário, alguém com desconfiança extrema que o fez perder amigos.

Encontrar o equilíbrio entre as duas tendências parece ser a chave para minimizar essas desvantagens. Mas como conseguir? Neste artigo você tem algumas das chaves para isso.

O que essas duas características implicam?

Quando se trata de traços de personalidade, ingenuidade e desconfiança são opostos polares que entram em jogo ao julgar o comportamento dos outros. Por sua vez, esses julgamentos determinam o padrão de resposta de cada pessoa. Cada uma dessas tendências tem suas próprias características:

  • Pessoas ingênuas naturalmente tendem a ver bondade nos outros. Elas geralmente não atribuem más intenções aos outros. Elas tendem a sofrer situações em que outros se aproveitam delas.
  • As pessoas desconfiadas muitas vezes atribuem intenções maliciosas a outras pessoas. Isso muitas vezes leva à solidão e a um estilo de pensamento pessimista.
Garota desconfiando de seu parceiro

A maioria dos estudantes de psicologia da personalidade afirma que a confiança ou a desconfiança  são tendências que estão presentes desde o nascimento. Por exemplo, Silvan Tomkins diferenciou entre dois arquétipos inatos de pessoa:

  • Humanistas: tendem a pensar que os outros estão procurando a mesma coisa que eles, ou seja, não acreditam que vão enganá-los, mas sim que compartilham o mesmo objetivo.
  • Normativos: Essas pessoas tendem ao outro extremo, vendo os outros como inimigos em potencial. Geralmente não percebem que os outros querem seguir o mesmo caminho.

No entanto, a tendência a desconfiar ou ser ingênuo, embora inata, não está sujeita a fatores como sexo, idade ou capacidade cognitiva. Nem está subjugado à imobilidade, mas pode mudar através da experiência. Ninguém está condenado a nenhum dos extremos pelo temperamento.

Como encontro o equilíbrio entre ingenuidade e desconfiança?

Evitar a polarização ao longo do eixo da ingenuidade e da desconfiança requer modular o comportamento e aprender a ler as situações sociais de forma mais ampla. Além disso, as pessoas com quem você interage também são capazes de identificar se alguém é desconfiado ou ingênuo e responderá de acordo com suas próprias tendências: tirar vantagem, afastar-se, defender-se, etc.

Situações desfavoráveis muitas vezes decorrem de dificuldades em gerenciar a interação social de forma eficaz, não apenas da tendência do indivíduo à ingenuidade e à confiança.

Mudar tudo isso é uma corrida de longa distância, mas é possível. Se você está pensando em começar a mudar sua ingenuidade ou desconfiança, aqui estão algumas dicas:

  • Pergunte aos outros sobre a sua ingenuidade e desconfiança: como mencionado acima, a percepção dos outros desempenha um papel fundamental nas dinâmicas que geram situações desconfortáveis. Peça a opinião de suas pessoas de confiança, pois isso o ajudará a delinear seu autoconceito e a ter uma ideia clara de onde começar a se modular.
  • Pare para analisar: é importante que você dedique tempo para analisar as situações que fazem você se sentir mal. Tente interpretá-las o mais objetivamente possível para que suas expectativas não nublem seu julgamento. Você precisa de informações claras e objetivas sobre os fatores que o levaram a essa situação.
  • Aproveite sua experiência: analise o que aconteceu com você e use-o para evitar erros futuros. Se você tende a ser ingênuo, por exemplo, certamente acabará identificando padrões de comportamento nos outros que o ajudarão a saber quando alguém quer tirar vantagem de você.
  • Mantenha a mente aberta: Estar aberto a mudar sua própria percepção pode ser complicado, pois são padrões inconscientes na maioria das vezes. Tente se ater aos fatos que vivenciou e analise-os honestamente, pois é melhor encontrar uma solução do que ter razão.
  • Evite pensamentos extremistas: nada é preto e branco, e não existem vilões ou santos puros. É mais útil estabelecer limites quando se trata de relacionamentos do que categorizar as pessoas com termos absolutos. Isso, favorece a flexibilidade de comportamento e julgamentos.
Mulher conversando com seu parceiro

O equilíbrio é a chave para a maioria dos problemas que se polarizam em uma dicotomia. Os erros nunca podem ser completamente evitados, mas ficar atento ao seu entorno e permanecer fiel a si mesmo é, muitas vezes, a chave para minimizá-los. O pragmatismo será seu maior aliado.

This might interest you...
Quando nos sentimos usados
A mente é maravilhosa
Leia em A mente é maravilhosa
Quando nos sentimos usados

Às vezes nos sentimos usados. Isso nos faz sentir mal e pode fazer com que nos comportemos com desconfiança diante dessa falta de reciprocidade.



  • Moreno, J. B., María, P. G. A., Antonio, R. C. J., Pilar, S. S., & Beatriz, R. L. (2012). Psicología de la personalidad. Editorial UNED.
  • Higueras Esteban, C. (febrero, 2020). La teoría del afecto de Silvan Tomkins para el psicoanálisis y la psicoterapia. Reformulando lo esencial [Demos, V., 2019]. Aperturas Psicoanalíticas (63). Recuperado de http://aperturas.org/articulo.php?articulo=0001107