A criatividade pode ser ensinada?

25 Fevereiro, 2020
Provavelmente, você associa a criatividade à criação de algo bonito e artístico, mas na verdade ela é muito mais do que isso. Ser criativo em outras facetas da vida é algo possível e benéfico. Você acha que só algumas pessoas podem ser criativas? Será que a criatividade pode ser ensinada?. A seguir, vamos responder a essa pergunta.
 

Quando se pensa em criatividade, vem à mente a ideia de uma inspiração espontânea que levou um artista a criar uma obra extraordinária. No entanto, essa capacidade é inerente ao ser humano e, embora às vezes surja de forma natural e espontânea, também pode ocorrer por meio de um processo organizado. Portanto, a criatividade pode ser ensinada.

O termo foi cunhado por Guilford há mais de meio século, e sua definição se mantém até hoje. Segundo esse autor, a criatividade faz referência à capacidade de realizar algo novo e valioso.

Essa ideia é aplicável a qualquer ação de uma pessoa. Assim, uma pessoa pode ser artisticamente criativa quando se trata de resolver problemas, formular uma teoria, etc.

Lâmpadas penduradas representando ideias

A criatividade é inata ou pode ser ensinada?

Poucos especialistas não concordam com o fato de que, em maior ou menor medida, a capacidade de ser criativo é intrínseca a todas as pessoas.

Muitos autores acreditam que, para além do nível de partida ou da predisposição genética, contamos com oportunidades para aprender a ser originais, flexíveis ou sensíveis, aptidões fundamentais para a criatividade. Assim, a criatividade seria sensível à experiência e, ao mesmo tempo, seria motivada e reforçada pelos desafios que a pessoa for enfrentando.

 

Outros autores, em contrapartida, defendem que todas as crianças são criativas por natureza. Sabe-se que as crianças passam por uma etapa, entre os 3 e os 5 anos, de constante formulação de perguntas e de pensamentos divergentes.

É uma fase de enorme criatividade, na qual, com o clima e o reforço apropriados, seria possível se manter durante toda a vida. Ou seja, para esses outros autores, as pessoas nascem com a criatividade, mas o problema é que ela vai sendo perdida ao longo dos anos.

Seja como for, e embora se trate de um processo complexo, a criatividade pode ser treinada. Por outro lado, tudo que pode ser aprendido pode ser ensinado. Para isso, é fundamental desenvolver atitudes criativas (imaginação, curiosidade, crítica…), além de autoconfiança, proatividade, tolerância à frustração e perseverança nas conquistas.

“A criatividade é contagiosa. Passe-a adiante”.
-Albert Einstein-

Segundo os especialistas, o ensino da criatividade deve levar em consideração os seguintes aspectos:

  • Deve ser ensinada com base nos interesses do indivíduo e considerando as suas capacidades.
  • É preciso utilizar métodos de simulação, consulta e descoberta.
  • A imaginação e a curiosidade devem ser estimuladas de uma forma básica durante todo o ensinamento.
  • Deve-se estimular o uso integrado de diferentes materiais, ideias, métodos e meios.
  • É preciso explorar, investigar e experimentar. Basicamente, encontrar novos desafios e descobrir necessidades e recursos.
 
  • Estimular a autoavaliação e a autocrítica, com o objetivo de determinar se o resultado é útil e valioso.
  • Aquisição de conhecimentos específicos úteis para o processo criativo.
  • Deve-se ensinar que a criatividade é determinada pela motivação e pelo esforço.
  • É necessário treinar capacidades básicas, como a linguagem, a resolução de problemas e a orientação para metas.
  • Estimular a confiança e a expressão das próprias ideias.
  • E, naturalmente, devemos proporcionar oportunidades, equilibradas em liberdade e estrutura, para colocar em prática os processos criativos.
A criatividade no trabalho

O que nos impede de ser criativos?

Além de ensinar a criatividade por meio de uma série de orientações, é importante considerar que existem outros fatores que podem ser obstáculos à criatividade.

De um lado, a experiência das pessoas pode ter reforçado ou ensinado esquemas nos quais outras formas de agir ou se expressar não sejam válidas. Um pensamento convergente em que só é possível realizar as coisas de uma determinada maneira. Nesse sentido, é importante destacar a importância do resultado e do valor acrescentado que se pode conquistar ao seguir um processo mais criativo.

 

Em segundo lugar, atualmente a motivação extrínseca é a mais premiada e reforçada, já que serve para se adaptar a um meio que segue alguns parâmetros fechados e estáveis. Por exemplo, obter boas notas ou elogios de um superior.

No entanto, para estimular a criatividade e a imaginação, é necessário seguir novos caminhos, inventar novas opções e, para isso, será fundamental encontrar e promover a motivação intrínseca.

Por fim, a necessidade do ser humano de identificar-se com um grupo de iguais o leva a desenvolver comportamentos e atitudes similares aos demais. Por isso, para que a criatividade possa ser ensinada, é preciso partir de uma educação que motive a autonomia, permitindo o desenvolvimento de atitudes e características próprias e únicas.

 
  • López Martínez, O. (2008). Enseñar creatividad. El espacio educativo. Cuadernos de la Facultad de Humanidades y Ciencias Sociales, 35, 61-75.
  • Pérez Alonso-Geta, M. (2009). Creatividad e innovación: una destreza adquirible. Teoría de la Educación, 21(1), 179-198.