Fazer parte da minoria não é sinal de fracasso social

Fazer parte da minoria não é sinal de fracasso social

10, janeiro 2017 em Psicologia 1641 Compartilhados
Fazer parte da minoria não é sinal de fracasso social

Em uma sociedade na qual fazer parte da massa não permite que o ser humano se desenvolva de forma racional, emocional e cultural, fazer parte da minoria não é um sinal de fracasso social. Pelo contrário, fazer parte de uma minoria o transforma em um indivíduo que age dentro da sociedade de forma autônoma e relevante, algo que as pessoas que fazem parte da “grande manada” não conseguem.

Quando seguir as regras é perpetuar a injustiça, manter e cultivar as tradições é obsoleto e socializar é enfrentar uma sensação de vazio, parar e mudar de direção não é uma loucura. Na verdade, poderíamos dizer que é um sinal de atividade mental e, em alguns casos, de coerência entre as ações e os pensamentos.

Fazer parte de uma minoria não é se afastar da vida dos outros, do mundo. Fazer parte de uma minoria e ser seletivo com as pessoas com as quais você interage é tomar coragem, ter perspectiva e determinação, com o objetivo de promover mudanças positivas na sociedade em que você vive.

As pesquisas de Moscovici sobre as minorias

Moscovici, Lage e Naffechoux (1969) realizaram um experimento que mostrou que, sob certas condições, é possível que uma minoria influencie o julgamento da maioria e isso pode ocorrer devido a dois fatores principais: a consistência das suas opiniões ao longo do tempo e a união do grupo em torno das suas abordagens.

laminas-de-da-vinci

A tarefa era determinar a cor e o brilho de uma série de slides que na realidade eram todos azuis. Alguns pesquisados eram cúmplices do investigador e respondiam “verde” em todas as ocasiões, o que fazia com que eles fossem totalmente consistentes em sua opinião.

Quando uma minoria dos participantes julga as lâminas azuis como verdes de forma consistente, os outros participantes concordarão com isso. Mas, se a minoria vacila e alguns dizem que é azul e outros verde, a maioria dos participantes não concordará com o verde. Isto demonstra que a influência da minoria é muito clara quando percebemos a consistência e a segurança na sua postura.

“Todos os esforços para o progresso, para o desenvolvimento, para a ciência, com finalidade religiosa, política e econômica, emanam da minoria, não da massa.”
-Emma Goldman-

A história das minorias e das pessoas raras: a história do progresso

O que desfrutamos hoje como um direito ou como um avanço científico foi promovido por pessoas que foram chamadas de bruxas, loucas, desestabilizadoras da ordem social ou marginalizadas. As minorias são geralmente a fonte de onde nascem as grandes mudanças, que regeneram e curam um ciclo social que vai mostrando os seus sintomas ao acaso.

“Em uma democracia, a maioria dos cidadãos é capaz de exercer a mais cruel repressão sobre a minoria.”
-Edmund Burke-

No campo da ciência, da arte ou do ativismo por uma verdadeira consciência social, “as pessoas raras” tentam nos acordar para refletirmos antes de descartarmos as suas ideias e ignorá-las. Ao mesmo tempo, nos fazem olhar em volta com ilusão, acreditar na utopia e lembrar que o nosso poder vai além de seguir a inércia que marca o consenso geral.

As minorias não impõem, as minorias transformam

A busca da motivação para a mudança é o que diferencia uma minoria inquisidora de uma minoria transformadora. À primeira vista o poder sobre aqueles que ela considera “os outros”, e a segunda vista o poder de transformar a sociedade para que “ele próprio, sua família e todos os outros”, tenham uma melhor qualidade de vida.

“A menor minoria na Terra é o indivíduo. Aqueles que negam os direitos individuais não podem ser chamados de defensores das minorias”.
– Ayan Rand –

borboleta-dedo

A minoria inquisidora procura impor sem que haja um debate científico e social, procura subjugar as pessoas através da imposição e nunca da reflexão.

As minorias transformadoras nunca lutam pelo poder porque não desejam fazer parte dele. Ninguém os elege como heróis, mas a sociedade precisa deles.

Dessa forma, é importante saber que se as pessoas o chamam de estranho ou raro, você pode encontrar a chave para resolver a ignorância que outros demonstram. Antes de culpar a si mesmo e se deprimir porque as pessoas não o entendem, faça um grande trabalho de introspecção consigo mesmo e entenda que defender seu estilo de vida é a sua maneira de se posicionar no mundo e inspirar os outros.

Antes de se sentir mal porque pertence a uma minoria, imagine como seria se fosse o contrário. Às vezes, a aceitação do outro pressupõe o fim de nós mesmos.