Escultura na terapia familiar: uma ferramenta surpreendente para a mudança

Às vezes a comunicação verbal falha e é necessário introduzir elementos visuais, capazes de gerar mudanças. Este é precisamente o efeito alcançado pela técnica da escultura.
Escultura na terapia familiar: uma ferramenta surpreendente para a mudança

Última atualização: 03 agosto, 2022

Quando os padrões de relacionamento disfuncional são mantidos dentro de uma família, a mudança pode ser difícil. É difícil para cada membro sair de sua perspectiva particular e alcançar uma visão mais ampla do que está acontecendo. Assim, a escultura é uma técnica que facilita a conscientização e promove a mudança.

Quantas vezes, diante de um conflito familiar, você se viu atacando os outros e  se tornou incapaz de reconhecer sua própria responsabilidade ? Isso pode acontecer com cada um de nós, mas em um processo de psicoterapia é importante quebrar essa barreira defensiva de alguma forma. Assim, a escultura abre nossos olhos para a realidade de uma forma tão eficaz quanto surpreendente.

Jovem e sua família em terapia de diálogo aberto

O que é escultura na terapia familiar?

Para colocar essa técnica em prática, o terapeuta pede que um dos familiares seja o escultor. Os outros devem deixar-se moldar por ele e adotar as posições que ele indica. À medida que a escultura se desenrola, o terapeuta assume a posição de observador e comentador. Assim, você pode orientar o escultor com perguntas como as seguintes:

  • É esta a posição que você quer que essa pessoa tenha?
  • Para onde seu olhar deve ser direcionado?
  • Quanta separação deve haver entre cada membro?
  • Eles devem tocar ou dar as mãos?

Em relação à escolha do escultor, é comum selecionar o paciente identificado para essa tarefa, pois é ele que costuma ter uma visão mais clara da dinâmica familiar. Mas também é possível pedir a cada membro da família que faça sua própria escultura, mostrando sua própria visão.

Na terapia familiar, um paciente identificado é a pessoa que apresenta o principal sintoma para o qual é solicitada ajuda. Por exemplo, alguém que tem um transtorno ansioso ou depressivo. No entanto, leva-se em consideração que, a partir dessa corrente, o sintoma é mero indicador de uma disfunção que engloba toda a família como sistema. Ou seja, não se limita apenas a um problema pessoal daquele indivíduo.

Como você trabalha com a escultura?

Quando o escultor termina seu trabalho, ele é solicitado a escolher uma posição para si e a pintura está completa. A partir daqui, podemos utilizar esta técnica como elemento de diagnóstico.

Assim, convidaremos cada membro a expressar como se sente em sua posição. Devem sempre se concentrar em descrever as sensações que derivam de sua postura corporal, sem analisar o que elas significam. Dessa forma, evitamos que a família volte a se envolver em discussões defensivas.

Assim, uma pessoa pode observar que a postura rígida em que se encontra causa tensão e desconforto. Talvez outra perceba que, de sua posição, ela não pode ver um determinado membro da família. Um deles pode se sentir isolado por estar posicionado a uma distância maior dos demais.

Observar a perspectiva muitas vezes nos dá uma visão mais clara do que está acontecendo na família. Assim, o terapeuta poderá ocupar o lugar de cada membro na escultura para que possam observar a imagem de fora.

Em última análise, a escultura fornece uma metáfora espacial para as relações familiares e a posição emocional de cada pessoa no sistema. Por meio do posicionamento, podem-se observar afinidades, rejeições e atitudes que nos fornecerão um esboço do que não está dando certo e precisa ser trabalhado.

figuras de uma família

Diagnóstico e tratamento

A escultura é uma técnica que pode ser utilizada tanto como elemento diagnóstico quanto como técnica terapêutica. Em outras palavras, ajuda-nos a tomar consciência dos relacionamentos e padrões disfuncionais que precisamos abordar. Além disso, pode ser feita uma escultura que reflita o ideal de família que cada membro deseja alcançar; para que sirva para moldar os objetivos.

Esta técnica também é utilizada na terapia de casais, pois é um exercício com a capacidade de surpreender e motivar. Com ela podemos discutir pontos e chegar a lugares que, com mera discussão verbal, não conseguiríamos reconhecer. Ajuda-nos a colocar-nos na nossa própria pele e na dos outros com maior consciência. Por esse motivo, costuma ser muito útil para o processo terapêutico.

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  • Población, P., & Lopez Barberá, E. (1991). La escultura en terapia familiar. Revista Vínculos, (3).
  • Cibanal, L., Lineales, P. E., Lineales, P. D., Circulares, P. D., & Circulares, P. R. (2006). Introducción a la terapia familiar y sistémica.