Estresse e hipertireoidismo: uma relação silenciosa com sérias consequências

· março 19, 2019

A relação entre estresse e hipertireoidismo é muito significativa. Muitas vezes nós nos esquecemos do impacto que os estados de estresse crônico podem alcançar em nossa saúde.

O cortisol, hormônio associado aos estados de hiperatividade, acaba alterando não só a função da glândula tireoide a ponto de acelerá-la, mas também afeta as nossas glândulas suprarrenais.

Sabemos que os transtornos associados à tireoide são muito comuns, e que o seu aparecimento está ligado a vários fatores.

Desse modo, doenças autoimunes como a doença de Graves, a gravidez, as alterações na hipófise, e o excesso ou déficit de iodo podem fazer com que desenvolvamos hipotireoidismo ou hipertireoidismo.

Por outro lado, nem sempre somos conscientes de como as nossas emoções podem alterar, por exemplo, o nosso metabolismo. Dessa forma, estudos como o publicado na revista eletrônica Thyroid Research indicam que existe uma relação entre os níveis de cortisol e o TSH (tirotrofina ou hormônio estimulador da tireoide).

Ou seja, o estresse é um fator de risco para o hipertireoidismo. Percebemos como as situações de pressão, angústia e preocupação constante, ao longo de meses ou anos, acabam afetando a função da tireoide, acelerando-a.

Examinar a tireoide

Estresse e hipertireoidismo, um vínculo perverso

Todos os dias surgem novos diagnósticos relacionados com uma alteração na glândula da tireoide. Não podemos esquecer que os hormônios da tireoide desempenham um grande número de funções, e que a sua relevância é essencial para manter o bom estado dos tecidos do organismo e para cumprir as tarefas metabólicas, incluindo, por exemplo, a síntese de muitas proteínas.

É por isso que os pacientes com hipertireoidismo costumam sofrer de uma vasta sintomatologia, uma extensa variedade de alterações, incômodos e condições associadas, que podem ser resumidas da seguinte forma:

  • Nervosismo e inquietude fora do normal.
  • Mudanças de humor; a pessoa se sente mais irritada.
  • Sensação de fraqueza.
  • Aumento do apetite.
  • Perda de peso, apesar da ansiedade por comer.
  • Problemas de memória e concentração.
  • Bócio, um inchaço na garganta que causa problemas na hora de engolir, beber ou falar.
  • Queda de cabelo (também pode se tornar mais fino e quebradiço).
  • Pele mais fina.
  • A pessoa não consegue tolerar bem o calor.
  • Alterações na menstruação.
  • Insônia.
Mulher sentindo dor

Além disso, cabe dizer que as doenças relacionadas com a tireoide são mais comuns entre as mulheres. No entanto, quando ouvimos o diagnóstico, nem sempre paramos para entender qual é a sua origem.

O que nos interessa é o tratamento, mas também é necessária uma estratégia terapêutica para melhorar a qualidade de vida. Sabendo que existe uma relação direta entre estresse e hipertireoidismo, é preciso saber como ela ocorre e de que forma influencia o nosso corpo.

Estresse e hipertireoidismo e a alteração nos anticorpos da tireoide

Universidades holandesas financiaram, em 2012, um extenso e completo estudo para verificar a relação entre estresse e hipertireoidismo.

Os resultados desta pesquisa foram publicadas na revista Psychoneuroendocrinology e foram bastante significativos. Descobriram, por exemplo, que em situações de estresse e de ansiedade alta e crônica, o cortisol tem uma grande influência sobre a glândula tireoide.

  • Os anticorpos da tireoide se alteram e começam a atacar o próprio organismo, causando algumas mudanças: cansaço, alterações no sono e na digestão, queda de cabelo, pele mais fraca, etc. Desse modo, é comum que também ocorram mudanças a nível cognitivo e emocional, dificuldades de concentração e mudanças de humor.
  • A publicação Revista Médica de Chile também comentou outra realidade importante: as pessoas que sofrem com ataques de pânico costumam apresentar, com muita frequência, problemas na tireoide. Este problema tende a ser acelerado e pode chegar ao hipertireoidismo. Uma comorbidade (associação de duas ou várias doenças ao mesmo tempo) que provoca sérias repercussões na saúde.
A saúde da tireoide

Prevenção do hipertireoidismo causado pelo estresse

O hipertireoidismo (causado ou não pelo estresse) terá um tratamento específico: medicamentos como o propiltiouracil e o metimazol. No entanto, cada paciente vai apresentar uma situação particular e certas necessidades que os médicos irão avaliar para oferecer uma resposta sob medida.

Além do tratamento, o que nos interessa, antes de mais nada, é poder prevenir estas consequências. Fica claro que o desencadeante nem sempre vai ser o estresse (especialmente no caso das doenças autoimunes).

No entanto, tendo em vista certas condições psicológicas que provocam mudanças metabólicas, é preciso saber lidar com essas situações. Estas seriam algumas das causas:

  • O estresse pontual e limitado no tempo não tem efeito na tireoide. Falamos do estresse crônico, aquele que nós acabamos não tratando, que não enfrentamos e que, finalmente, escapa do nosso controle.
  • É necessário, portanto, enfrentar diariamente cada preocupação, cada emoção complexa, cada problema em nossa mente. Não devemos deixar para amanhã essa sombra que está incomodando hoje.
  • Devemos nos presentear com mais tempo para nós mesmos. Ao longo do dia, devemos contar com, pelo menos, umas duas horas só para os nossos interesses.
  • O exercício físico ou atividades como o mindfulness são bastante eficazes para tratar o estresse.
  • É recomendável cuidar da nossa alimentação e melhorar os hábitos cotidianos: o sono e as relações sociais positivas e de qualidade.

Para finalizar, sabendo que estresse e hipertireoidismo têm esta forte relação, sejamos mais conscientes de que cuidar das nossas emoções também é investir em saúde.

  • AD Kanner , JC Coyne , C. Schaefer , RS Lazarus. Medición del estrés y salud: emociones, tiroides y problemas psicosociales. Journal Behavior. Medicina. 4 ( 1981)
  • A. Matos-Santos , EL Nobre , JG Costa , P.J. Nogueira , A. Macedo , A. Galvão-Teles , J.J. de Castro. Relación entre el impacto de los acontecimientos vitales estresantes y el inicio de la enfermedad de Graves y el bocio nodular tóxico. Revista  de Endocrinología. 55 ( 2001 ) pp. 15 – 19