Sou uma daquelas pessoas raras que não sabem como se render

Sou uma daquelas pessoas raras que não sabem como se render

23, novembro 2016 em Emoções 2 Compartilhados
Sou uma daquelas pessoas raras que não sabem como se render

Pode ser que você também seja uma dessas pessoas raras e cabeça-dura à moda antiga que não sabem como se render. Porque ainda que o corpo doa e as cicatrizes pesem, a mente nunca dá nada por perdido… Ela não nos deixa renunciar aos nossos sonhos porque, embora esta renúncia seja simplesmente um ato teatral, irá nos afastar deles.

Falamos, sem dúvida, da perseverança, o oposto da preguiça da alma. O contrário desse derrotismo que às vezes a própria sociedade nos sugere com seus muros e suas cercas. Sören Kierkegaard, por outro lado, também deixou muito claro em seus textos: quando o ambiente em que estamos inseridos nos mergulha no desespero, existe apenas um antídoto, a esperança. Uma esperança graças a qual pode funcionar o motor da perseverança.

Sou desse tipo de pessoa: das que sabem o que querem e o que não querem na sua vida. Das que não sabem se render, das que entendem que nada cai do céu… E que às vezes, mesmo que todos nos tenham abandonado, existe apenas uma opção: continuar a seguir em frente.
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Na atualidade, e devido ao complexo marco econômico e social no qual vivemos, é comum nos deixarmos levar pela deriva do derrotismo. Perder um emprego, fracassar em um projeto ou deixar para trás um horizonte de expectativas com um parceiro estável e um plano de vida supõe, em muitos casos, experimentar um colapso total e absoluto dos nossos alicerces, e inclusive da nossa identidade.

É compreensível. No entanto, como se costuma dizer, se o fracasso nos fez cair, temos que nos levantar de novo pelos nossos sonhos. Longe de sucumbir ao desespero, é necessário assumir uma atitude proativa como escudo perante o sofrimento.

Por isso, respire fundo e continue seguindo em frente. Porque é proibido se render.

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Romper a inércia e se transformar em “movimento”

Os poetas, em sua arte excepcional para dar forma às emoções, definiram a depressão com termos tão impactantes como “a boca do lobo”, “poço sem fundo”, “barriga da baleia” ou “a noite escura da alma”. Estes conceitos aludem a uma ideia que a própria neurociência tem estudado durante anos: o fator tempo no cérebro depressivo.

Existe um abrandamento. É como se a vida, seu som e os próprios segundos do relógio tivessem parado. A química cerebral nos insere neste estado de melancolia perpétua onde nada avança. Comentamos isso por um dado muito objetivo: a própria incerteza sobre o futuro, quando perdemos um trabalho ou quando rompemos uma relação afetiva, nos “encurrala” nestas esquinas emocionais onde acabamos virando prisioneiros e nada avança.

Tudo para, e é quando a ilusão se atrofia que aparece esse hóspede indesejado: a depressão. Se é isso que você sente neste momento, lembre-se de algo: render-se é uma opção, mas colocar-se em movimento é uma obrigação.

É exatamente isso que nos explicam no “Pequeno livro das grandes decisões”. Neste interessante manual, são detalhados até 50 modelos de tomada de decisão relacionadas a estes labirintos pessoais tão complexos.

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A chave da maioria dessas estratégias costuma ser sempre a mesma. É preciso ter vontade. Mas… como consegui-la diante de tanto sofrimento emocional? Temos que ter claro um aspecto na nossa mente a partir de agora: a vontade se trabalha, se educa e se fortalece com atenção plena e com esforço.

A coragem de não nos rendermos deve ser um valor. Como um pilar da nossa alma. Como uma raiz que nutre as nossas essências.
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Às vezes, render-se é saber quando é suficiente

Até o momento vimos que para enfrentar a adversidade, é necessário dar passos para a frente. Evitar a quietude e o cérebro entorpecido pela falta de ilusões, de perspectiva e esperança. Mas existe outro detalhe que é preciso levar em conta.

Às vezes render-se é necessário, principalmente para assumir quando um processo chegou ao fim. Quando não existe mais opção além de deixar de lado uma parte da nossa vida e, mais uma vez, seguir em frente. Inclusive reiniciar o risco de perder o que não guardamos.

Aqui a dificuldade é dobrada e ainda mais delicada. Uma pessoa pode lutar todos os dias para evoluir em seu trabalho. Para manter a pessoa que ama ao seu lado. No entanto, se não há amor, de nada servem as batalhas. Se não há opção para progressão profissional, de nada serve continuar sonhando com o impossível. Assumir também é uma atitude dos corajosos, e superar é para os verdadeiros vencedores.

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Há batalhas que estão simplesmente perdidas desde o início. É igualmente digno saber enxergar isso e ter chegado até o limite onde não há mais nada a fazer além de dar um passo atrás. Todas estas lutas nos oferecem algum ensinamento, mesmo aquelas em que ficamos longe do objetivo inicial.

No entanto, lembre-se: render-se a uma situação ou uma pessoa em particular não é perder perante a vida. Porque, às vezes, uma perda é também a conquista de nós mesmos, e não há nada mais nobre ou mais sábio do que isso.

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