O que são os estudos longitudinais?

Os estudos longitudinais são um tipo de desenho de pesquisa amplamente utilizado para estudar a evolução de fenômenos ou variáveis. Neste artigo, iremos explorar o que são, quais são as suas características e quais vantagens e desvantagens apresentam.
O que são os estudos longitudinais?

Última atualização: 06 Novembro, 2021

Os estudos longitudinais permitem que sejam feitas observações, de forma sequencial, da transformação ou evolução do fenômeno em estudo. São amplamente utilizados em diversos campos do conhecimento, como medicina, psicologia e sociologia.

Este tipo de estudo requer monitoramento das variáveis que estão sendo analisadas. O tempo é determinado pelo pesquisador e pode durar semanas, meses, anos e até décadas.

O que é um estudo longitudinal?

Os estudos longitudinais são um tipo de desenho observacional (não experimental) que analisa mudanças em certas categorias, conceitos, eventos, variáveis, contextos ou comunidades ao longo do tempo. Esse desenho coleta dados em diferentes momentos ou intervalos de tempo para fazer inferências sobre a evolução do que foi estudado, seus determinantes e consequências (Hernández-Sampieri, Fernández & Baptista, 2014).

Outros autores, como Visser (citado em Arnau e Bono, 2008), afirmam que um estudo longitudinal consiste em examinar as mudanças que ocorrem, ao longo do tempo, em uma mesma amostra de sujeitos e verificar as diferenças interindividuais nas mudanças intraindividuais. Ou seja, estudam os processos de mudança diretamente associados à passagem do tempo (Arnau e Bono, 2008).

É também entendido como um desenho de pesquisa que estuda e avalia as mesmas pessoas por um período de tempo (Myers, 2006). A ideia central de todas essas definições não está na quantidade de variáveis estudadas, se é uma ou se são várias, se são pessoas, fenômenos ou comunidades; a ideia central está no tempo, na evolução e nas respectivas mudanças do objeto de investigação. Por exemplo:

  • Analisar as mudanças de atitude em relação à eutanásia durante um período de dez anos em uma comunidade urbana.
  • Estudar a relação entre a atividade física e o envelhecimento em uma amostra de 40 anos de idade em um período de cinco anos.
  • Observar como uma comunidade camponesa se desenvolve ao longo dos anos, com a chegada da Internet em suas vidas.
Estudo longitudinal

Características do estudo longitudinal

A principal característica, conforme afirmado anteriormente, é que a coleta de dados é realizada em momentos diversos. Ao contrário dos desenhos transversais, em que os dados são coletados em um único momento, nos desenhos longitudinais há várias coletas. Essa forma de coleta distribuída ao longo do tempo nos permite identificar mudanças.

As observações são feitas sempre sobre o mesmo objeto de estudo, seja ele um fenômeno, comunidade ou pessoa. É importante que a amostra seja sempre a mesma. Obviamente, isso pode mudar com o tempo, uma vez que a mudança é uma constante na vida. O que se busca, exatamente, é que a amostra seja mantida cada vez que for feita uma medição ou observação.

Outra característica dos estudos longitudinais é que eles permitem ao pesquisador capturar diferenças intraindividuais ou intragrupos. Como o objetivo principal deste tipo de desenho é observar a evolução e mudança que as variáveis de estudo tiveram durante um determinado período de tempo, são analisadas as respectivas variações ocorridas na amostra.

Por fim, com base nos objetivos da análise de dados longitudinais de Arnau e Bono (2008), pode-se afirmar que outra característica desses desenhos é que fornecem informações sobre as diferenças interindividuais, sobre a relação entre mudanças intra e interindividuais e sobre a variáveis que influenciam as suas variações.

Tipos de estudos longitudinais

Os desenhos longitudinais são divididos em três tipos: desenhos de tendência, desenhos de análise evolutiva de grupo (coorte) e desenhos de painel.

Estudos de tendência longitudinal

Os desenhos de tendências analisam as mudanças ao longo do tempo em categorias, conceitos, variáveis ou suas relações com alguma população em geral (Hernández-Sampieri, Fernández & Baptista, 2014).

A característica central deste projeto é que ele se concentra exclusivamente na população ou universo, e não nas amostras. Por exemplo, um estudo feito para analisar a mudança na percepção sobre o aborto em estudantes universitários de uma cidade.

Estudos longitudinais de coorte

Ao contrário do desenho de tendência, os desenhos de coorte examinam as mudanças em subpopulações ou grupos específicos. Seu foco está em grupos de indivíduos com uma característica comum.

Esses projetos rastreiam grupos ao longo do tempo e, em geral, extrai-se uma amostra cada vez que os dados sobre o grupo ou subpopulação são coletados – em vez de incluir toda a subpopulação – (Hernández-Sampieri, Fernández e Baptista, 2014). É importante ressaltar que, embora a amostra possa ser alterada, ela não se configura com elementos que não pertencem ao grupo ou subpopulação estudada.

Estudos longitudinais de painel

Os desenhos de painel são semelhantes aos desenhos de coorte e tendência, exceto pelo fato de que os mesmos casos ou participantes são medidos ou observados em todos os momentos.

Por exemplo, observar um grupo de pacientes deprimidos mensalmente (por um ano) para analisar se suas expectativas positivas do futuro aumentam e se as negativas diminuem (em cada observação, os pacientes seriam as mesmas pessoas).

Homem fazendo estatística

Vantagens e desvantagens dos estudos longitudinais

Existem várias razões pelas quais um pesquisador pode conduzir um estudo longitudinal, e outras razões pelas quais ele pode escolher outra opção. A seguir, discutiremos as vantagens e desvantagens desse tipo de projeto.

Vantagem

  • Como o estudo é realizado a longo prazo, sua autenticidade é verificada de antemão, o que faz com que os resultados tenham um nível de validade maior.
  • Relações de longo prazo não podem ser descobertas em uma investigação de curto prazo, mas relações de curto prazo podem ser monitorados em uma investigação de longo prazo. Isso proporciona uma margem mais ampla para examinar as mudanças e, assim, compreender melhor a evolução das variáveis.
  • O desenho longitudinal permite que tendências e relações sejam encontradas nos dados coletados em tempo real.
  • Os pesquisadores têm uma flexibilidade que não é possível com outros formatos de pesquisa.

Desvantagens

  • A principal desvantagem dos projetos longitudinais é que a pesquisa tem uma maior probabilidade de fornecer resultados imprevisíveis.
  • Pode levar muito tempo até que os dados comecem a produzir padrões observáveis ou relações que possam ser monitorados.
  • A amostra inicial pode ser perdida com o tempo.
  • Para desenvolver relações ou padrões, uma grande quantidade de dados deve ser coletada e extraída.
  • O desenho longitudinal tende a ser mais complexo e caro. Por exigir mais tempo, mais recursos são necessários, por isso é possível que o investimento e as despesas aumentem.

Neste artigo, discutimos um tipo de estudo que é frequentemente usado em pesquisas para descrever mudanças. Com investigações desse tipo, descobrimos fenômenos curiosos como, por exemplo, o efeito Flynn.

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  • Arnau, J., & Bono, R. (2008). Estudios longitudinales. Modelos de diseño y análisis. Escritos de Psicología2, 32-41. https://scielo.isciii.es/pdf/ep/v2n1/original3.pdf
  • Hernández-Sampieri, R., Fernández, C. y Baptista, M. (2014). Metodología de la investigación(6ª Ed.). McGraw-Hill Interamericana.
  • Myers, D. (2006), Psicología 7ma edición. Editorial Médica Panamericana:Madrid