Lobo parietal: funções, anatomia e curiosidades

· janeiro 28, 2019
As lesões no lobo parietal nos impediriam, por exemplo, de nos vestirmos e até de voltarmos para casa. Esta área do nosso cérebro é fundamental para interagir com tudo que nos rodeia.

Sentir um toque ou a intensidade de um abraço. Dançar. Conseguir se orientar em uma nova cidade durante uma viagem. Pegar um objeto e lembrar de um momento feliz do passado… Estes e muitos outros tipos de processos relacionados às sensações, memórias e orientação espacial são governados por essa importante área do nosso cérebro: o lobo parietal.

De vez em quando, os neurocientistas nos surpreendem com novas descobertas sobre um dos cinco lobos cerebrais. Falando de regiões, poderíamos dizer que uma das mais fascinantes é aquela localizada logo atrás do lobo frontal. A sua importância está, acima de tudo, em ser a casa da maioria dos nossos processos perceptivos.

David Eagleman, um dos neurologistas mais relevantes da atualidade, explica em ‘Incógnito – As vidas secretas do cérebro‘, um de seus livros, que cada um de nós não percebe as coisas como elas realmente são. Nós vemos a realidade como o nosso cérebro quer. O lobo parietal é aquela área de integração onde passa boa parte da informação do restante das regiões cerebrais. É ele quem organiza, quem nos permite sentir e compreender a realidade que nos rodeia.

Vejamos mais dados abaixo.

“O que aconteceria se eu lhe dissesse que o mundo ao seu redor, com suas cores ricas, texturas, sons e cheiros, é uma ilusão, um espetáculo que o seu cérebro cria para você? Se você pudesse perceber a realidade como ela é, ficaria surpreso com o seu silêncio incolor, inodoro e insípido. Fora do seu cérebro, há apenas energia e matéria”.
– David Eagleman, O Cérebro –

Lobo parietal

Lobo parietal, onde está localizado?

O cérebro é dividido em diferentes regiões: lobo frontal, parietal, occipital, temporal e ínsula. O lobo parietal é um dos maiores e fica perto do topo, bem no centro do córtex cerebral. Na frente dele está o lobo frontal e um pouco mais abaixo estão os lobos occipital e temporal.

Por sua vez, fica separado do restante das regiões pelo sulco parieto-occipital (que o separa do lobo frontal) e pelo sulco lateral, que estabelece um limite com o lobo temporal. Por outro lado, também é interessante lembrar que cada área do nosso cérebro é lateralizada. Ou seja, elas se formam através de um hemisfério direito e um hemisfério esquerdo.

Estruturas do lobo parietal

O nome do lobo “parietal” é derivado do latim, que significa “parede” ou “muro”. Simboliza essa estrutura intermediária localizada no centro do nosso cérebro onde um limite simbólico é estabelecido, uma fronteira onde se cruzam informações infinitas, processos e conexões.

Para entender melhor a complexidade e a relevância dessa área, vejamos como ela está estruturada abaixo.

  • Rotação pós-central ou área 3 de Brodmann. Aqui está localizada a principal área somatossensorial, responsável por receber e processar as informações dos sentidos.
  • Córtex parietal posterior. Essa estrutura é fundamental para processar todos os estímulos que vemos e para coordenar todos os movimentos.
  • Lobo parietal superior. Essa estrutura é fundamental para a orientação espacial e habilidades motoras finas.
  • Lobo parietal inferior. Esta região é uma das mais interessantes; é responsável por relacionar expressões faciais com emoções. Ao mesmo tempo, também é essencial para realizar operações matemáticas e executar a linguagem ou a expressão corporal.
  • Área sensorial primária. Nesta área do lobo temporal processamos todas as informações relacionadas à pele: calor, frio, dor…
Conexões cerebrais

Funções do lobo parietal

Como já dissemos, o lobo parietal participa de todos os processos sensoriais e perceptivos que são tão relevantes na nossa vida cotidiana. Muitas vezes, para dar um exemplo muito ilustrativo do que essa estrutura permite, uma pessoa pode traçar uma letra em nossa pele com o dedo e somos capazes de reconhecê-la.

No entanto, algo tão simples implica processos infinitos: sentir o toque na nossa pele, reconhecer os movimentos e associar essa sensação e seu traço com uma letra do alfabeto. É algo fascinante, mas as suas funções não terminam aqui. Vejamos o que mais ele nos permite fazer:

Funções sensoriais

Graças ao lobo parietal, podemos:

  • Reconhecer estímulos e saber, por exemplo, o que eles fazem, como eles são, que lembranças nos trazem, saber como nos sentimos quando tocamos algo, cheiramos, sentimos… Por exemplo, quando vemos um gato nos lembramos daqueles que tivemos no passado, sabemos que tipo de personalidade eles têm, o que sentimos ao acariciá-los, etc.
  • Também nos permite saber em que posição estamos, reconhecer se algo ou alguém está nos tocando, se sentimos frio, calor ou algum tipo de dor. Dessa forma, torna mais fácil para nós, por exemplo, tocar ou reconhecer qualquer parte do nosso corpo sem precisarmos olhar em um espelho (algo essencial quando nos vestimos).

Processos cognitivos e analíticos

Estudos como o realizado em 2008 na University of Psychology de Tempe, nos Estados Unidos, revelaram uma das mais recentes descobertas: graças aos avanços nas técnicas de neuroimagem, foi possível ver que o lobo parietal é fundamental na memória de curto prazo e de trabalho, bem como na memória episódica.

  • Esse tipo de processo cognitivo é essencial para reter informações de curto prazo. Depois, as utiliza para outros comportamentos e processos psicológicos complexos, como a tomada de decisões ou o cálculo matemático.
  • Por sua vez, este lobo cerebral é essencial para pensar em símbolos matemáticos, analisar sequências, números, etc.
O funcionamento do cérebro

Lesões no lobo parietal

As pessoas com danos traumáticos ou orgânicos (devido a um derrame, por exemplo) nos lobos parietais mostram sérios problemas quando se trata de reconhecer os seus corpos, orientar-se em um espaço, manipular ou alcançar objetos, desenhar, se limpar… Dessa forma, são muito comuns as apraxias (incapacidade de realizar movimentos de forma voluntária) e as agnosias (incapacidade de reconhecer objetos).

As afasias ou problemas de linguagem, bem como as ataxias (problemas de coordenação corporal e até visual), também são muito recorrentes nestes tipos de patologias associadas a lesões no lobo parietal.

Para concluir, poderíamos definir o lobo parietal como a casa onde mora uma grande parte dos nossos processos sensoriais. A nossa capacidade de nos movermos, interagirmos com o meio ambiente e as pessoas que nos cercam depende dessa estrutura.

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