Infidelidade, a confiança traída

Infidelidade, a confiança traída

Última atualização: 25 março, 2022

O mundo desabou sobre mim!

Ele era o marido perfeito

Vazio, desespero, raiva, frustração, dor, angústia… aflora uma mistura de sentimentos desencontrados quando se descobre a infidelidade do parceiro. A intensidade da dor geralmente tem relação com o tempo de convivência e também com a duração da traição. Porém, isso não quer dizer que a dor de quem está começando a vida a dois e descobre uma relação paralela seja menor. Certamente não. Mas alguém que está há vários anos ao lado de uma pessoa que foi infiel percebe que a sua vida, refletida naquele tempo, foi despedaçada.

Quem dedicou anos à vida a dois, e que se dedicou aos filhos, deixou de viver. As mulheres nascidas entre os anos 60 e 70 foram educadas para o sacrifício, para adiar sonhos e metas de desenvolvimento pessoal; ainda que, para outras, o seu desenvolvimento fosse o próprio papel de esposa e mãe.

Quem dedicou os melhores anos de sua vida a um relacionamento, diante de uma infidelidade, experimenta uma ruptura na base de sustentação da sua vida imediata e futura. Quando o cônjuge vai embora, abre-se a ferida e o processo de luto continua durante um período desconhecido. Tudo dependerá dos recursos sociais, familiares e pessoais para superar a traição. A vontade de ligar para o ex-parceiro e pedir para ele voltar e, ao mesmo tempo, sentir vontade de discutir, é algo natural. Trata-se de uma reação humana.

A confiança foi traída

Casal estressado pela infidelidade

Algumas pessoas, quando se descobre uma infidelidade, decidem permanecer com o cônjuge sem entender ou reconhecer os danos causados ao relacionamento e ao parceiro. Acreditar que tudo vai se resolver com uma rápida conversa é sinal de uma visão egoísta e míope. É olhar para a situação apenas a partir da própria perspectiva. Afinal, a confiança não é algo que se possa recuperar apenas dizendo “Sinto muito”.

Ter vivido uma mentira é ter sustentado uma vida dupla, na qual muitas vezes se optou por criar discussões estéreis, apenas para ter a desculpa de sair para encontrar o amante.

É possível recuperar um relacionamento depois de uma infidelidade? É difícil, mas não impossível. O primeiro passo importante é reconhecer o dano que foi causado ao relacionamento.

Quais fatores contribuíram ou pressionaram para que essa traição acontecesse? Porém, cabe ressaltar que muitas infidelidades não têm atenuantes. Além disso, o parceiro infiel sempre tem a possibilidade de terminar o relacionamento. Divorciar, em vez de trair.

Quem trai, engana três pessoas: a si mesmo, porque é impossível ter intimidade com outro ou outra durante meses, ou anos, sem sentir alguma coisa; ao cônjuge ou companheiro; e também à outra pessoa. Afinal, se uma pessoa aceita um relacionamento com outra sabendo que ela já está em um relacionamento de longo prazo, geralmente é porque há a esperança de que o outro relacionamento termine.

Os seres humanos não são autômatos. Portanto, é impossível separar os sentimentos quando se compartilha a intimidade, repetidamente, durante tanto tempo.

Assim, é uma posição absurda que a pessoa infiel queira que o seu cônjuge não expresse sentimentos desencontrados, ou então que queira “passar uma borracha” e não mencionar mais o assunto. Em vez disso, é preciso enfrentar o porquê da situação. Sem desculpas.

A confiança é reconstruída por meio de ações, não com palavras. O perdão é ativo, não passivo. Porém, não são flores ou chocolates que vão curar a ferida. E também não será uma semana ou um mês o tempo necessário para a recuperação.

As fases de um relacionamento amoroso e a infidelidade

Casal falando sobre infidelidade

Na minha atuação profissional, já vi como muitas pessoas, muito a contragosto, reconhecem que têm afeto pelo parceiro, mas não o amam mais. Então, durante um tempo, escondem e silenciam o seu desconforto, que vai emergir na crise que inevitavelmente se manifestará.

Conforme um relacionamento progride ao longo do tempo, o casal experimenta uma flutuação em seus sentimentos. Primeiramente, o início do namoro é a fase do entusiasmo, na qual se idealiza a pessoa para enquadrá-la em um ideal formado de acordo com as necessidades de cada um. Porém, a convivência abre as portas para a rotina e as responsabilidades e a procriação encurtam o tempo dedicado à cumplicidade do casal, diminuindo assim cada vez mais a sedução e o mistério no outro.

A chegada do primeiro filho implica a divisão dos afetos. Não somos mais apenas 2!… A atenção, o cuidado e a vigilância são partilhados com o recém-chegado. De fato, durante esta fase, muitos homens se sentem excluídos porque não estão ativamente envolvidos nos primeiros meses de vida do filho.

O prazer sexual diminui. Aparece, então, a frustração silenciosa.

O casal fala, mas não se comunica. Deixa-se de viver para si e para o outro. Perdem-se os espaços comuns. Muitas mães também monopolizam a presença do bebê, em vez de dividir a responsabilidade e o prazer de conviver com a criança entre ambos. Neste ponto, muitas também abandonam o cuidado com a aparência pessoal e colocam o marido de lado. Então, não é por acaso que esta seja uma fase na qual há um maior percentual de infidelidade conjugal.

Porém, ao invés de expressar o seu descontentamento, o homem se refugia na bebida ou com os amigos. Surge um ciúme que não se expressa. A frustração cresce juntamente com a indiferença, enquanto a mãe vive a sua vida como se fosse uma extensão da do filho.

Anos depois, quando os filhos entram na adolescência ou saem de casa, o casal volta a ficar como estavam no início, sozinhos. Muitos temem enfrentar essa solidão com o parceiro. Por quê? Porque ele se tornou um estranho.

Surpreende que agora não sintam mais a mesma coisa? Que o seu amor seja diferente?

A vida muda, é dinâmica, e o que sentimos hoje não será da mesma forma amanhã. A etapa da idealização do namoro fica para trás. Ela não cabe mais na fantasia. Aliás, é imaturo esperar que essa fase continue.

O amor também amadurece, pois é ele que nos permite superar as diferentes crises ou altos e baixos do casal e, posteriormente, da família. Assim, a paixão dá lugar à calma, à estabilidade, ao amor tranquilo. Mas por que será que não me sinto viva? – Pois bem, o que você tem feito para manter a sedução e a cumplicidade entre o casal?

Nesse contexto, muitas mulheres se calam sobre a sua insatisfação sexual. Persiste o mito de que as mulheres estão presentes para satisfazer, e não para desfrutar da sexualidade. Elas devem oferecer, mas não pedir. Porém, como o parceiro poderá saber do que você gosta se você não falar sobre isso?

Este é um dos fatores que incidem sobre a infidelidade feminina. Mas, assim como no caso da traição masculina, ambos são responsáveis. Tanto aquele que não oferece, quanto aquele que não pede. Portanto, se esta for a sua situação, procure ajuda profissional.

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