Jiddu Krishnamurti, um dos maiores líderes espirituais do século XX

agosto 27, 2019
Hoje falaremos sobre a vida de um dos mais importantes líderes espirituais do século XX, cujos ensinamentos ainda estão sendo transmitidos em todo o mundo.

Jiddu Krishnamurti é considerado um dos líderes espirituais de maior destaque do século XX. Antes que atingisse a maioridade, a Sociedade Teosófica o escolheu para transmitir sua sabedoria ao mundo.

Ele foi treinado para isso em uma organização chamada Ordem da Estrela do Oriente, da qual acabaria sendo líder.

Apesar de ter sido treinado nessa ordem por vinte anos, Krishnamurti rejeitou seu título e embarcou em uma expedição psíquica pessoal, passando o resto da sua vida viajando pelo mundo, dando palestras sobre a necessidade urgente de uma mudança mundial.

Ele não fez parte de nenhum grupo religioso e seu trabalho se concentrou em explicar por que é importante se libertar dos medos, da ansiedade, do ciúme, da dor e da raiva.

No final da sua vida, deixou um grande legado na forma de discursos, literatura, entrevistas, cartas e publicações. Sem dúvida, Jiddu Krishnamurti foi um dos líderes espirituais de maior influência da história recente.

Vela queimando diante de lago

A infância de Jiddu Krishnamurti

Jiddu Krishnamurti nasceu em uma família de brâmanes hindus em uma pequena cidade no sul da Índia.

Quando criança, contraiu várias doenças e parte de sua família passou a considerá-lo mentalmente instável. Algumas fontes sugerem que ele sofreu maus-tratos de seu pai e de alguns professores.

Quando ele tinha 10 anos de idade, sua mãe e sua irmã morreram. Isso o afetou profundamente por um longo período de tempo. No entanto, o pequeno Krishnamurti encontrou a paz durante seus anos na natureza.

Em 1909, ele teve um encontro com Charles Webster Leadbeater, um suposto vidente que disse estar impressionado com a aura do menino. Foi aí que ele foi proclamado futuro guia do mundo e da humanidade.

Sob a proteção da Sociedade Teosófica à qual Webster pertencia, ele foi educado em Adyar e depois no exterior, onde foi adotado por outro membro da organização, a Dra. Annie Besant. Ele desenvolveu um profundo afeto por ela e encontrou uma figura materna novamente.

A Sociedade Teosófica

Em 1911, a organização criou a Ordem da Estrela do Oriente para seu novo professor, Krishnamurti. Nesse mesmo ano, ele foi transferido para Londres, fez seu primeiro discurso e publicou seus primeiros textos.

Nos três anos seguintes, viajou pela Europa envolto pelos seguidores da Teosofista. Após a Segunda Guerra Mundial, fez uma turnê mundial na qual pronunciou inúmeros sermões.

Em 1922 viajou para a Califórnia, onde conheceu uma das pessoas mais influentes da sua vida: Rosalind Williams, por quem se apaixonou e com quem fundou a Happy Valley School. No entanto, o relacionamento não funcionou e ela acabou se casando com seu melhor amigo.

Durante esse ano, Krishnamurti passou pelo que descreveu como “um despertar espiritual muito intenso”, no qual experimentou a união mística. Seu irmão, que o acompanhou por todos esses anos nos quais fizeram viagens juntos, morreu poucos anos depois, afetado pela tuberculose.

Após a morte de seu irmão, Jiddu Krishnamurti perdeu a fé na Teosofia, a ponto de conseguir dissolver a organização. Isso criou bastante inimizade entre os seguidores da organização.

Viagens solitárias e novas preocupações

Nos 14 anos seguintes, dedicou-se a viajar, discursar e escrever. Após esse período, ele retornou à Índia em 1947 para fazer um tour de palestras que reuniram milhares de jovens intelectuais que o seguiam.

Durante os anos 60, testou algumas abordagens da psicologia e de cientistas como David Bohm, cujo interesse pela metafísica coincidia com as ideias de Krishnamurti.

Descartou de sua vida qualquer ideia de religião ou ideologia política, na absoluta convicção de que esses eram os fatores que dividiam a humanidade.

Seus ensinamentos transcendiam os sistemas de crenças estabelecidos pelo homem. Não quis representar a figura de um guru e, em suas palestras, não falava sobre tradições ou escolas de pensamento, mas sobre seu próprio conhecimento sobre a mente humana e sua visão do sagrado.

Ele assumia como próprios os desafios que psicólogos e cientistas colocavam.

Líder espiritual

O legado de Jiddu Krishnamurti como um dos líderes espirituais de maior destaque

Jiddu Krishnamurti viveu até os 90 anos de idade, idade em que morreu em decorrência de um câncer de pâncreas. Suas cinzas foram espalhadas pela Índia, Inglaterra e Estados Unidos, os três países em que teve maior influência.

Ele havia fundado várias escolas ao redor do mundo e também criou a Fundação Krishnamurti, que continua funcionando e administra várias escolas. Seus seguidores continuam trabalhando em organizações sem fins lucrativos, sob o seu nome, transmitindo seus ensinamentos.

A verdade é uma terra sem caminhos

O núcleo dos ensinamentos de Krishnamurti está compilado na declaração que ele fez em 1929, na qual afirmou que “A verdade é uma terra sem caminhos”.

Ele nos ensinou que o homem não pode alcançá-la através de qualquer organização ou credo, nem por dogmas, sacerdotes ou rituais. Tampouco o conhecimento filosófico nos leva a ela. Ela só pode ser encontrada através da compreensão e observação dos conteúdos da nossa própria mente.

O homem se cercou de símbolos, ideias e crenças; sua carga domina o pensamento e, portanto, sua vida cotidiana e suas relações. Nós nos definimos pobremente em nome e forma de uma cultura superficial que adquirimos por tradição.

No entanto, nossa essência não reside na superfície, mas na liberação da consciência, onde a liberdade também se encontra.

  • Krishnamurti, Jiddu (2009) Freedom from the Known. Edited by Mary Lutyens. HarperSanFrancisco. 978-0060648084.
  • Lutyens, Mary (2016) J. Krishnamurti. The Open Door (A Biography of J Krishnamurti). Krishnamurti Foundation Trust Ltd. B01HPZ9KZ8.
  • De Sousa A. (2012). Mind and consciousness as per j. Krishnamurti. Mens sana monographs, 10(1), 198–207. doi:10.4103/0973-1229.86145.