Design gráfico e psicologia: qual é a relação entre eles?

Os objetos com os quais interagimos evocam sensações e percepções. O design gráfico e a psicologia estudam essa relação que vamos explorar a seguir.
Design gráfico e psicologia: qual é a relação entre eles?

Última atualização: 25 março, 2022

Cada forma, cada letra e cada cor exercem uma influência quando interagimos com elas. Por isso, diferentes estratégias de marketing enfatizam esses aspectos para o crescimento das empresas. Mas como será que eles agem sobre nossos pensamentos e sentimentos? Buscaremos uma resposta através do design gráfico e da psicologia.

Essas duas disciplinas estiveram relacionadas desde o início, mas o seu vínculo está se tornando mais visível atualmente por meio de processos de formação que mostram como é produtivo explorar essa relação para entender diferentes fenômenos.

Através deste post, mostraremos qual é o seu vínculo. Para isso, vamos explorar várias áreas da psicologia e mostrar como essas duas disciplinas trabalham em conjunto. Além disso, também vamos apresentar alguns exemplos da aplicação de ambas.

Design gráfico e psicologia: o vínculo

Para começar, é importante compreender a que se dedica cada uma dessas disciplinas. A psicologia se dedica ao estudo e intervenção do comportamento, cognição e emoções enquanto o design gráfico se concentra na projeção da comunicação visual. Em outras palavras, é uma arte e um processo em que uma mensagem é comunicada por meio de texto, fotografias, figuras, etc., buscando justamente que esses elementos destaquem ainda mais a mensagem.

Então, qual é o vínculo entre as áreas? Ambas trabalham com o ser humano. De fato, ambas intervêm em seus pensamentos, sentimentos e comportamentos. Apenas a abordagem é diferente.

psicólogo fazendo terapia psicológica

As pessoas geralmente procuram um psicólogo para o seu autoconhecimento, para aprimorar habilidades, para encontrar uma solução para um problema, etc. Enquanto isso, procuram um designer gráfico quando querem transmitir uma mensagem para um público específico (alvo) de forma eficaz, seja para a sua marca ou para a de uma empresa.

Além disso, ambas áreas trabalham com a comunicação. No caso do psicólogo, ao estabelecer um vínculo terapêutico com o seu paciente. No caso do designer gráfico, ao transmitir a mensagem de forma mais eficaz ao(s) seu(s) destinatário(s) potencial(is) por meio da utilização de elementos gráficos.

Por outro lado, os profissionais de ambas áreas se conectam com as pessoas. Para isso, devem ter habilidades como a empatia, pois assim será mais fácil entender a pessoa ou empresa com quem venham a trabalhar.

Além disso, tanto psicólogos quanto designers gráficos devem levar em consideração a singularidade de cada pessoa. Ou seja, a forma como cada um de nós é único. Para isso, dão ênfase às características que possuímos.

Como essas duas áreas trabalham?

O design gráfico e a psicologia podem trabalhar de mãos dadas. Veremos em quais áreas e como isso é feito:

  • Marketing. Ambas as disciplinas podem trabalhar com técnicas e estudos que têm como objetivo melhorar a comercialização de um produto ou serviço. Na psicologia, isso é feito por meio da psicologia do consumidor, enquanto no design gráfico isso é feito através de criação multimídia, ilustração, interfaces gráficas, infografia, identidade de marca, produção artística, desenvolvimento da imagem visual, criação de logotipos, textos, etc..
  • Cognição. Através de modelos mentais. Ou seja, o processo de mapear o que uma pessoa entende sobre o mundo. Assim, a ideia é tentar descobrir o processo intuitivo do público. Isso é usado por profissionais de ambas as áreas para saber como intervir. Então, isso é aplicado de acordo com a sua área: no caso do designer, para replicar esses modelos no design e no do psicólogo, para identificar padrões e traduzi-los para o seu paciente, ou para entender públicos e dar o seu ponto de vista na empresa, seja para os recursos humanos ou para o marketing.
  • Gestalt. Esta área explora como os elementos são visualmente percebidos entre si. Seus princípios se concentram especificamente na forma como os elementos do design se agrupam. Na psicologia, a Gestalt representa toda uma corrente que tem como um de seus focos de atenção a configuração pela qual os elementos chegam a partir das sensações, percepções ou da própria memória, utilizando a disposição das figuras como metáforas ou analogias.
  • Mecanismos inconscientes. Ambas as áreas podem estudar os sentimentos, emoções e comportamentos provocados por diferentes aspectos, tais como formas, cores e textos.

