Cultivar a paciência

Cultivar a paciência

Última atualização: 04 março, 2022

A palavra paciência deriva diretamente de um termo mais universal: paz. De fato, poderíamos dizer que é a “ciência da paz”. Com o tempo, ocorreu uma certa alteração do significado original da palavra.

Muitos pensam que a paciência é aquela virtude questionável que leva alguns a suportar qualquer adversidade, quase sem dizer nada. Mas essa interpretação é imprecisa. É uma perspectiva que assume a paciência como uma virtude passiva, quando na realidade constitui um atributo que nos obriga a pôr em ação muitos dos nossos recursos emocionais.

Embora a paciência implique manter a calma durante os maus momentos ou diante da ofensa, isso não significa que se trata de “esperar” e “aguentar” o máximo possível.

Impulsividade e paciência

Homem pescando pacientemente

Dentro de cada um de nós ainda existe um mamífero, mais ou menos predador. Quando o caráter não é cultivado, tendemos a ser impulsivos. Reagimos rapidamente para atacar ou nos defender, sem ter clareza sobre o que pretendemos alcançar, ou a estratégia que vamos usar para isso. Às vezes, nem podemos definir exatamente qual é a ameaça que produz tais reações em nós.

A paciência é o extremo oposto da impulsividade. Não é um estado de passividade, mas sim uma resposta baseada na sabedoria e não no que nossas entranhas gritam para nós.

O tipo de paz que leva à paciência é, acima de tudo, uma paz interior. Supõe um grau de equilíbrio suficiente para refrear os impulsos primários e substituí-los por um lento processo de análise. Essa paz interior exigirá um grande cultivo interior de uma mente compreensiva, empática e paciente. Uma mente que, apesar do que acontece lá fora, sabe manter a calma.

Enquanto a paciência nos leva a ser assertivos (dizer o que queremos dizer, fazer o que queremos fazer e pensar o que queremos pensar), a impulsividade nos leva ao erro. Acabamos agravando problemas que não eram sérios, criando distância onde deveria haver proximidade, e dizendo o que nosso impulso de fazer mal nos manda, em vez do que pode fazer bem a todos.

É por isso que a paciência está entre as grandes virtudes universais que até os guerreiros mais ousados cultivaram ao longo da história.

Cultivar a paciência

Garota caçando medusas pacientemente

Ninguém nasce empunhando a virtude da paciência. O oposto. O bebê quer o que precisa e o quer agora. Ele não tem senso de espera, nem as ferramentas intelectuais ou emocionais que lhe permitem adiar um desejo. Crescer, então, está intimamente relacionado com aprender o significado de paciência.

Para conseguir isso, em princípio, trata-se de se recusar a reagir imediatamente. Às vezes, alguns segundos fazem a diferença entre agir de forma errática ou se comportar de forma inteligente. Como afirma o sábio Shantideva: “Então, quando eu vir algo errado feito por um amigo ou um inimigo, lembrarei que isso acontece devido às circunstâncias e permanecerei calmo”. Shantideva nos apresenta desta forma que compreender as circunstâncias de uma situação nos levará a cultivar nossa paciência.

É um treinamento. Quanto mais você praticar, mais paciente você será. Quanto mais você adquirir o hábito de reservar um momento antes de responder ou agir, mais facilmente você inserirá esse comando em seu cérebro, forçando-o a raciocinar.

A respiração ajuda você a se acalmar. A respiração profunda é sempre um recurso fácil, que temos sempre à mão. Mas também ajuda que, enquanto se cultiva a paciência, se plante em sua mente e em seu coração a ideia de que você é dono de si mesmo. Que tudo o que você faz ou deixa de fazer é de sua exclusiva responsabilidade. Que tudo o que acontece vai depender da forma como você age.

Reflexão final

Com essa convicção e uma pitada de esperança, você pode fazê-lo. Lembre-se que tudo na vida tem um começo e um fim. Assim como os momentos de felicidade nascem e morrem, também as adversidades, ou os momentos pouco felizes, não são eternos. A paciência ajuda você a tornar qualquer problema mais gerenciável, dure menos e tenha consequências mais controláveis.

Então, se começarmos a mudar o foco no controle de nossas emoções, começaremos a ter paciência. Em vez de dar aos outros o poder de nos enervar, seremos nós que decidiremos ficar calmos ou chateados. Desta forma, quando estivermos cientes de que temos o poder de manter a calma apesar do que acontece lá fora, teremos dado um passo muito importante. Um passo que nos levará a desfrutar de uma vida muito mais calma e tranquila.

Pode interessar a você...
Os seis sábios cegos e o elefante: um conto para aprender a valorizar a opinião dos outros
A mente é maravilhosa
Leia em A mente é maravilhosa
Os seis sábios cegos e o elefante: um conto para aprender a valorizar a opinião dos outros

Nem sempre é fácil valorizar a opinião dos outros porque, quando ela se choca com a nossa, costumamos dar prioridade e maior veracidade ao que pens...