Comunicação perversa: você sabe como ela funciona?

Você sabe como a comunicação perversa funciona?

Fevereiro 15, 2017 em Psicologia 4372 Compartilhados
Você sabe como a comunicação perversa funciona?

Para desestabilizar uma pessoa não é preciso criar um conflito direto ou exercer a violência física. O uso de ironias, chacotas ou insinuações faz parte de um tipo de comunicação entre iguais em que um indivíduo sai prejudicado. Falamos da comunicação perversa, e esta pode ocorrer entre casais, entre amigos, ou no ambiente de trabalho.

A comunicação perversa faz referência a uma tortura psicológica em relação a um semelhante que não faz barulho, mas desestabiliza e confunde aquele a quem é dirigida. Tudo isso pode começar com uma simples falta de respeito sem que, é claro, se produza nenhum sentimento de culpa por parte de quem a emite.

Para exercer esse tipo de comunicação, basta que um indivíduo tire sarro dos gostos pessoais de seu parceiro, de suas conquistas ou expectativas, tanto em privado como em público. Também é comum que a pessoa o prive da oportunidade de se expressar ou fazer insinuações sobre o outro sem chegar a esclarecê-las.

Outras vezes é tão simples como deixar de lhe dirigir a palavra, apesar das constantes tentativas de comprovação por parte da “vítima” para saber se verdadeiramente seu parceiro a está ignorando sem razão aparente. Estas ações normalmente são acompanhadas de comunicação não verbal através de olhares arrogantes ou suspiros abusivos.

A ironia e o escárnio: duas formas de comunicação perversa

A ironia e o escárnio são duas armas que estes indivíduos manejam e que vão determinar seu círculo de relações. A priori, essa atitude pode dar a impressão de um indivíduo forte, já que o coloca na posição “do que supostamente sabe”.

A persistência desta atitude leva à crença coletiva de que essa pessoa “é assim”. No fundo, o que ela consegue é criar climas desagradáveis e ambientes pouco recomendáveis em todas aquelas áreas ou facetas de sua vida nas quais expõe sua atitude. Uma atitude que ao mesmo tempo contribui para nunca criar espaços de comunicação completamente sinceros e íntimos.

Dessa forma, o interlocutor acaba por consentir os sarcasmos, a indiferença e os desprezos de seu parceiro, amigo ou colega de trabalho, como se fossem o preço que deve pagar para manter uma relação com esse companheiro atrativo, mas extremamente complicado.

Os sarcasmos e os leves desprezos são usados como pequenos detalhes que incomodam e irritam o outro e que frequentemente ocorrem na presença de outras pessoas. Além disso, costumam contar com o reforço de um cúmplice que faz parte do grupo. A agressão é tão insidiosa que o receptor chega a duvidar se a coisa é séria ou se é apenas uma piada que ele deveria aceitar.

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O círculo vicioso destas relações tóxicas

Estas ações são tão cotidianas que parecem a coisa mais normal do mundo. Elas começam com uma simples falta de respeito, mas levam a ataques contínuos que terão consequências importantes para a saúde psicológica de quem os sofre.

Trata-se de algo tão enigmático e que faz parte da vida cotidiana que as vítimas acabam optando por assumir e aceitar isso: acabam idolatrando essas pessoas com a clara certeza de que é melhor estar com elas do que contra elas. Isso conduz a uma verdadeira distorção da relação entre ambas as partes.

Marie-France Irigoyen nos fala sobre esse tipo de violência, aquela que se instala de maneira muito sigilosa e muito gradual, e que a pessoa que sofre com ela não reage para contra-atacar, apenas manifesta a atitude que mais alimenta as agressões encobertas do outro: uma bondade excessiva. Ela acredita que se conseguir agradar um pouco mais, em algum momento seu companheiro difícil irá se tornar mais educado.

Não podemos esquecer que se em algum momento o prejudicado decidir se rebelar e tentar se impor, o “ser superior” se encarregará de controlá-lo, anulando toda a capacidade de pensamento crítico e fazendo com que ele perca a noção de sua identidade.

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Como deter este tipo de relação baseado na comunicação perversa?

As pessoas inseguras são suscetíveis a serem captadas por aqueles que manipulam. Este tipo de pessoa coloca as opiniões dos outros diante das suas, pois acredita que sempre vão saber mais sobre qualquer tema.

Depois de tudo o que descrevemos acima, quem é o verdadeiro inseguro de si mesmo: aquele que é manipulado ou aquele que precisa manipular para se sentir forte diante das situações da vida cotidiana? Portanto, fica clara a necessidade de educar as crianças desde cedo a respeitar os outros. Devemos compreender que cada indivíduo é único e irrepetível, e que não deve ser uma figura de ameaça para seus pares.

A você que eu não conheço (ou até posso conhecer), posso dizer que você tem o mesmo valor que qualquer uma das pessoas ao seu redor (nem mais, nem menos). Dê passos decididos para onde quer que você for, pois o seu físico, suas opiniões, suas aspirações e suas metas são dignos de serem apreciados.

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