Enxaqueca menstrual, uma realidade muito comum e silenciosa

Estima-se que quase 25% das mulheres sofram de enxaquecas durante a menstruação. São situações muito incapacitantes que, segundo os especialistas, precisam de mais atenção.
Enxaqueca menstrual, uma realidade muito comum e silenciosa

Última atualização: 07 Agosto, 2021

A enxaqueca menstrual é um fenômeno fisiopatológico muito debilitante que pode ser acompanhado por vômitos e tonturas. Geralmente, aparece alguns dias antes da menstruação e ainda está presente cerca de 48 horas após o seu início. Com isso, muitas mulheres podem se ver na situação de passar quase uma semana sentindo-se muito limitadas.

Diante da dor dessa experiência, é comum buscar ajuda médica. No entanto, os profissionais de saúde costumam receitar medicamentos que nem sempre têm o efeito esperado. Nesses casos, são os ginecologistas e neurologistas os mais bem treinados para oferecer o melhor tratamento nessas circunstâncias.

Em geral, esses tipos de enxaqueca são muito mais problemáticos do que os sintomas associados à menstruação. Isso significa que uma abordagem multidisciplinar é necessária para oferecer uma resposta mais precisa.

É comum ter dor de cabeça durante a TPM. No entanto, há mulheres que sofrem o impacto de ataques intensos de enxaqueca todos os meses.

Jovem sofrendo de enxaqueca menstrual

O que é a enxaqueca menstrual?

Como bem sabemos, a enxaqueca está diretamente associada à estimulação anormal do sistema vascular trigeminal (VTS). É um problema neurológico que ocorre com a inflamação de certos nervos cerebrais e causa uma dor de cabeça latejante, bem como fotofobia e vômito. Então, se estamos lidando com um problema vascular, o que isso tem a ver com a menstruação?

Na verdade, tem muito a ver. Para começar, a enxaqueca é uma condição que aparece em maior grau nas mulheres. A menstruação e as alterações hormonais ocorridas naqueles dias são os gatilhos para esse problema. Estudos recentes, como o publicado no The Lancet, apontam que mais pesquisas são necessárias para entender essa condição médica.

Mesmo agora, os mecanismos que orquestram a enxaqueca menstrual em si não são claros. No entanto, estamos diante de um tipo de fisiopatologia que afeta um setor muito amplo da população e, portanto, são necessários tratamentos mais eficazes.

Quais são os sintomas?

Em primeiro lugar, é importante diferenciar as enxaquecas menstruais das cefaleias tensionais, que também podem surgir antes e durante a menstruação. Estas últimas, por exemplo, causam dores nos dois lados da cabeça, e o que se vivencia basicamente é uma sensação de compressão, como se estivéssemos usando um capacete.

  • A enxaqueca menstrual aparece apenas em um lado da cabeça e a dor é aguda.
  • Ela aparece alguns dias antes da menstruação e não tende a diminuir até alguns dias após o seu início.
  • A dor não passa com os analgésicos e se intensifica com alimentos e bebidas como café, chocolate, vinho, queijo, frios, doces industrializados…
  • Sensação repentina de calor ou frio intenso.
  • Cansaço
  • Episódios de diarreia.
  • Tonturas e vômitos.
  • Maior sensibilidade à luz e também aos sons.
  • A enxaqueca menstrual pode aparecer com ou sem aura. Na enxaqueca com aura, antes que a dor de cabeça apareça, a mulher já apresenta alguns sintomas como problemas de visão, formigamento, etc.

A enxaqueca menstrual pode durar algumas horas ou, nos casos mais graves, alguns dias. Nessas últimas situações, a mulher fica muito limitada quando se trata de ser capaz de levar uma vida plena.

Quais são os gatilhos para esse tipo de enxaqueca?

Como explicamos anteriormente quando falamos sobre o estudo da Lancet, a verdade é que os gatilhos da enxaqueca menstrual ainda não são conhecidos com exatidão. Até hoje, algumas hipóteses estão sendo consideradas:

  • Esse tipo de cefaleia está associado à diminuição dos hormônios femininos, como estrogênio e progesterona.
  • Poucos dias antes da menstruação e durante os seus primeiros dias, esses hormônios caem drasticamente.
  • Além disso, há algo óbvio: mulheres que já têm enxaqueca apresentam episódios mais graves durante o período menstrual.
  • Por outro lado, fatores como estresse e má alimentação também podem exacerbar esse fenômeno.
  • A enxaqueca sempre tem antecedentes familiares.
Mulher com enxaqueca menstrual

Como a enxaqueca menstrual é tratada?

Trabalhos de pesquisa, como os realizados em 2002 na London City Migraine Clinic, sugerem duas abordagens para tratar este problema. Nos casos mais leves, pode-se optar pelos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). Por outro lado, também é comum recorrer aos triptanos, agonistas seletivos dos receptores de serotonina. São medicamentos usados nas enxaquecas agudas.

No entanto, como já indicamos, essas abordagens nem sempre funcionam conforme o esperado. O mais usual é recorrer a estratégias anticoncepcionais e, assim, regular todo o aspecto hormonal. Por outro lado, também é importante dar atenção à dieta e ao estresse. Todos os alimentos que contêm aminas, como queijos, salsicha, chocolate, bem como aditivos alimentares, tendem a aumentar a inflamação.

Para concluir, não hesitemos em consultar profissionais especializados. Seguir o tratamento médico e cuidar dos nossos hábitos de vida são medidas essenciais para reduzir o impacto das enxaquecas.

Pode interessar a você...
As fases do ciclo menstrual e suas características psicológicas
A mente é maravilhosa
Leia em A mente é maravilhosa
As fases do ciclo menstrual e suas características psicológicas

Cada uma das fases do ciclo menstrual provoca mudanças no corpo da mulher e acaba afetando seu estado emocional. Saiba mais detalhes neste artigo.



  • MacGregor EA, Chia H, Vohrah RC, Wilkinson M. Migraine and menstruation: a pilot study. Cephalalgia. 1990 Dec;10(6):305-10. doi: 10.1046/j.1468-2982.1990.1006305.x. PMID: 2289231.
  • MacGregor EA, G. Vetvick M. Menstrual migraine: a distinct disorder needing greater recognition. The Lancet, Neurology. P304-315, APRIL 01, 2021DOI:https://doi.org/10.1016/S1474-4422(20)30482
  • Macgregor E. A. (2009). Menstrual migraine: therapeutic approaches. Therapeutic advances in neurological disorders2(5), 327–336. https://doi.org/10.1177/1756285609335537