Por outro lado, veremos como exemplo alguns conceitos que podem ser usados em ambas as áreas.

  • Proximidade. Quando os objetos são colocados próximos uns dos outros, eles são vistos como um grupo.
  • Semelhança. Objetos que se parecem são percebidos como um único objeto ou como parte do mesmo grupo.
  • Fechamento. Quando uma forma é percebida como um todo, mesmo quando o objeto não está completamente fechado.
  • Continuidade. Quando se passa naturalmente de um objeto para outro.
  • Figura de fundo. Nas ocasiões em que a figura é separada do fundo circundante.
  • Reações viscerais. Situações em que algo nos atinge instintivamente.
  • Cor. Cada cor está ligada a um registro específico de emoções. Por exemplo, o amarelo geralmente é associado à felicidade e à fome, o vermelho à impulsividade, o branco à pureza, o azul à saúde, o laranja ao entusiasmo e o verde à natureza, entre outros exemplos.
  • Complexidade. Transmite desafio e, por isso, pode ou não nos atrair.
  • Homogeneidade. Ao aumentar a coerência entre as diferentes características do estímulo, geralmente também se melhora a sensação que ele produz.
  • Identificação. Quando nos sentimos atraídos ou reconhecidos por algo ou alguém, podemos achar isso agradável.

Em suma, o ser humano possui emoções, pensamentos e comportamentos que podem ser evocados por meio de diferentes estímulos. No entanto, de acordo com o que forem, vão provocar sensações e percepções diferentes. Isso é enfatizado tanto pelo psicólogo quanto pelo designer gráfico, embora o objetivo seja diferente.

Pessoas reunidas falando sobre design gráfico

Exemplos da aplicação do design gráfico e da psicologia

Vejamos alguns casos em que a intervenção de ambas as disciplinas pode ser evidenciada:

  • Coca-cola. Utiliza estratégias para tentar alcançar o coração de seus consumidores. É uma marca que tenta buscar a identificação dos usuários. Suas estratégias se baseiam na transmissão de aspectos inerentes ao ser humano, tais como a felicidade.
  • Unika. Esta é uma agência criativa apaixonada por desenvolver estratégias e criar comunidades para aumentar o engajamento da sua marca. Mergulham no imaginário social e enfatizam a autenticidade de cada cliente para criar conceitos específicos e propostas de valor que geram grande impacto empresarial.
  • Arteterapia. Concentra-se nos mecanismos inconscientes da pessoa e na forma como eles influenciam o seu mundo afetivo e cognitivo e sua forma de agir. Cada forma, cada textura e cada som evocam e transmitem algo.
  • Pesquisa. O uso de sensações e percepções como um fator que influencia uma sociedade cada vez mais eficiente e ativa é algo estudado em nível científico e publicitário. Por exemplo, no livro La influencia del Aspecto en la eficiencia del mensaje gráfico publicitario (“A influência do Aspecto na eficácia da mensagem publicitária gráfica” em tradução livre)  mostra-se como a abordagem psicológica e comunicativa oferece amplos caminhos para o avanço do conhecimento científico e da publicidade gráfica.

Conforme vimos ao longo do texto, o design gráfico e a psicologia podem se complementar e trabalhar de mãos dadas, embora o objeto seja diferente em cada área. Talvez onde mais convergem seja o campo da publicidade; de fato, profissionais de ambas as áreas podem trabalhar para a mesma empresa.

Para deixar a relação ainda mais clara, você pode olhar ao seu redor e ver o que cada objeto provoca em você, assim como cada cor, cada textura, cada forma, cada letra…

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