Benefícios psicológicos do uso de fantasias na infância

De modo geral, as crianças adoram se fantasiar. Esse é um interesse maravilhoso quando pensamos nos seus benefícios psicológicos, como uma maior capacidade de socialização, empatia e segurança.
Benefícios psicológicos do uso de fantasias na infância

Última atualização: 08 Janeiro, 2021

Se você tem filhos, sobrinhos ou crianças sob a sua guarda, com certeza já percebeu a facilidade que eles têm na hora de se fantasiar de princesa, super-herói ou qualquer outro personagem que admirem. O uso de fantasias nunca falha como elemento de diversão durante a infância (ou mesmo depois dela, em muitos casos).

As crianças, de modo geral, adoram se fantasiar. Crianças não entendem de racismo, sexismo e por aí vai. Elas simplesmente veem uma fantasia que gostam, que estimula a sua imaginação, e já sonham em se vestir com ela, visitando mundos mágicos nos quais são muito felizes.

Portanto, se a criança quiser se fantasiar, deixe-a fazer isso. Pense que essa prática faz muito bem a ela. Em pleno desenvolvimento, a experiência de se fantasiar é muito interessante e oferece benefícios psicológicos muito positivos, como veremos a seguir.

Certamente, não precisa ser Carnaval ou Halloween para a criança usar fantasias durante a sua infância. De fato, essa é uma ferramenta muito utilizada em escolas infantis, o que comprova como grandes tecnologias não são necessárias quando o assunto é gerar estímulos que contribuem para o desenvolvimento dos pequenos.

Menino fantasiado de leão

Fantasias na infância: a criança, a imitação e a imaginação

As crianças aprendem bastante através da imitação. Prestam atenção a tudo em sua volta e tratam de fazer igual. É por isso que, quando se vestem de pássaro, sentirão que voam e vão querer cantar.

Os pais são exemplos a serem imitados pelas crianças. Sem dúvida, a fantasia de papai ou de mamãe pode ensinar-lhes a ser mais autossuficientes e responsáveis. Às vezes, isso pode ser feito simplesmente quando calçam os sapatos do pai ou usam o vestido da mãe.

No entanto, é importante que a criança escolha a sua própria fantasia. Se não for possível (como no caso de fantasias que fazem parte de dinâmicas escolares, por exemplo), podemos introduzir a ideia gradativamente antes da ocasião, além de podermos cobrir seus rostos para que não se sintam expostas ou se enxerguem completamente transformadas, ficando mais tranquilas.

“O acaso, já dizia Einstein, é a fantasia que Deus escolhe quando quer se passar por desconhecido.”
-Laurent Gounelle-

Descoberta de papéis

Desde o seu nascimento, a criança começa uma longa trajetória de desenvolvimento da própria personalidade. Ao longo do caminho, ela descobre vários papéis até encontrar sua própria voz em seu próprio ambiente.

As fantasias ajudam as crianças a conhecer diversos papéis: de super-heróis protetores e corajosos, de animais simpáticos, de príncipes e princesas em contos de fadas, de médicos responsáveis e generosos, etc. A partir disso, colherão ideias que ajudarão a formar suas próprias personalidades.

Estimula a imaginação

O benefício mais interessante é este. A criança aprende a ser mais criativa e a melhorar a sua capacidade imaginativa. Quando ela se fantasia, como havíamos comentado, ela acredita que é um papai, um cachorrinho, um médico, um dragão, um passarinho, uma mamãe, etc.

Hoje em dia, a criatividade é uma habilidade muito requisitada em todo o mundo. Isso vai além das capacidades artísticas. Encontrar formas criativas de solucionar problemas e enfrentar as dificuldades da vida é sempre indispensável em muitas áreas, tanto pessoais quanto profissionais.

Desenvolvimento emocional

A fantasia também favorece um melhor desenvolvimento emocional. Uma criança fantasiada pode encontrar e imaginar outras perspectivas, uma vez que essas fantasias permitem que elas vivam outras vidas, estejam em contato com seus sentimentos e emoções, além de, definitivamente, serem mais empáticas com as outras formas de enxergar o mundo.

Evita que a criança se sinta envergonhada ou fique muito tímida

Nem todas as crianças usam as mesmas estratégias para enfrentar seus medos. Usar fantasias na infância pode ser uma boa opção, sobretudo para aquelas que são muito tímidas. Dessa forma, as características das fantasias podem ser incorporadas em suas próprias personalidades, beneficiando seu desenvolvimento social e pessoal.

Pensemos em uma criança tímida e incapaz de enfrentar as adversidades. Talvez uma fantasia de Super-Homem ou de Mulher Maravilha, por exemplo, possa fazer com que ela sinta a confiança que falta para seguir em frente.

Pai e filha fantasiados

Desenvolvimento da empatia

Através do uso de fantasias, também podemos estimular o desenvolvimento da empatia nas crianças. Ao incorporarem os papéis de outros personagens, podem aprender a se comportar, a regular suas emoções e a se relacionar. Assim, elas compreendem melhor os outros, interagem socialmente de modo adequado e entendem os problemas das outras pessoas.

Melhoria nas habilidades de comunicação

A criança, ao se sentir mais segura, enfrenta menos problemas de comunicação. Além disso, ela vai adquirindo um vocabulário mais apropriado para o personagem que costuma interpretar. Dessa forma, ela aprende outras palavras, utiliza códigos linguísticos diferentes dos que normalmente usa, descobre novas formas de resolver conflitos, etc.

Sociabilidade

A fantasia infantil representa uma forma interessante para que a criança interaja com outras crianças, com amigos, com familiares, etc. Por exemplo, se todos se vestirem de policiais, podem ser encenadas situações de diálogos amigáveis ou que exijam colaboração.

A fantasia infantil é um elemento interessantíssimo no desenvolvimento humano. Pode ser uma forma de aprender, conhecer outras perspectivas e, é claro, de conseguir fazer com que os pequenos se divirtam enquanto descobrem profissões, negócios, hobbies, o reino animal e vegetal, etc.

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  • Castillo Viera, E., Tornero Quiñones, I. (2012). Análisis de los valores que trasmiten los disfraces en la etapa de Educación Infantil y propuesta de modificación para su inclusión en clase de Educación Física. EmásF, Revista Digital de Educación Física. Año 3, nº 14.