Falacrofobia ou medo da calvície: sintomas, causas e tratamentos

05 Fevereiro, 2021
A falacrofobia é um medo muito intenso de perder o cabelo. Quem sofre desse distúrbio não tolera nem mesmo a ideia da calvície, e tem reações exageradas aos estímulos que a sugerem.

Um medo irracional pode ser motivado ou despertado por qualquer estímulo, até mesmo uma palavra ou símbolo. Esses medos às vezes são totalmente incompreensíveis, mas outras vezes têm uma base mais razoável, como no caso da falacrofobia, o medo da calvície.

Todos nós tememos a mutilação ou perda de algumas partes do corpo. Este é um medo atávico e faz parte do kit de sobrevivência instintivo. Embora o cabelo não seja um componente vital para a saúde, ele faz parte da anatomia, e é por isso que a falacrofobia faz algum sentido.

O que não faz sentido é levar esses medos a um nível excessivo. A falacrofobia é considerada um distúrbio justamente porque leva o medo da calvície ao extremo. Até mesmo pensar sobre essa possibilidade às vezes desencadeia estados de ansiedade intensa.

O espírito que pensa no que pode temer começa a temer o que pode pensar.
-Francisco de Quevedo-

O medo da queda de cabelo

Definindo a falacrofobia

A falacrofobia é definida como um medo exagerado da calvície. A exposição a qualquer estímulo relacionado à queda de cabelo causa um estado de intensa ansiedade no qual a razão é esquecida.

Nesse distúrbio, apenas imaginar a possibilidade de ficar careca já provoca pânico. Da mesma forma, existe uma variante em que o terror é desencadeado ao ver uma pessoa com calvície. É uma reação incontrolável que causa um grande desconforto em quem sofre com ela.

Esse tipo de fobia está presente tanto em homens quanto em mulheres, embora a alopecia seja mais comum em homens. Aqueles que sofrem desse medo irracional são excessivamente sensíveis a qualquer comentário sobre os seus cabelos.

Sintomas e causas

O medo é tão grande que as pessoas com falacrofobia apresentam um conjunto de respostas fisiológicas ao entrar em contato com o objeto do seu medo. Ocorrem taquicardia, tremores, tonturas, e pode até ocorrer uma crise de ansiedade.

As pessoas afetadas por este problema verificam continuamente o cabelo e ficam com muito medo ao vê-lo cair. Da mesma forma, se esforçam para manter os cabelos saudáveis, às vezes com medidas absurdas por serem exageradas.

As causas

Algumas abordagens psicológicas indicam que essa fobia se origina dos medos associados à calvície. Em particular, do medo de perder cabelo e, assim, perder a atratividade ou mostrar sinais de velhice. Em alguns casos, também está relacionado ao medo de perder a masculinidade.

No entanto, essas explicações dão conta dos possíveis motivos, mas não explicam o medo exagerado e descontrolado. A psicanálise, por sua vez, aponta que esta, como outras fobias, surge de associações inconscientes que não necessariamente têm a ver com aparência, atratividade ou juventude.

A nível psicanalítico, um mecanismo de deslocamento opera dentro das fobias, também conhecido como metonímia. Assim, o que realmente causa o medo em uma pessoa é outra coisa, como algum desejo sexual que ela considera inconveniente ou um impulso agressivo que rejeita conscientemente.

Já que ela não admite esse desejo ou rejeição, a pessoa o encapsula e o envia para o fundo da sua esfera mental. Uma maneira de fazer isso é transferir o medo para outro objeto, neste caso, o cabelo. Forma-se assim a fobia, que cumpre o papel de continuar a encobrir o desejo ou impulso rejeitado inconscientemente.

Homem preocupado com a sua fobia

Como tratar a falacrofobia?

O tratamento mais usado para tratar todos os tipos de fobias é a dessensibilização sistemática. Consiste em expor a pessoa afetada ao que provoca o medo exagerado, de forma gradual e com suporte. A pessoa entra em contato com o que teme aos poucos, com a ajuda do psicólogo.

Outro tratamento frequentemente aplicado é o da reestruturação cognitiva. Envolve repensar e desconstruir as crenças que estão por trás do medo irracional. No caso da falacrofobia, ideias associadas à perda de atratividade, envelhecimento e valorização exagerada da aparência pessoal.

A psicanálise também aborda as fobias, mas o faz dentro do contexto de uma análise mais profunda que abrange as experiências da primeira infância. Envolve uma intervenção muito mais longa que requer um alto comprometimento da pessoa afetada.

Bonet, J. I. C. (2001). Tratamientos psicológicos eficaces para las fobias específicas. Psicothema, 13(3), 447-452.