Costuma ser mais frágil quem menos aparenta

· novembro 20, 2016

Costuma ser mais frágil quem menos aparenta. Quem veste armaduras maciças e esboça sorrisos de uma coragem e valentia admiráveis normalmente esconde um coração de vidro, que reflete e chora amarguras secretas. Abismos de tristeza profunda que não conseguiu resolver.

A pessoa secretamente frágil também é, muitas vezes, incrivelmente passível. Às vezes, um pequeno ato de gratidão ou bondade a enche de felicidade. No entanto, o menor erro ou decepção vivida faz com que essas pessoas entrem em desespero. Falamos dessa “hipersensibilidade” com a qual a pessoa frágil tanto choca no seu dia a dia.

Todos nós conhecemos pessoas que, aparentemente, suportam todos os fardos que a vida coloca sobre suas costas, mas não se engane: porque elas usam máscaras da cor da falsa coragem. E inclusive vestem armaduras de heróis de outros tempos. No entanto, basta colocar um pouco suas armaduras para ver que elas estão cheias de ferrugem por seus sofrimentos internos. Pelas lágrimas derramadas às escondidas.

Toda pessoa frágil esconde a sensibilidade das criaturas que, embora sábias, têm uma alta necessidade de estima. Sua pele é muito fina e irão reagir instantaneamente com qualquer alteração. Qualquer censura ou interpretação errônea de um contexto será sentida como uma ameaça.

Propomos que você aprofunde conosco a complexa questão da fragilidade humana.

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A pessoa frágil e a vulnerabilidade emocional

Em primeiro lugar, vamos definir o que entendemos por fragilidade emocional. Ser frágil não significa de modo algum ser fraco. Significa, acima de tudo, ver e entender a realidade a partir de uma perspectiva mais íntima, a partir do próprio coração. No entanto, isso implica, por sua vez, um inverso complexo: o da vulnerabilidade emocional.

Para proteger este interior delicado, as pessoas costumam se blindar com diferentes tipos de armaduras. Há quem demonstre uma personalidade forte e enérgica, marcando limites. São pessoas que, às vezes, parecem estar em guerra com o mundo. No entanto, e temos que levar isso em conta, quem está sempre alerta acaba esgotado por tanto desgaste psicológico e emocional.

Porque quem entende a vida como uma autodefesa contínua só irá acumular sofrimentos.

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O coração frágil que foi muito machucado passa a ficar desconfiado. Pouco a pouco desenvolve uma personalidade passível que interpreta qualquer ato como uma ofensa. Uma conversa se transforma em uma batalha. Uma frase dita com um determinado tom é sentida como uma reclamação. Assim como dizia Leonardo da Vinci, “onde há mais sensibilidade há mais martírio”.

No entanto, todos nós podemos canalizar essa fragilidade de forma criativa, saudável e poderosa para delimitar tal sofrimento.

Fazer da nossa fragilidade o nosso ponto forte

Sempre foi assim, e é assim que você tentou sobreviver até o momento. Quando era criança, você criou um mundo de fantasia à sua medida porque você não gostava do que via. Na adolescência, você chegou à conclusão de que ninguém o entenderia e então sentiu medo. Na idade adulta você sente que ninguém o ama como você merece, e ao medo, somou-se também a raiva.

Você foi adicionando “cascas de cebola” ao seu eu interior, desconectando-se por completo da única força capaz de lhe dar aquilo que você precisa: sua autoestima. Entenda que a vida não é um campo de batalha do qual você deve se defender a todos os momentos. Crescer, amadurecer e avançar significa nos reencontrarmos com nós mesmos para deixar de ver inimigos onde não há. 

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Aprender a sobreviver em um mundo de alfinetes

As pessoas rejeitam a fragilidade de forma quase instintiva. Para nós, nos percebermos como mais sensíveis significa uma ameaça e, portanto, escolhemos nos proteger. No entanto, o verdadeiro problema surge após alguma experiência ruim. Ao medo de ser ferido de novo é somada a raiva e, inclusive, a busca contínua de culpados.

  • Para evitar estes estados, temos de ser capazes de atenuar a hipersensibilidade. Se você percebe que tudo à sua volta está cercado por alfinetes, sua pele fina e seu coração sensível irão explodir ao menor toque.
  • Ponha calma na sua mente, pois às vezes o seu pior inimigo é você mesmo. Deixe que a partir de hoje o equilíbrio habite o seu palácio mental. Não foque tanto a sua existência no que os outros fazem ou dizem para validar a si mesmos. A única pessoa para a qual você deve ser válido é você mesmo.
  • Essa visão exageradamente subjetiva de tudo o que o rodeia faz com que você derive nos pensamentos obsessivos. Lembre-se de que as pessoas não irão amá-lo pelo que você é, mas sim pelo que você as faz sentir. Se você fica sempre na defensiva, vendo alfinetes em todo lado, a única coisa que você vai conseguir é que as pessoas o evitem. Não caia nestes círculos viciosos.
  • As pessoas sensíveis encontram canais de expressão adequados em dimensões como a arte, a pintura, a música… Procure esse meio onde você possa canalizar sua sensibilidade, isso irá servir como um verdadeiro alívio.

Por último, lembre-se de que ser sensível é uma grande virtude, mas ser hipersensível é um defeito. Embora você seja um pouco mais frágil e emocional do que o resto das pessoas, não faça disso uma maldição. Porque ser frágil não é ser fraco, é ter uma percepção interna mais intensa sobre o que o rodeia. Cuide da sua autoestima e tire proveito dessa capacidade.