Você não é as experiências que vive, mas o que aprende com elas

· março 21, 2017

Uma das maiores causas do mal-estar psicológico costuma ser a seguinte: nos identificamos tanto com certas experiências que chega um momento no qual não sabemos distinguir quem é o espectador e qual a partida.

Casualmente, nos identificamos psicologicamente com mais frequência com experiências de dor, as mais chamativas e as que mais impacto psicológico e físico tiveram em nós.

Devemos acabar com essa crença para podermos ser quem realmente queremos. É preciso entender que você não é o que acontece com você, mas o suporte que abriga o que acontece com você. Você não é as experiências que vive, mas o que aprende com elas.

A explicação está na evolução

O ser humano estava exposto a perigos que desafiavam a sua integridade física constantemente, e essa pegada de sobre-excitação e medo ficou ativada e latente, ainda que não se manifeste constantemente.

Portanto, desde o plano individual tratamos a dor como algo que vem nos destruir, o que nos torna fracos no plano individual e desconfiados no plano social.

Este círculo doentio não sana nenhuma ferida: é preciso deixar de sofrer para começar a fluir, e para isso você tem que esclarecer dois conceitos que já foram expostos nas recentes Terapias de Geração: é necessário diferenciar “o seu eu contexto do seu eu conteúdo”.

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A jarra e as substâncias

“Imagine um frasco de vidro. Ele tem uma aparência consistente e forte, mas sabemos que diante de certas condições ambientais pode cair e quebrar: por algum descuido ou intencionalmente por alguém. 

Esse frasco leva muitos anos ocupando um lugar importante na sala de uma casa. Tem algo especial, alguém teve a ideia de forrar a sua tampa para torná-lo mais chamativo e escrever nele a frase “frasco para tudo” quando se acabou a geleia que ele continha originalmente.

Atendendo a esta estética e função, ao longo dos anos os habitantes da casa, crianças que brincam com ele e inclusive convidados jogaram nele diversas substâncias e objetos.

Colocaram moedas dentro dele, post-its na sua superfície. Foi utilizado para “caçar baratas”, abrigou fósforos, lembranças de casamento, pregos, alfinetes, foi lavado com alvejante, também serviu de incenso, e se alguém esquecia dele por muito tempo chegava a acumular muita sujeira e pó.

Mas o frasco continuava na estante. Se você fosse à casa e lhe perguntassem o que você vê quando o olha…O que você responderia? Certamente, sem duvidar você diria que é um frasco de vidro.”

Agora mesmo você se perguntará para que serve esta história para que você possa se sentir melhor em relação às coisas negativas que aconteceram na sua vida e pelas positivas que foram no seu momento, mas já não estão ou deixaram de ser. Não se trata de uma história de um frasco de vidro, mas de uma metáfora para a sua vida.

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Passei por muitas experiências, mas algo continua existindo: eu mesmo

Como esse frasco de vidro, você também tem uma essência imutável e inerente. Você terá vivido decepções, abandono, terá sofrido a indiferença, a traição e o dano mal-intencionado. Muito desse dano continua no seu interior, e por isso você se transformou em alguém mais desconfiado e inclusive um pouco tímido.

Continuam chegando coisas ao seu interior muito negativas, mas desta vez ninguém as deposita, só você mesmo: deposita medo, perda de interesse, lembranças daninhas e lágrimas infinitas. Se continuar sobrecarregando esse frasco, pode ser que quebre de verdade, portanto deixe de sobrecarregá-lo de coisas negativas duradouras.

Retorne à sua essência e ao seu verdadeiro eu, sendo consciente de que aconteça o que acontecer, se você continuar vivo coisas boas e ruins vão chegar, mas você continuará estando aqui e o mundo irá reconhecê-lo.

Tome as rédeas do acontecido na sua vida para voltar a ser você mesmo

Saber que só você é responsável pelo caminho que escolhe na sua vida é algo de extrema responsabilidade, mas dessa responsabilidade surge a liberdade.

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Então utilize tudo que viveu para aprender e tirar lições de vida baseadas somente nas suas experiências. Esqueça umas, transforme outras, dê às costas a outras e ria das demais.

Isso é sabedoria, mas é também saber reafirmar-se perante o mundo, dizer abertamente o que aconteceu por cima de opiniões, de estigmas e de comentários compassivos, e voltar a ser você, reencontrando a sua essência. Porque você aprendeu que não é as experiências que vive, mas a essência que as acolhe e as deixa partir também.