Irmãos que atuam como pais: esse foi o seu caso?

Seja no cinema ou na literatura, podemos encontrar um bom punhado de histórias em que um irmão atua como substituto de pais ausentes. Infelizmente, são muitos os pequenos que estão condenados a assumir este papel, com as consequências que daí derivam...
Irmãos que atuam como pais: esse foi o seu caso?

Última atualização: 23 julho, 2022

Alguns pais cometem o erro de delegar certas responsabilidades  a um de seus filhos. Em particular, tendem a delegar parte do cuidado dos pequenos a eles. Às vezes, na verdade, eles acabam sendo uma espécie de “segundos pais”.

Esse tipo de comportamento também é muitas vezes reforçado por outros adultos, com comentários como “você tem que cuidar do seu irmãozinho”, como se isso fosse responsabilidade deles. Desta forma, o irmão recebe o papel de cuidador.

É comum que, depois de ser o destinatário dessa mensagem, repetidamente, a criança acabe assumindo que deve ser assim. Ou seja, ela pensa “se todo mundo disser que esse é meu trabalho, será porque é meu trabalho”. Assim, muitos pais acabam modelando uma criança perfeita por fora, mas quebrada por dentro.

Em outros casos, a pressão pode ser tanta que a criança se rebela contra essa ideia e, longe de proteger e cuidar do irmão, acaba atacando-o: simplesmente não consegue encontrar outra forma de assumir uma responsabilidade com a qual não consegue lidar.

Para o resto do mundo, todos nós crescemos e envelhecemos. Mas não para irmãos e irmãs. Conhecemo-nos como sempre fomos. Sabemos como é o coração do outro. Nós compartilhamos as piadas internas da família. Recordamos as brigas e os segredos, as tristezas e as alegrias. Vivemos como se o tempo nunca tivesse passado

-Clara Ortega-

Irmã abraçando seu irmãozinho
Exercer o papel de cuidador de um irmão pode gerar grande sofrimento nas crianças devido à grande responsabilidade que isso acarreta.

Irmãos mais velhos e suas responsabilidades

Quando os irmãos mais velhos são seis ou sete anos mais velhos do que os que estão abaixo deles, essa tendência provavelmente aparecerá quase naturalmente. É claro que, uma vez que os adultos a identificam, ela tende a ser reforçada. Nesse caso, dependendo da situação, o que podem conseguir é justamente o efeito contrário ao que pretendem, e o irmão deixa de atuar como cuidador.

Nesse contexto, também podemos encontrar uma criança que negligencia totalmente suas necessidades (cuidador) e, ao mesmo tempo, outra que delega a satisfação das suas ao irmão ( criança que recebe o cuidado). Além disso, a dedicação de quem cuida pode motivar uma atitude extraordinariamente vigilante, evitando que seu irmão cometa erros e, portanto, também aprenda e ganhe autonomia. Tenha cuidado porque a educação é uma tarefa complexa o suficiente para que apenas um adulto possa realizá-la.

Entre a responsabilidade e o medo

Os irmãos mais velhos nem sempre ficam felizes com a chegada de outra criança em casa, principalmente se forem pequenos. Os pais muitas vezes se recusam a ver essa realidade, assumindo que o irmão agirá naturalmente como um protetor do recém-chegado.

Eles terão muito medo de quebrar as expectativas de seus entes queridos, contrariar os adultos ou perturbá-los e é por isso que tentarão cumprir o papel que lhes é atribuído, mesmo que não gostem.

Não é incomum que eles comecem a sentir que qualquer coisa negativa que aconteça com seus irmãos é, de uma forma ou de outra, culpa deles. Esse filho teme que seus pais deixem de amá-lo se ele não cumprir plenamente a tarefa que lhe foi confiada. Com o tempo, tornam-se adultos que não reconhecem suas próprias necessidades e tendem a assumir qualquer outro problema como seu.

menina triste
O sentimento de culpa é muito comum naquelas crianças que cuidam de seus irmãos.

Contraindicações de atribuir esta função de cuidador à criança

Há certas exigências que nunca devemos fazer a um pequeno. A primeira delas é a de substituir um pai ou uma mãe. Não é a sua responsabilidade garantir o bem-estar de seu irmão. Esta função deve estar nas mãos de um adulto, caso os pais não possam realizá-la.

Os irmãos mais velhos também não precisam priorizar sistematicamente a satisfação das necessidades de seu irmão sobre a satisfação das suas próprias. Deixe-os fazer isso quando puderem e quiserem.

Por outro lado, como com qualquer criança, a educação consiste em grande parte em que as crianças internalizem a importância do comportamentos corretos, mas existe uma enorme lacuna entre isso e o fato de eles terem que ser um modelo para seu irmão.

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  • Merino, L., & Martínez-Pampliega, A. (2020). La relación entre hermanos/as y su adaptación en contextos de alto estrés familiar. Ansiedad y Estrés26(1), 27-32.