As quatro grandes crises em um relacionamento estável

18 Março, 2021
As grandes crises em um relacionamento estável têm a ver com o fim de vários estágios e o início de novos. São uma oportunidade de reavaliar o relacionamento e decidir se é melhor mantê-lo ou encerrá-lo.

Todo casal passa por pequenas crises, pois um relacionamento de vários anos enfrenta diferentes mudanças significativas em sua evolução. Essas crises podem fazer com que o casal reflita sobre o futuro que os espera juntos, além de investir recursos na análise da dinâmica do presente. Elas também podem dar lugar à ansiedade e insegurança, principalmente se os parceiros tendem a duvidar das suas decisões.

A crise em um relacionamento estável é algo natural. Embora crie alguma instabilidade e insegurança, também representa uma oportunidade para ajustar a relação. Os pingos fora dos ‘is’ ou conflitos que foram deixados totalmente sem solução podem surgir nesses estágios. Depende do casal se eles vão tirar proveito delas para resolver as pendências ou se vão transformá-las em uma oportunidade para aprofundar o distanciamento.

As crises em um relacionamento estável acontecem quando etapas são concluídas. Por isso, o comum é que esses momentos de instabilidade sejam classificados de acordo com o tempo que o casal já passou junto. A partir desse ponto de vista, existem quatro grandes momentos de crise: a de um ano, a de três, a de dez anos e a do ninho vazio. Vamos ver.

No início de um amor, os amantes falam sobre o futuro; no fim, sobre o passado.”
-André Maurois-

As principais crises em um relacionamento estável

1. A crise de um ano, o fim da limerência

Limerência é um termo cunhado pela Dra. Dorothy Tennov em sua obra Love and Limerence: The Experience of Being in Love (Amor e Limerência: A Experiência de Estar Apaixonado), publicado em 1977. É definido como o estado romântico e obsessivo em que existe uma forte atração por outra pessoa e um desejo muito intenso de ser correspondido.

O fim da limerência geralmente leva à primeira das crises em um relacionamento estável, e isso acontece aproximadamente um ano, ou um ano e meio após o início do relacionamento. A principal característica é que a idealização que se fez do outro se dilui.

Cada um dos membros do casal começa a perceber os defeitos do cônjuge e tenta recuperar os espaços pessoais que deixaram de lado por causa da relação. Muitos relacionamentos terminam neste ponto se não houver um vínculo sólido para sustentá-los.

A crise dos 10 anos

2. A crise dos três anos

Mais ou menos por volta dos três anos, ocorre a segunda crise em um relacionamento estável. O que costuma acontecer nesta fase é que apareça desejo de ‘subir de nível’. Se eles ainda não moram juntos, esse nível será o de morar junto. Se já moram juntos, a ideia de ter filhos pode surgir no horizonte.

O que paira no ar é a necessidade de aumentar o grau de comprometimento entre os dois. De formalizar, por assim dizer, a ligação existente. Nesse ponto, o relacionamento é reavaliado e o resultado é que ele efetivamente passa para o próximo nível ou ocorre um rompimento, porque um ou ambos não se sentem preparados para este compromisso ou mudança.

3. A crise dos 10 anos

A crise dos 10 anos tende a se concentrar em dois aspectos fundamentais: filhos e sexo. Em relação aos filhos, é nessa fase que os casais voltam sua atenção para eles e enfrentam seus estilos de criação. Mais do que no casal, pensa-se na família.

O sexo, por sua vez, ficou em segundo plano. Surgem então dúvidas e divergências, porque cada um quer voltar a se sentir atraente e quer que a sexualidade volte a ocupar o centro da sua vida. Tudo isso junto pode levar a um renascimento do relacionamento ou marcar o seu fim.

A crise de um ano, o fim da limerência

4. A crise do ninho vazio

Os casais que conseguiram conviver com sucesso e equilibrar o relacionamento devem enfrentar uma “última crise”. É chamada de ninho vazio porque ocorre quando os filhos crescem e saem de casa. Nesse ponto, o casal deve voltar a se concentrar no relacionamento, e isso pode não ser tão fácil.

Nos últimos anos, ambos mudaram muitoEles se conhecem em seus papéis familiares, mas individualmente podem sentir uma certa estranheza mútua sem a presença daquele filtro que são os filhos. É então que eles devem reinventar a relação para continuarem juntos ou decidirem que não têm mais nada em comum e é hora de voltar a buscar um destino individual.

Como observado acima, todas essas crises também são oportunidades para repensar o relacionamento. Ambos devem reavaliar se é melhor para ambos continuar ou terminar. Se não forem movidos por impulso e ponderarem as suas decisões com cuidado, provavelmente escolherão a melhor opção.

  • Willi, J. (2002). La pareja humana: relación y conflicto. Ediciones Morata.