Como deixar de reagir e começar uma vida criativa

outubro 11, 2019
A pessoa criativa é ousada e desafiadora. Quando a vida a atinge, ela não reage se deixando cair, mas age de maneira inovadora, aproveitando as dificuldades, intuindo oportunidades, ouvindo a sua intuição e dando respostas originais.

Deixar de reagir e começar uma vida criativa requer assumir um grande desafio. Acima de tudo, significa ousar quebrar velhos padrões e costumes que nos fazem andar em círculos. Criatividade é sinônimo de autoinvenção e ousadia, duas palavras que, bem conjugadas, nos ajudam a ter uma realidade mais livre, de acordo com o nosso potencial.

Frequentemente, quando abordamos a questão da inovação e a importância de fazer uso de uma mente criativa, assumimos que essa competência exige apenas a capacidade de produzir ideias novas e diferentes. A criatividade vai além do universo cognitivo, porque o que exige de nós é ação.

Essa foi a conclusão alcançada na última conferência mundial sobre o assunto, realizada no Instituto Marconi de Criatividade em Bolonha, Itália. Uma ideia é inútil se não for transformada em ação. Um projeto não será realizado se não combinarmos compromisso, responsabilidade e ousadia.

Por exemplo, Sherlock Holmes nunca teria existido se Conan Doyle não tivesse trabalhado meticulosamente em seus textos, até mesmo relegando a sua carreira como médico.

Enquanto isso, Beethoven compôs a Nona Sinfonia quando já não ouvia mais. Poderíamos dar milhares de nomes para entender que ser criativo é mais do que ser imaginativo. Requer tenacidade, ousadia e até sacrifício.

“Quando ouvir uma voz dentro de você dizendo ‘Você não pode pintar’, então pinte, com toda a sua força e de todas as formas que puder, e a voz será silenciada”.
– Vincent Van Gogh –

Rapaz com globo de luz nas mãos

Como deixar de reagir: a importância de agir e se atrever

Não pense, dizia Ray Bradbury, pensar é inimigo da criatividade, apenas se atreva a fazer. Esta frase contém vestígios valiosos de sabedoria que merecem ser levados em consideração.

Muitos de nós nos acostumamos a reagir à vida; certos eventos acontecem e simplesmente reagimos diante deles como folhas ao vento que são levadas aqui e ali.

Esquecemos que, entre o estímulo e a resposta, existe um espaço de tempo muito importante onde reside a nossa capacidade de ser livres. É a nossa oportunidade para agir de forma diferente e inovadora.

Assim, estudos realizados pela American Psychological Association (APA) em colaboração com as Universidades de Amsterdã trouxeram evidências de que o fato de iniciar uma vida criativa melhora significativamente os índices de bem-estar.

A criatividade que se traduz em ação nos ajuda a deixar para trás padrões de comportamento negativos. Graças a ela, interagimos melhor com nós mesmos, porque o desejo e o comportamento andam de mãos dadas.

Além disso, teremos mais opções quando surgir um problema porque a pessoa criativa é quem impulsiona o mundo. Agora, como conseguir isso? Como iniciar uma vida criativa quando a nossa realidade é tão rotineira, inflexível e estruturada? Estas seriam algumas chaves.

Pensamento lateral

O pensamento lateral foi um conceito introduzido por Edward de Bono em 1967 em seu livro ‘O uso do pensamento lateral’. Neste trabalho, ele estabeleceu um avanço excepcional nos fundamentos da criatividade. Mas, em que consiste esta proposta?

  • O pensamento lateral nos ajuda a ver os problemas a partir de novas perspectivas.
  • É ir além do sentido lógico, é brincar com a realidade, fazer combinações, procurar relações, desafiar, quebrar velhos esquemas…
  • Além disso, essa técnica nos incentiva a provocar o pensamento para escolher caminhos novos e inexplorados.
  • É ir além do simples conforto da lógica.
Silhueta de mulher diante do pôr do sol

Para deixar de reagir, liberte-se do ‘tenho que’

A nossa mente carrega o peso dos “deveria” e “tenho que”. São dois inimigos vorazes que nos sujeitam a uma vida regida por obrigações, estresse e ansiedade por não conseguirmos cumprir esses mandatos internos.

Precisamos desativar todos esses pensamentos e reformulá-los. Haverá coisas que obviamente devemos realizar. No entanto, se analisarmos cada galho dessas florestas mentais, perceberemos que muitos deles são inúteis.

Eles nos impedem de crescer, de florescer… Portanto, não hesite em “podar” tudo que alimenta um sofrimento inútil.

Experimente coisas novas, deixe-se levar

Para deixar de reagir e iniciar uma vida mais criativa, como observado pelo Dr. Scott Barry Kaufman, Diretor Cientista do Instituto de Imaginação do Centro de Psicologia Positiva da Universidade da Pensilvânia, temos que ousar fazer coisas diferentes.

A criatividade não surge no meio de cenários de pressão. A rotina oxida motivações, sonhos, ideias inovadoras e intuições.

Às vezes, não há outra escolha a não ser se afastar para ter uma melhor perspectiva. Ser capaz de sair da nossa bolha diária oferece um novo brilho aos nossos olhos, além de incentivos à nossa mente e sonhos ao coração.

Mergulhar em novas experiências significa, por exemplo, ser capaz de abrir as nossas mentes, aprender, ler tudo o que cai em nossas mãos, conhecer pessoas, conectar-se à nossa realidade em outro nível, etc.

Iniciar uma vida criativa nos ajudará a parar de reagir a tudo que acontece conosco. Se algo nos atingir, não reagiremos por inércia, o faremos de maneira inovadora para nos adaptarmos melhor, para ganhar em audácia e resiliência.

Somente assim moldaremos a realidade que queremos, aquela que está alinhada com os nossos valores e desejos.

  • Ivcevic, Z., & Hoffmann, J. D. (2019). Emotions and creativity: From process to person and product. In J. C. Kaufman & R. S. Sternberg (Eds.). Cambridge Handbook of Creativity (pp. 273-295). New York: Cambridge University Press.
  • Baas, M., De Dreu, C. K. W., & Nijstad, B. A. (2008). A meta-analysis of 25 years of mood-creativity research: Hedonic tone, activation, or regulatory focus? Psychological Bulletin, 134(6), 779–806. DOI:10.1037/a0012815
  • Ivcevic, Z., & Brackett, M. (2015). Predicting creativity: Interactive effects of Openness to Experience and Emotion Regulation Ability. Psychology of Aesthetics, Creativity and the Arts, 9, 480-487. http://dx.doi.org/10.1037/a0039826