Comportamento suicida: variáveis relacionadas

agosto 3, 2019
A taxa de mortalidade por suicídio é muito maior do que a contabilizada em acidentes de trânsito. Há vários estudos e projetos em curso para a detecção e prevenção do comportamento suicida.

O suicídio é um fenômeno social e cultural cada vez mais comum no ocidente, e afeta uma porcentagem muito alta da população. Dado que os números são alarmantes, há um número cada vez maior de estudos e projetos em curso para a detecção e prevenção do comportamento suicida.

Nos últimos anos foram analisados os motivos, internos e externos, e as situações que podem levar alguém a desenvolver pensamentos suicidas ou a consumar o suicídio.

Um estudo publicado recentemente no The European Journal of Psychology Applied to Legal Context analisou as variáveis socioeconômicas relacionadas com o comportamento suicida. Suas conclusões proporcionaram dados muito significativos para desenvolver planos de prevenção e ajuda.

Há algumas vozes que defendem a ideia de que quanto mais se fala de suicídio na mídia, mais se encoraja a cometer o ato. No entanto, a solução não é ignorar o tema.

A verdade é que detectar o possível comportamento suicida é a via mais eficaz para evitá-lo a tempo. Por isso, todos os dados que nos ajudem a identificar os fatores de risco do comportamento suicida devem ser levados em conta.

Homem sentado sozinho em trilho

O estudo sobre o suicídio

A equipe que realizou esse estudo analisou as variáveis sociodemográficas relacionadas à ideação suicida, à tentativa de suicídio e ao suicídio consumado. Também incluíram no estudo a análise dos métodos utilizados para realizá-lo.

O estudo analisou revisões publicadas durante uma década completa, desde 2005 até 2015, na Europa e na América do Norte e do Sul. As fontes das análises foram as bases de dados de PsycINFO, Medline, Coleção Principal de Web of Science, Scopus e SciELO.

Foram recuperados, no total, 5.222 registros, incluindo 53 estudos sob avaliação. O objetivo principal desse estudo mais amplo foi a análise das relações entre as variáveis sociodemográficas que parecem estar vinculadas mais firmemente ao comportamento suicida e à maneira escolhida para cometer suicídio.

Esse estudo trouxe resultados muito valiosos. Vamos ver a seguir.

As variáveis sociodemográficas do comportamento suicida

Parece que em questão de sexo e idade, os homens se suicidam mais do que as mulheres, embora as mulheres apresentem mais tentativas de suicídio (não consumado).

Não parece verdadeira a teoria que relaciona a tentativa com querer chamar a atenção, já que o estudo reflete que esta não foi uma das consequências das tentativas. As mulheres parecem estar mais associadas à ideação suicida, ao planejamento e à tentativa de suicídio, com predomínio da primeira e terceira opções.

A idade também parece ser um fator a ser levado em consideração. Há mais suicídios registrados em pessoas idosas, mas nesse caso a diferença entre os sexos não é significativa.

Em relação à região de residência, ao estado civil e à situação profissional, o estudo traz resultados que não deixam espaço para muitas dúvidas.

As zonas rurais parecem estar mais associadas ao comportamento suicida, assim como a um nível de escolaridade baixo, a pessoas que não mantêm relações sentimentais estáveis e àquelas que estão desempregadas.

Mulher enfrentando comportamento suicida

Os métodos mais usados no comportamento suicida

Na análise realizada sobre essa base de dados, o método mais utilizado no comportamento suicida é a morte por enforcamento. Em seguida, em ordem descendente, aparecem: morte por arma de fogo, envenenamento ou overdose e precipitação de lugar elevado.

Em relação à diferenciação de metodologia por sexo, são os homens que mais utilizam o método do enforcamento (mais de 50%) e das armas de fogo, embora este último seja o método mais usado nos Estados Unidos segundo esse estudo.

As mulheres, estatisticamente, tendem mais à precipitação de lugar elevado. Quase 40% escolhem esse método. O envenenamento por fármacos também é muito mais utilizado pelas mulheres do que pelos homens.

Estas são apenas algumas das variáveis

Esse estudo proporciona informações muito importantes sobre algumas das variáveis que podem ser levadas em consideração a fim de desenvolver políticas de prevenção do suicídio.

Isso não significa que todas as pessoas dentro dessas variáveis estejam em risco de desenvolver um comportamento suicida. Em muitas ocasiões ocorrem, além disso, quadros depressivos maiores e outros transtornos psicológicos.

No entanto, muitas tentativas de suicídio e muitos suicídios consumados, assim como muitas ideações suicidas, ocorrem sem que se verifiquem quadros patológicos envolvidos. Por isso, é importante aceitar essas variáveis dentro do espectro dos fatores de risco do comportamento suicida.

Uma informação muito necessária para abordar um problema muito atual e que revela uma realidade que não podemos ignorar.