Dependência saudável no amor, segundo Brené Brown

Nutrir a dependência no amor é se permitir ser vulnerável com seu parceiro. É poder nos abrir emocionalmente para o outro, sabendo que seremos compreendidos e respeitados. É ter no casal o melhor aliado da vida.
Dependência saudável no amor, segundo Brené Brown

Última atualização: 29 maio, 2022

A dependência saudável no amor existe e se baseia no vínculo da intimidade. É poder criar com o outro uma ligação positiva alimentada pelo afeto recíproco, pela preocupação autêntica de um pelo outro e também pela confiança. Brené Brown, a famosa escritora, professora e pesquisadora da Universidade de Houston, aprofundou-se nesse aspecto para esclarecer mais de um conceito.

Dizemos o último por um motivo singular. Por muitos anos temos enfatizado todas as dimensões negativas e perigosas da dependência nas relações de casal. Um exemplo disso são muitos dos preceitos e ideias que o doutor em psicologia e também escritor de sucesso Walter Riso nos transmitiu. E, de fato, existem muitas variáveis adversas associadas a essa dimensão.

No entanto, no contexto de uma relação de casal, inevitavelmente haverá sempre um certo vínculo de dependência. E isso deve sempre se basear no apoio mútuo e no trabalho constante para construir um refúgio compartilhado para crescermos juntos. Mas sem nunca deixar de ser si mesmo e muito menos, sem tentar dominar o outro.

Essa é a chave, saber construir uma união forte e saudável na qual nos sintamos identificados por meio de dinâmicas enriquecedoras, comprometidas e recíprocas.

Permanecer vulnerável é um risco que temos que correr se quisermos experimentar a conexão.

Brene Brown

Rapaz acariciando seu parceiro simbolizando dependência saudável no amor
A relação de casal feliz faz uso de um conjunto de equilíbrios entre dependência e independência saudável

Dependência saudável no amor: como praticá-la

É possível que mais de um de vocês continue sendo contrariado pelo termo “dependência saudável do amor”. Desde quando pode ser saudável “precisar” de um parceiro? Bem, a verdade é que os seres humanos precisam de outras pessoas para garantir nosso bem-estar emocional. O amor precisa de um tipo saudável de apego para sobreviver e se desenvolver na relação de casal.

O neurologista e psiquiatra Amir Levin, juntamente com a psicóloga social Rachel Heller, escreveram um livro muito esclarecedor sobre o assunto. Em Attached, eles definem a dependência saudável como um componente essencial em um relacionamento de namoro. É um tipo de convivência baseada na intimidade e na cumplicidade, onde não há espaço para medo ou desconforto.

No entanto, destaca-se sobretudo o enfoque que Brené Brown deu ao assunto em seu livro O poder da vulnerabilidade. A dependência saudável no amor é aquela em que nos permitimos ser vulneráveis com nosso parceiro. A proximidade honesta de um com o outro é o que origina essa aliança que nos fortalece. Sabemos que temos um apoio inquestionável na pessoa amada e isso afeta nossa felicidade.

Todos nós precisamos criar um vínculo de dependência saudável em nossos relacionamentos. Isso nos permite amar e ser amados, ajudar e ser ajudados, e também ter aquela figura especial com a qual podemos ser vulneráveis e revelar nossas necessidades mais profundas.

Compromisso emocional

O casal deve ser um apoio, não um campo minado em que nunca sabemos onde pisar para que o outro não se irrite. O parceiro deve oferecer paz e não tempestades. Saber que podemos contar com alguém para expor nossas fraquezas, nossos medos e necessidades é o que nos dá um autêntico bem-estar psicológico.

Uma dependência saudável começa a partir dessa conexão que vai além da simples gratificação sexual. Dependemos do outro porque é nosso suporte diário para compartilhar desde anedotas até problemas sérios. É conviver com um aliado vital e emocional. Quanto maior o compromisso emocional construído entre dois, mais valioso será esse relacionamento.

Independência e dependência saudável no amor: a felicidade está no equilíbrio

Se a dependência saudável no amor é um componente central em todos os relacionamentos, a independência saudável também o é. Essas duas dimensões, longe de serem antagônicas, se complementam. Em qualquer relacionamento, sem dúvida precisamos da proximidade, apoio e amor do nosso parceiro. Mas também queremos — e precisamos — cuidar de nós mesmos, ter nossos próprios projetos vitais.

O amor verdadeiramente enriquecedor é aquele que, em vez de subordinar, oferece impulso e liberdade para a realização pessoal de cada membro da relação. A felicidade está nesse equilíbrio sutil entre apego e liberdade, entre dependência e independência. Essa dinâmica de forças sempre será possível graças a um componente nuclear: a confiança.

Trabalhos de pesquisa como o realizado na Universidade de Freiburg nos dizem algo que realmente já sabemos: a confiança é e sempre será esse requisito essencial em qualquer relacionamento de casal feliz.

Casais que confiam um no outro sabem como manter um equilíbrio adequado entre dependência e independência.

Relacionamentos saudáveis são um abrigo de apoio e segurança emocional

Dependência saudável é não precisar do outro a ponto de não conseguir viver sem ele. A dependência enriquecedora é aquela que encontra apoio no parceiro para tomar suas próprias decisões e continuar com seus projetos vitais. Pois o parceiro deve ser o melhor aliado, o melhor refúgio, o melhor cúmplice diário.

Construir relacionamentos saudáveis não é uma tarefa fácil. Precisamos entender bem certos conceitos. E, acima de tudo, nunca devemos esquecer que sem intimidade, sem essa capacidade de sermos vulneráveis um com o outro, o relacionamento nunca será satisfatório.

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  • Brown, B. (2012). The power of vulnerability. Sounds True Audio
  • Covey, S. (1989). The seven habits of highly effective people. Free Press
  • Levine, A. & Heller, R. S. F. (2010). Attached: The new science of adult attachment. Tarcher/Penguin
  • Kluwer ES, Karremans JC, Riedijk L, Knee CR. Autonomy in Relatedness: How Need Fulfillment Interacts in Close Relationships. Pers Soc Psychol Bull. 2020 Apr;46(4):603-616. doi: 10.1177/0146167219867964. Epub 2019 Aug 8. PMID: 31390934; PMCID: PMC7057354.