Don’t F**k With Cats: uma caçada online

junho 8, 2020
Neste artigo (contém spoliers), falamos sobre um delirante e delicioso suspense, baseado em fatos reais. Esta série documental é sobre um psicopata que assassina gatos e publica os vídeos na Internet. Alguns internautas o monitoram e investigam buscando justiça.

“Don’t F**k With Cats: Uma caçada online” é o melhor título possível para esta delirante série de suspense que prende desde o primeiro minuto. De repente, vídeos perturbadores de maus-tratos sofridos por gatos geram tensão entre alguns usuários da Internet. Eles decidem investigar quem pode estar por trás de tais atos abomináveis, e sua investigação acaba ficando muito à frente da polícia.

Este documentário, “Don’t F**k With Cats: Uma caçada online”, é baseado em fatos reais. Essa é a história do assassino canadense Luka Magnotta. A série conta como um grupo de detetives amadores da Internet empreende uma campanha para capturar Magnotta.

Don't F**k With Cats

Don’t F**k With Cats: quem é Luka Magnota?

Magnota nasceu como Eric Kirk Newman, filho de pais adolescentes em Toronto no ano de 1982. Seus pais se separaram e há histórias diferentes e contraditórias a respeito da sua infância.

A mãe de Luka, Anna Yourkin, descreveu o pai como um “nazista orgulhoso” e um cônjuge abusivo. O pai de Luka, testemunhando durante o julgamento de seu filho, descreveu-se como esquizofrênico e atribuiu o abuso na família à sua ex-esposa, mãe de Luka Magnotta.

Família desestruturada e bullying

Sua mãe se casou novamente, mas ela também descreveu seu novo marido como um homem abusivo. Educado em casa até o ensino médio, Magnotta foi vítima de bullying quando frequentou a escola. Ele abandonou os estudos antes de obter seu diploma. Passou um tempo em hospitais psiquiátricos e morava em uma casa em grupo.

Durante uma visita ao hospital quando ele ainda era adolescente, Magnotta disse que estava tendo alucinações. Ele foi diagnosticado com esquizofrenia paranoide.

Em um de seus primeiros crimes documentados, Magnotta foi condenado por fraude em 2004. Ele roubou o cartão de crédito de um amigo e acumulou cerca de US$ 17.000 em dívidas. Começou uma carreira malsucedida como ator e modelo, stripper, guarda-costas e ator pornô.

Don’t F**k With Cats…

O que é tão surpreendente nessa série documental é que ela se desenrola como um verdadeiro suspense, com reviravoltas que ninguém espera, um elenco de heróis da Internet cuja engenhosidade prende a todos e um assassino cuja identidade real irá deixá-lo atordoado quando finalmente for exposta.

Um menino, dois gatos

Tudo começa com Deanna Thompson, uma analista de dados de cassino de Las Vegas obcecada pela Internet. Deanna encontrou, em 2010, um vídeo intitulado 1 menino, 2 gatinhos. O clipe mostrava um jovem de capuz matando dois gatinhos e colocando-os em um saco selado a vácuo.

Horrorizada com o que acabara de ver, ela iniciou um protesto online e criou um grupo para encontrar o cruel assassino. Graças a um grupo do Facebook, ela entrou em contato com John Green, um homem de Los Angeles que também ficou indignado com o vídeo.

Crueldade com gatos

Este jovem não parou e publicou outro vídeo em que alimentou uma píton com um gato indefeso. Depois disso, publicou um terceiro vídeo de gatos recém-nascidos que afogou cruelmente. Deanna Thompson e John Green sabiam que tinham que prendê-lo antes que ele passasse para a sua próxima vítima, que já poderia ser um ser humano.

Usando várias ferramentas tecnológicas, como Google Maps e dados de GPS embutidos em uma foto, eles finalmente encontraram um nome e um local: Luka Magnotta de Toronto, Canadá. No entanto, foi uma corrida contra o relógio. Esse jovem estava pronto para um crime pior e a polícia ainda não ouvira as queixas dos internautas.

Um lunático, um picador de gelo

Em 2012, Luka Magnotta levou Jun Lin, um estudante de engenharia chinês, para seu apartamento em Montreal. Lá, ele o agrediu sexualmente, esfaqueou-o várias vezes, massacrou-o e desmembrou-o. Ele até comeu algumas de suas partes, tudo na frente de uma câmera. Então, ele postou o vídeo na Internet.

Posteriormente, o corpo desmembrado de Jun Lin foi encontrado com várias evidências incriminatórias. Além disso, Magnotta enviou a mão e o pé do morto para a sede do Partido Liberal e Conservador em Montreal.

A forma como foi possível encontrá-lo é o enredo da série em si, o que lhe dá ritmo e consistência. É por isso que é melhor não revelar o final neste artigo, apenas destacar a incrível coragem e inteligência dos internautas para localizar Luka, com uma polícia que sequer seguiu seus rastros.

Cena de Don't F**k With Cats

Onde está Luka Magnotta agora?

Luka Magnotta alegou ser apenas uma vítima e disse que, por trás de tudo isso, havia um desconhecido chamado Manny. No entanto, as investigações não confirmaram a existência desse homem e foi determinado que a única pessoa responsável era Magnotta. Em dezembro de 2014, ele foi condenado por assassinato em primeiro grau e condenado à prisão perpétua.

Magnotta está cumprindo sua sentença de prisão na prisão de Port-Cartier, em Quebec. Em 2017, ele se casou com outro preso assassino condenado.

Na série da Netflix, os investigadores policiais e os detetives amadores da web teorizam que Magnotta era fascinado por serial killers e por filmes como Instinto Selvagem e Psicopata Americano. A conclusão é de que ele cometeu seus crimes por um desejo perverso de notoriedade e fama.

A família de Lin Jun viajou da China para o julgamento de Magnotta e seu pai Lin Diran fez uma declaração de partir o coração. “Em uma noite, perdemos uma vida inteira de esperança”.

“Vim ver o seu sistema de julgamento para ver se a justiça é feita e estou satisfeito por não decepcionar meu filho. Vim descobrir o que aconteceu com meu filho naquela noite e saio sem uma resposta verdadeira ou completa. Vim ver remorso, ouvir algum tipo de pedido de desculpas, e vou embora sem nada”, escreveu ele.