Esse curta mostra que ser diferente é ser especial

Esse curta mostra que ser diferente é ser especial

março 30, 2016 em Filmes 1349 Compartilhados
Ser diferente é ser especial

“For the birds” é um curta maravilhoso. São poucos minutos de diversão e encantamento em que você conhecerá um conjunto de quinze passarinhos um tanto quanto implicantes e irritantes, que arrancarão risadas e algo mais quando se encontram com um pássaro diferente e excêntrico.

Se você tem crianças em casa não hesite em tirar um tempo para ver com eles essa produção que a Pixar nos deu de presente nos anos 2000. O curta foi dirigido por Ralph Eggleston, um nome muito conhecido dentro da indústria de animação e presente em filmes muito famosos como “Up”, “Toy Story”, “Wall-E” o “Procurando Nemo”.

“For the Birds” é uma metáfora da própria vida; aqui estamos diante de uma comunidade de pássaros que mora em um fio elétrico, mas também poderia ser uma comunidade de vizinhos, ou de alunos de um colégio. Qualquer lugar onde ser diferente é motivo para implicância e críticas. 
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Nossa protagonista é uma ave um tanto quanto estranha. Tem patas longas, pescoço comprido e sua voz é diferente da de todos os quinze pequenos passarinhos. Nosso pássaro é de outra espécie e quer, como todo mundo, integrar-se com quem tem asas como ele…
Mas, como todos sabemos, ser diferente muitas vezes é um problema que tem algumas consequências. O pássaro estranho e diferente desse curta faz o melhor que pode nesse sentido.

A arte de ser diferente e o empenho para ser semelhante

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Provavelmente essa cena que abre o curta é familiar pra você: um monte de passarinhos parecidos cochichando entre si, bem espalhafatosos e se mexendo orgulhosamente por um cenário que controlam de modo quase militar. São como os adolescentes que se empenham para se vestirem da mesma forma, como os companheiros de escritório que formam grupos homogêneos no trabalho…
Às vezes, é melhor que nos critiquem por sermos diferentes do que nos comparem por sermos iguais aos outros, iguais aqueles que um dia nos desprezaram ou rejeitaram. 
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Na vida nos encontramos com muitas situações semelhantes a que são representadas nesse curta. A chegada de um estranho revoluciona a comunidade, a classe de alunos do ensino médio, o quarteirão de vizinhos, o grupo do bairro.

Nossos quinze passarinhos azuis descobrem chocados a chegada desse pássaro grande e excêntrico. Longe de integrá-lo, longe de responder à sua amável chegada, iniciam um cochicho ensurdecedor como pequenos urubus que conspiram com olhos ameaçadores.

  • Ser diferente é visto geralmente como uma ameaça, porque supõe ter que questionar nosso próprio estilo de vida, aquele que já está estável, sob controle e nos oferece segurança.
  • Ser parte de um grupo e cuidar de semelhanças comuns é uma aspiração para aqueles que têm autoestima baixa e não têm uma identidade própria. Se adoto a identidade do grupo e me deixo levar, me sentirei seguro.
  • Ser diferente não é um problema, na realidade o problema é dos outros por se negarem a aceitar quaisquer outras perspectivas e enriquecerem sua visão de mundo a partir do que não é igual a eles.
  • O ser diferente deveria ser positivo, por nos dar a oportunidade de aproveitar ser autênticos e únicos. Algo de que poucas pessoas podem se orgulhar.

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Há um aspecto maravilhoso no curta: a atitude do protagonista, o modo como o pássaro estranho e excêntrico faz frente ao grupo de pássaros revoltosos que veem sua presença no fio elétrico com tanto receio.

Seu sorriso não se desfaz em nenhum instante, é seu cartão de visitas, sua força e seu encanto. Esse sorriso amável se torna em instantes uma expressão curiosa e também piedosa, porque diante de um grupo de criaturas negativas e antipáticas, as únicas forças que valem, sem dúvida, são a bondade e a amabilidade

Ele não se dá por vencido. Não se importa que nenhum dos passarinhos devolva seu cumprimento. Não se importa também que não lhe deem um lugar no fio elétrico. Nosso protagonista resiste e persiste, e longe de ir devagar para quebrar o gelo, decide se acomodar no centro de todos os outros.

Esse ato atrevido desperta muitas críticas, cochichos, batidas irritantes e gestos adoráveis que nos arrancam mil sorrisos e sonoras gargalhadas. O desfecho do curta é um dos mais épicos da Pixar, tanto que em 2001 venceu o Oscar por melhor curta de animação, junto com o prêmio Annie e outra menção no Festival de Sitges.

Em alguns momentos, nosso empenho por sermos todos iguais e semelhantes pode nos deixar despidos de nossas próprias características. Isso não acontece com as pessoas que são autênticas e sabem que ser diferente é ser especial.

Clique aqui para assistir ao curta “For the Birds”

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