Como lemos a linguagem não verbal

Como lemos a linguagem não verbal

Última atualização: 05 março, 2022

Para testar se realmente temos a capacidade de ler a linguagem não verbal de uma pessoa, um bom exercício é ligar a TV e assistir a um filme, romance ou série (que não seja legendado), baixar o volume e analisar o que está acontecendo com os personagens. Você ficará surpreso ao perceber que o corpo pode dizer tanto ou mais do que com palavras.

Através dos movimentos das mãos ou das pernas, das expressões do rosto ou de certas atitudes (como coçar a cabeça, andar de um lado para o outro ou sentar na cadeira), podemos identificar se uma pessoa está falando mesmo que não diga nada.

De acordo com psicólogos, as mulheres têm maior capacidade de interpretar sinais não verbais do que os homens. Isso se deve, talvez, ao fato de sermos mais detalhistas ou de olharmos para coisas que o sexo masculino não olha, sem desmerecer. No entanto, um estudo recente nos diz que a facilidade ou dificuldade em “ler” o que o corpo do outro diz tem mais a ver com objetivos interpessoais do que com sexo ou com aquela capacidade de “detetive” tipo Sherlock Holmes, que  podem ter algumas pessoas.

A percepção então dependerá do que queremos obter da outra pessoa. Por exemplo, se se trata de seduzir, detectaremos certas atitudes, algo que não acontecerá no caso de estar em uma entrevista de emprego ou com o parceiro ao perguntar sobre uma determinada coisa. E isso vai ainda mais longe, pois confirma-se que nossa atitude corporal muda dependendo do ambiente ou da pessoa à nossa frente. Não é o mesmo falar com um ex-marido que nos traiu do que com a sogra a quem pedimos uma receita culinária, com a melhor amiga que lhe contamos o que compramos no shopping do que com o colega que é sempre melhor que nós ou com um professor a quem devemos reclamar da nota.

Isso significa que todos nós temos a capacidade de nos adaptar à situação, como um camaleão. É verdade que alguns são mais habilidosos que outros, porém, esse dom pode aparecer a qualquer momento.

Se tivéssemos a capacidade de pressionar o botão “Mute” em nossas conversas com outras pessoas, talvez fosse mais fácil ver se o que dizem com a boca é o mesmo que expressam com o corpo. Na maioria dos casos, a linguagem corporal é a que não mente, ainda mais, é a que revela a verdade.

É preciso deixar bem claro que muitas vezes os estereótipos ou preconceitos nos afetam. E também experiências anteriores. No caso de estar diante de uma pessoa que está “acostumada” a mentir para nós, todos os movimentos que ela faz com seu corpo serão interpretados como uma forma de dizer a verdade, ao contrário do que seus lábios expressam.

As expectativas que temos sobre essa pessoa (no mesmo caso de antes, por exemplo, se é nosso parceiro que amamos e esperamos fervorosamente que pela primeira vez nos diga a verdade) também mudarão nossa percepção do que estamos observando. Porque, em última análise, não há nada objetivo nesta vida.

Por outro lado, o contexto tem muito a ver com o que detectamos na linguagem não verbal. Claro, porque interrogar um suposto culpado de um assassinato não é o mesmo que falar com um vizinho sobre o preço do transporte público.

Mais uma vez, experimentos e estudos científicos indicam que os estereótipos têm grande poder, de tal forma que podem até mudar ou afetar a percepção que temos sobre o que está acontecendo ao nosso redor, neste caso, a linguagem não verbal do nosso interlocutor. E isso vai além do sexo da pessoa.

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