Efeito Golem: conceitos e características

· setembro 12, 2018

Faz mais de 20 séculos que Pitágoras já dizia: “Eduque os seus filhos e não será necessário castigar os homens”. O desconhecido Efeito Golem aposta justamente na ideia contrária. Vamos conhecer um pouco mais sobre ele a seguir.

Antes de tentarmos entender o Efeito Golem, também conhecido como Efeito Pigmaleão negativo, é interessante lembrar no que consiste o Efeito Pigmaleão a partir de um ponto de vista psicológico.

Efeito Golem vs. Efeito Pigmaleão

Entendemos por Efeito Pigmaleão o que acontece quando uma pessoa, por pensar que pode criar um poder de influência sobre outra, acaba ela mesmo recebendo essa influência. Por isso, o efeito tem bastante relação com as expectativas, e está muito relacionado com outro efeito, o da profecia autorrealizável – que diz que nós observamos a realidade como acreditamos que ela seja, de forma que, por sua vez, ela acabe de fato se tornando de acordo com o que acreditávamos inicialmente pois agimos como tal.

Crianças aprendendo em sala de aula

Obviamente, esse efeito é primordial na educação e desenvolvimento das crianças. Professores, pais e tutores têm uma tendência a incentivar que as crianças tentem explorar suas potencialidades para que elas possam fazer tudo aquilo que se proponham, tornando-se capazes. No entanto, só fazemos isso se temos expectativas positivas, e então acabamos tornando nossa expectativa realidade a partir de nossas ações.

Como dizia Pitágoras, isso faz parte de ensinar as crianças para que sejam adultos mais equilibrados e seguros de si mesmos.

Infelizmente, o que estamos trazendo hoje aqui é o efeito contrário. O efeito Golem é o inverso do efeito Pigmaleão. Nesse processo chamado de Efeito Golem, um terceiro condiciona, por suas expectativas negativas, que uma criança tenha sua autoestima rebaixada e não se considere capaz de realizar seus objetivos.

Tanto o Efeito Golem quanto o efeito Pigmaleão retroalimentam a criança. Se uma criança é incentivada e alcança seu objetivo, sentirá que é capaz de ir muito mais além. Caso contrário, se acreditar que é incapaz e inferior, dificilmente colocará metas para si mesma que a ajudem a crescer.

“Em cada criança, deveríamos colocar um cartaz escrito: cuidado, contém sonhos frágeis”.
-Mirko Badiale-

Em que contextos podemos observar o efeito Golem?

Curiosamente, tanto o Efeito Golem quando o efeito Pigmaleão são reproduzidos de maneira constante no ambiente escolar e acadêmico. Infelizmente, hoje está muito presente também em alguns nichos sociais e ambientes de trabalho.

No que diz respeito ao aspecto educativo, Jacobson y Rosenthal foram os pesquisadores que estudaram o efeito com maior afinco. Eles se dedicaram a investigar o funcionamento da profecia autorrealizável, e observaram que muitos professores faziam certas classificações de seus alunos, ainda que inconscientes.

Assim, e de forma completamente irracional, eles acabavam influenciando o rendimento dos alunos, já que facilitavam por meio de suas ações que suas expectativas em relação a cada aluno se cumprissem.

Um exemplo poderia ser visto naquele tipo de professor que pensa que um aluno é menos inteligente que o outro. Dessa forma, o mais provável que é que as metas que o professor vai estipular para o que ele considera menos inteligente sejam muito mais simples, de forma que, mesmo sem querer, fará com que ele termine com menos conhecimento.

Professor dando aula

Podemos reverter ou impedir este efeito?

A verdade é que é muito difícil impedir esse efeito. Sigamos com o exemplo dado anteriormente sobre um professor: este gera expectativas em relação a seus alunos, de maneira automática e com pouca informação sobre eles, e então ele atua no mundo em função dessas expectativas, fazendo com que elas finalmente se cumpram.

Segundo os dados disponíveis, as crianças que recebem uma estimulação mais consistente acabam obtendo um melhor rendimento acadêmico. Dessa forma, o fenômeno se retroalimenta, em um ciclo de Efeito Golem em algumas crianças e outro ciclo de Efeito Pigmaleão em outras.

Como é lógico, o primeiro passo para conseguirmos impedir esse fenômeno negativo seria tomar consciência sobre ele. Especialmente os professores, mas também estamos falando dos pais ou familiares e tutores que devem ser conscientes do quão perverso e repleto de consequências pode ser esse efeito.

Além disso, esse efeito tem consequências que vão além do mundo acadêmico. Pensemos que, por exemplo, o rendimento de uma criança na escola pode acabar afetando também a sua autoestima como um todo.

Por outro lado, saindo um pouco do terreno da educação, também podemos observar esse efeito, assim como seu efeito contrário, no ambiente de trabalho. É comum que os chefes tenham expectativas sobre seus empregados, que tenham ações com base nessas expectativas e, assim, por meio da forma como agem, acabem transformando as suas expectativas em realidade.

“A educação não é a preparação para a vida. A educação é a vida em si mesma.”
-John Dewey-

Na verdade, pode até mesmo ser o caso de nós sermos, ou já termos sido, vítimas inconscientes do Efeito Golem. Ao ser algo tão irracional, quase implantado em nossa consciência, não nos damos conta do sofrimento e dos prejuízos que ele provoca.

Nesse sentido, é importante testar técnicas que nos permitam, como professores, pais, chefes ou tutores, que sejamos mais conscientes e menos preconceituosos. Opções como o mindfulness ou a meditação, que buscam oferecer uma consciência mais plena, poderiam ser úteis nesse sentido.