A inteligência emocional não vai te fazer mais feliz, mas você viverá melhor

11 Setembro, 2020
A felicidade vem e vai. A importância da inteligência emocional está em nos fornecer ferramentas para nos movermos tanto nos dias difíceis quanto nos momentos de calmaria. Porque o essencial é nos sentirmos bem com nós mesmos. Descubra como.
 

A inteligência emocional não não vai te fazer mais feliz, não vai garantir que a adversidade não vai bater à sua porta ou que as dificuldades vão deixar de preocupá-lo. Embora às vezes tentem nos convencer de que, com essa competência, alcançaremos o sucesso profissional e pessoal construindo o tipo de vida que desejamos, todos esses slogans têm nuances importantes.

Daniel Goleman deixou isso claro nos anos 90 com seu famoso livro Inteligência Emocional: essa área tem um único propósito, e nada mais é do que levar inteligência às emoções. Essa é a verdadeira chave; nos capacitarmos como pessoas mais qualificadas nesta dimensão para desenvolvermos melhor a coexistência com outras pessoas e aprender a regular o nosso comportamento sabendo do que precisamos e como responder a essas necessidades.

Esse é o objetivo e, por sua vez, a verdadeira magia. Porque, na realidade, algo que devemos aspirar no nosso dia a dia não é a felicidade absoluta, aquele estado de alegria e satisfação permanentes. Nossa realidade já é complexa, incerta e mutável o suficiente para que aquele clímax absoluto seja algo realmente duradouro.

O que deveríamos desejar é sermos bons com nós mesmos, sentir que mesmo quando as dificuldades surgem, temos recursos psicológicos para lidar com elas. É também entender que as relações humanas são complicadas e que, às vezes, trazem sofrimento. No entanto, com a inteligência emocional, vamos lidar muito melhor com essas situações para não ficarmos estagnados e facilitar uma melhor convivência.

 

Vamos aprender mais sobre isso.

Inteligência emocional

A inteligência emocional não vai te fazer mais feliz, mas você se sentirá mais competente

A falta de inteligência emocional é comum. Podemos observar isso naqueles adultos que não sabem conduzir uma conversa escutando, respeitando e expressando suas necessidades e ideias com clareza e sem perder a calma. Também a observamos em nossos trabalhos, naqueles chefes que não cuidam do estado emocional dos seus funcionários e impõem lideranças agressivas.

Além disso, também podemos ver essa carência em pais que não sabem como educar seus filhos nesta competência. Eles invalidam as emoções dos seus filhos com o clássico “não chore, não fique assim porque é bobeira” ou “você já é muito grandinho para ter esses acessos de raiva, então fique aí até superar isso”.

Educar com inteligência emocional é reconhecer que, por trás de cada comportamento, existe uma emoção. Portanto, o propósito de todo pai será desenvolver essa maturidade emocional e essa autoconsciência desde a mais tenra idade. No entanto, vemos essas deficiências há décadas, e embora uma mudança já esteja sendo vista a nível educacional e nas escolas, ainda temos muito a fazer, corrigir e promover.

 

Portanto, é necessário esclarecermos algumas ideias.

Ser emocionalmente inteligente não é um dom, é uma qualidade que pode ser trabalhada

A inteligência emocional não te deixará mais feliz, não te tornará o melhor da sala ou o líder absoluto no emprego dos seus sonhos. Não estamos falando de um dom que permite se catapultar diretamente para o sucesso. Estamos diante de uma qualidade que nos permite lançar as bases para criar uma realidade mais satisfatória e qualificada.

Compreender, usar, regular e gerenciar nossas emoções permite, por exemplo, lidar muito melhor com o estresse.

Regular nossos sentimentos, entender sua mensagem e fazer da empatia uma âncora para entender os outros harmoniza nossos relacionamentos e nos permite sentir mais segurança na hora de interagir com o próximo.

Todas essas são qualidades da vida, ferramentas para o bem-estar e recursos para enfrentar as adversidades. Afinal, a felicidade vem e vai. O que realmente precisamos são mecanismos para passar rapidamente pelos dias difíceis e recursos para tirar proveito dos dias calmos.

Tudo isso permitirá que nos sintamos autorrealizados e satisfeitos com nós mesmos em qualquer circunstância, seja fácil ou complicada.

Mulher caminhando no campo
 

A inteligência emocional não vai te fazer mais feliz, mas vai estabelecer a base

A inteligência emocional não te deixará mais feliz, mas fornecerá os nutrientes psicológicos para alcançar a felicidade. É o que mostra, por exemplo, um interessante estudo realizado em 2007 na Universidade de Oxford pelo Dr. Alex Furnham. De acordo com esse trabalho, a inteligência emocional é a base para nos sentirmos mais satisfeitos com nós mesmos.

Porém, há um elemento fundamental: a felicidade é uma área multidimensional. Nela, integram-se aspectos como as nossas relações afetivas e sociais, ter alcançado determinados objetivos, viver de acordo com os nossos valores, ter um dia a dia em que não sintamos medo ou angústia e nos sintamos realizados, entre outras coisas.

A inteligência emocional não é a resposta para tudo, mas impulsiona e ajuda a alcançar muitos desses aspectos. Além disso, esta qualidade, por si só, não vai impedir as perdas, decepções, fracassos… A infelicidade também faz parte da vida e devemos aceitá-la sabendo que ela não é permanente.

A inteligência emocional nos ajudará a administrar esses estados para que possamos passar aos estágios de aceitação; àqueles ciclos em que, embora a felicidade não seja absoluta, tudo dói menos e nós nos permitimos ter novas oportunidades. Esse é o segredo.

 
  • Furnham, A., & Christoforou, I. (2007). Personality traits, emotional intelligence, and multiple happiness. North American Journal of Psychology9(3), 439–462.