A curiosa relação entre a depressão e a cor cinza

Segundo um estudo realizado na Universidade de Friburgo (Alemanha), não é à toa que os pintores de todos os tempos representaram a tristeza com imagens com pouca luz. Existe uma relação direta entre a depressão e a cor cinza.
A curiosa relação entre a depressão e a cor cinza

Última atualização: 25 Julho, 2021

Sempre se falou sobre a relação existente entre a depressão e a cor cinza. Na verdade, quando uma pessoa está triste, ela pode dizer que tudo está cinza ou que o mundo perdeu a cor. A ciência comprovou que isso não é apenas uma metáfora, pois esse efeito visual efetivamente acontece.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, estima-se que a depressão possa afetar cerca de 300 milhões de pessoas no mundo. É uma estimativa, pois muitos casos não são notificados. Algumas pessoas não acreditam que se trata de um problema que exige cuidados profissionais.

“A tarde estava tão cinzenta quanto a estação, quanto a cidade, quanto eu. Me sinto cinza por dentro e por fora”.
-Mario Levreno-

Da mesma forma, não é fácil fazer o diagnóstico desse problema, pois nem todo estado de tristeza equivale a estar deprimido em sentido estrito. Portanto, a relação entre a depressão e a cor cinza poderia ser uma nova forma de diagnosticar esse problema com maior precisão.

A tristeza dos dias cinzentos

Entendendo a depressão

É importante notar que a psiquiatria e a psicanálise definem e abordam a depressão de uma maneira diferente. Na psiquiatria e na maioria das correntes de psicologia, a depressão é um transtorno por si só. Na psicanálise, em contrapartida, ela é considerada um sintoma.

No campo da psiquiatria, a depressão é abordada como uma doença grave que gera diversos sintomas físicos e mentais. Os setores mais organicistas dessa ciência enfatizam a relação entre a química do cérebro e os estados depressivos. Por isso, tratam o problema principalmente por meio de medicamentos.

Na psicanálise, não existe uma estrutura chamada depressão. Ela é, na verdade, um sintoma de uma estrutura neurótica ou psicótica. Trata-se de um sentimento de ódio por si mesmo, que na verdade é um ódio não reconhecido por outra pessoa. Surge quando se experimenta o fracasso e conduz à perda de esperança. É tratada por meio da palavra.

Na realidade, as duas abordagens se complementam, embora na prática tenham se tornado divergentes. Cada experiência de vida gera reações químicas no cérebro. E vice-versa. O cérebro é um órgão plástico, que muda tanto em função de uma substância quanto em função de uma experiência, como a palavra.

A depressão e a cor cinza

Atualmente, muitas pesquisas estão em andamento para compreender melhor o cérebro do ponto de vista orgânico e fisiológico. Uma dessas pesquisas foi realizada na Universidade de Friburgo, na Alemanha. Foi nesse local que uma relação direta entre a depressão e a cor cinza foi descoberta.

Mais especificamente, os cientistas descobriram que pessoas deprimidas têm muita dificuldade para detectar o contraste entre o preto e o branco. Isso foi concluído após a aplicação de eletrocardiogramas na retina do olho em um grupo de voluntários.

A pesquisa foi liderada pelo Dr. Ludger Tebartz van Elst. De acordo com suas medições, as pessoas deprimidas veem o mundo como se ele estivesse sendo exibido em uma televisão com o contraste da cor reduzido. Quanto maior a depressão, menor é a capacidade de visualizar o contraste das cores.

Homem deprimido

O diagnóstico

O fato de ter sido encontrada essa relação entre a depressão e a cor cinza pode se tornar um indicador confiável para diagnosticar tanto a presença quanto o nível de depressão nas pessoas. A revista Biological Psychiatry confirmou que esse seria um método diagnóstico mais objetivo do que se utiliza atualmente.

Devemos lembrar que, atualmente, a depressão é diagnosticada, principalmente, a partir dos critérios dos profissionais de saúde, especialmente psicólogos e psiquiatras. Esses profissionais entrevistam o paciente e perguntam sobre seu estilo de vida, suas perspectivas e vários sintomas. A partir disso, eles concluem se a pessoa tem depressão ou não. No entanto, obviamente, nem sempre são feitos diagnósticos precisos.

Com a descoberta da relação entre a depressão e a cor cinza, que é perfeitamente mensurável fisicamente, pode haver avanços significativos no plano do diagnóstico. Não apenas seria possível confirmar se, de fato, a pessoa sofre de depressão, mas sua intensidade também poderia ser calculada.

De qualquer forma, esse tipo de diagnóstico teria que ser avaliado integralmente. Não é preciso dizer que nem todo estado de tristeza é uma depressão em si. O contexto, a duração, o estado de saúde e outras variáveis ​​devem ser avaliadas.

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  • Estévez, A. M., & Calvete, E. (2009). Mediación a través de pensamientos automáticos de la relación entre esquemas y síntomas de depresión. Anales de Psicología/Annals of Psychology, 25(1), 27-35.